O Campeonato do Mundo de Ralis segue para a Escandinávia para disputar o Rali da Suécia, uma das provas mais icónicas e espetaculares do calendário, conhecida pelas altas velocidades em pisos gelados e florestas cobertas de neve. Em 2026, a prova sueca assume especial relevância, não só pelo cenário único, mas também pelo impacto que poderá ter nas campanhas de pilotos em busca de afirmação, recuperação de forma ou consolidação de favoritismo.
Sesks regressa motivado e sem medo da neve
Martin Sesks inicia na Suécia a sua segunda época parcial ao serviço da M‑Sport Ford, naquela que será a primeira de até sete participações em ralis durante 2026. Depois da “dor de alma” sofrida na Arábia Saudita, onde abandonou da liderança no último dia devido a um problema que o obrigou a parar para trocar uma roda, o letão regressa com a confiança reforçada pelo ritmo demonstrado. Sexto classificado no Mundial em 2025, Sesks acredita na sua experiência e na ausência de receio em enfrentar as especiais de neve: só admite ficar realmente preocupado quando o seu navegador mostra algum receio, assumindo que esse “5%” de margem pode significar grandes problemas.
Armstrong, Burn e McErlean procuram afirmar-se na M‑Sport
Na M‑Sport Ford, John Armstrong e Shane Byrne chegam à Suécia em alta de confiança depois da estreia positiva em Monte Carlo, onde foram os mais rápidos da equipa até um toque terminar prematuramente a sua prova e afastar a hipótese de pontos. A rapidez demonstrada em condições de neve, aliada à vitória no JWRC em 2022, faz dos irlandeses um duo a seguir com atenção.
Os compatriotas Josh McErlean e Owen Traynor querem reagir a um arranque de temporada difícil, recordando que em 2025 chegaram a rodar em quinto na Suécia antes de abandonarem após um embate num banco de neve no último dia. Com a pressão adicional da boa exibição de Armstrong e Byrne em Monte Carlo, McErlean e Traynor apontam a um lugar no topo da hierarquia interna da M‑Sport e a uma luta consistente pelo top‑5.
Solberg lidera o campeonato; Evans e Katsuta em plano de ataque
Oliver Solberg e Elliott Edmondson chegam à Suécia como líderes do campeonato, depois de uma vitória dominante em Monte Carlo que marcou em definitivo a afirmação do sueco no WRC. Solberg dispõe de uma vantagem de quatro pontos sobre o colega de equipa Elfyn Evans, enquanto o campeão em título, Sébastien Ogier, é terceiro a 12 pontos, num programa parcial que não inclui esta prova.
Solberg soma já três triunfos consecutivos no WRC2 em solo sueco e, apesar de abrir a estrada na sexta‑feira, sabe que Evans demonstrou em 2025 que “limpar” a neve não é necessariamente um impedimento ao sucesso. O galês, acompanhado por Scott Martin, venceu então o Power Stage e o Super Domingo, garantindo o máximo de pontos e consolidando o estatuto de forte candidato ao triunfo.
A margem mínima de 3,8 segundos sobre Takamoto Katsuta e Aaron Johnston, que assim ficaram muito perto da primeira vitória absoluta, dá ao japonês motivação extra para usar a sua reconhecida rapidez na neve e procurar finalmente subir ao lugar mais alto do pódio.
Sami Pajari tentará, por seu lado, recuperar confiança após um abandono no primeiro dia e um acidente no Super Sunday em Monte Carlo.
Lappi reforça Hyundai; Formaux e Neuville com contas por ajustar
Esapekka Lappi regressa ao WRC na Suécia, ao lado da navegadora Enni Makonen, para o primeiro rali de um programa parcial com a Hyundai. Vencedor do Rali da Suécia em 2024, o finlandês oferece à marca coreana uma combinação importante de experiência e rapidez na neve, ainda que a pouca quilometragem recente com o i20 N levante algumas dúvidas. A boa posição de partida na estrada e o sucesso recente no Arctic Lapland Rally podem, contudo, compensar essa menor familiaridade com o carro e reforçar a candidatura a pontos importantes para o Mundial de Construtores.
Em Monte Carlo, o duo formado por Adrien Formaux/Alex Coria saiu com o objetivo declarado de vencer, mas problemas no travão de mão limitaram‑no a um quarto lugar, apesar de apenas Evans ter sido mais rápido no Super Domingo. Ainda assim, o finlandês chegou a eclipsar Hayden Paddon e Thierry Neuville em termos de ritmo puro, alimentando o desejo de desforra depois de um final dramático na edição anterior do rali.
Thierry Neuville e Martijn Wydaeghe também chegam à Suécia com “contas por acertar”. O quinto lugar em Monte Carlo ficou aquém das expectativas, com o belga a demorar a encontrar o equilíbrio ideal do carro até às últimas especiais. Em pisos mais consistentes e previsíveis, como os suecos, o campeão do mundo de 2024 é apontado como um dos favoritos, num rali onde já venceu em 2018 e em que só ficou fora do pódio uma vez desde 2022.
Velocidade máxima na neve e margens mínimas
Apesar das temperaturas negativas, o Rali da Suécia é uma das provas mais rápidas do calendário, com médias elevadas e diferenças mínimas entre os primeiros classificados. As especiais estreitas, ladeadas por altos muros de neve, exigem compromisso total para espremer cada décimo, mas castigam de forma implacável qualquer excesso: um pequeno erro pode terminar em impacto nos bancos de neve e consequente abandono.
Com o pelotão dividido entre quem procura reencontrar forma, quem quer confirmar o momento e quem precisa de pontuar forte logo nesta fase inicial da época, a edição de 2026 promete mais um espetáculo de alto nível na Escandinávia. Resta saber quem conseguirá manter a frieza necessária em condições tão geladas para sair da Suécia com a melhor fatia de pontos e, eventualmente, com um momento decisivo na luta pelo título mundial.













