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WRC, Sébastien Ogier: “Estou orgulhoso desta viagem, concretizei um sonho de criança” | AutoSport

WRC, Sébastien Ogier: “Estou orgulhoso desta viagem, concretizei um sonho de criança”

Por a 22 Novembro 2021 10:45

Sébastien Ogier/Julien Ingrassia (Toyota Yaris WRC) venceram o Rali de Monza e com isso chancelaram o seu oitavo título Mundial de Ralis.

Sébastien, parabéns pela vitória em Monza e pelo teu oitavo título mundial. Como te estás a sentir agora?
“A emoção veio como um fogo de artifício, quando cruzei a ‘meta’, diria. Estou super feliz por ter ganho este título. Via rádio disseram-nos que éramos campeões, eu sabia que era suficiente com o que tínhamos feito no troço, mas não sabia da vitória no rali. Mas foi uma sensação estranha saber que isto é realmente o fim. Conseguimos muito mais do que sonhávamos há 15 anos, quando nos conhecemos. Acabar desta forma é o melhor caminho possível. Mais uma memória inesquecível que terei com o Julien. É difícil descrever tudo o que sentimos neste momento. Há também este vazio. Toda a pressão, a atenção, as perguntas e expetativas, o que quer que seja. Conseguimo-lo, e é espantoso mas depois sentimo-nos um pouco vazios. São dias únicos, mas é preciso também mais tempo para apreciar o sucesso”.

Tiveste uma grande batalha com o Elfyn ao longo do fim-de-semana. Fala sobre isso…
“Tivemos um fim-de-semana muito forte. Senti que tinha tudo sob controlo no carro. Mas, especialmente aqui no circuito, é fácil bater em algo. E foi isso que nos aconteceu. Um pouco mais dentro e teriam havido muito mais consequências, pelo menos um furo, ou mesmo mais. Essa é a sorte que é preciso ter para se ter sucesso no desporto em geral. Aconteceu a todos a dada altura. Eu estava a falar com o Elfyn em Espanha. Ele teve o seu momento e funcionou. Outras vezes, na sua carreira, sente que não fez nada de errado, mas um azar tem grandes consequências. É assim que as coisas são. Tivemos um forte desempenho este fim-de-semana. Mas nunca foi fácil.
O maior erro para mim, teria sido cair neste modo de ataque total, e estar a lutar contra o Elfyn.
Eu precisava de me certificar que ele não ganhava o rali facilmente. Mas também os Hyundai não estavam assim tão atrasados. Eles foram bastante fortes. Se começasse a baixar o ritmo, facilmente podia voltar para muito perto da zona de perigo, que poderia ser em torno do quarto ou quinto lugar, e então aí sim, teria estado sob pressão até à Power Stage, para marcar pontos para confirmar o título. Estávamos a sentir-nos bem no carro e mantivemos um ritmo elevado durante todo o fim-de-semana. O Elfyn também cometeu um erro de manhã. Isso deu-nos um pouco de margem para ganhar o rali, e concretizar esta viagem em grande estilo, com o Julien”.

Já prestaste uma homenagem ao Julien. É uma história incrível que têm juntos. Será muito diferente sem ele?
“É simples: vou sentir a sua falta. Tenho a certeza disso. Quando se constrói isto durante tantos anos e se têm tantos automatismos a trabalhar em conjunto. Basicamente, não precisamos de falar para nos compreendermos um ao outro. Nunca houve qualquer razão em toda a minha carreira para tentar mudar o Julien.
Ele tinha o mesmo alvo e o mesmo compromisso. Era simples, e eu nunca tive de o pressionar a fazer nada.
Tivemos a mesma missão desde o início. Há 15 anos, no carro, gostei da forma como ele me deu as notas.
Essa é a prioridade número um. É por isso que praticamos este desporto para sermos rápidos nos troços.
Tudo o que está à volta é a organização, digamos, mas o que está à volta é ainda mais a especialidade do Julien.
Por vezes ele sente-se um pouco fora de alcance, na sua bolha, e talvez seja um pouco mental. Ele está completamente concentrado, mas é assim que ele está a fazer o seu trabalho. Apenas uma vez na minha carreira – terão ouvido a história recentemente no seu podcast – uma equipa tentou separar-nos. Quando estava a entrar no desporto, havia esta filosofia de que por vezes é melhor ter um navegador experiente ao teu lado. Felizmente, fui um pouco teimoso e forte o suficiente nesse momento da minha carreira para dizer não, e queria continuar com Julien. E mantivemos-nos juntos. A maioria dos pilotos, quando entram neste mundo, dizem sim a tudo, porque têm medo pela sua posição. Já nesse momento tinha força suficiente para dizer que o Julien ficava comigo, e há muito que sei que foi a decisão certa”.

Como é fazer parte da história do WRC?
“Nunca esqueço este meu sonho de criança ao ver Monte-Carlo com os olhos cheios de estrelas, a pensar que nasci no lugar errado. Eu não tinha dinheiro e não podia fazer isso. Nunca me esqueço disso, e conseguimos chegar ao topo do desporto, e permanecemos no topo durante muitos anos. Estou orgulhoso disso. Tem sido uma viagem única e, para além de tudo isto, consegui muitas vitórias e bons números. Era este tipo de coisas que eu sonhava quando comecei a minha carreira. Mas agora é mais sobre a emoção, e as pessoas que conhecemos pelo caminho.
É bom estar aqui hoje com o Jari, o Dani, o Elfyn. Todos aqui hoje já foram companheiros de equipa.
Estou orgulhoso desta viagem e de fazer parte da história de um desporto que me permitiu concretizar um sonho de criança.
Quero também dizer agradecer ao Kalle, por este fim-de-semana. Ele jogou o jogo de equipa. Tive muitas provas como esta no início da minha carreira. É sempre difícil quando se está no início da carreira e também se tem ambição. Fê-lo de forma brilhante para garantir o título de fabricantes. Obrigado, Kalle.

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