Logística de topo para manter a Ferrari em pista
No FIA World Endurance Championship (WEC), onde se cruzam Hypercars e LMGT3 ao longo de oito rondas em quatro continentes, a excelência em pista depende de uma enorme engrenagem fora dela – e é aí que entra Domenico D’Ignazio, responsável pela logística da estrutura de resistência da Ferrari.
Entre atrasos de voos, pedidos de última hora dos pilotos e a complexa montagem de paddocks e boxes, o italiano coordena o fluxo global de pessoas, carros e equipamento, garantindo que tudo está no lugar certo, à hora certa, para que a equipa mantenha os padrões de exigência que a marca de Maranello impõe como linha de base.
Este é mais um exemplo que o espetáculo do desporto motorizado tem por trás muitos heróis invisíveis. Sem eles, nada corrida (literalmente) sobre rodas…
Gestão de pilotos, cargas e imprevistos
A equipa de D’Ignazio gere agendas e necessidades de 17 pilotos oficiais de fábrica, conciliando deslocações, horários competitivos e compromissos mediáticos. Em paralelo, coordena 21 paletes de carga aérea e três contentores marítimos, divididos em dois “kits” para assegurar que a Ferrari tem sempre material disponível quando compete fora da Europa. Cada fim de semana começa com a descarga de contentores, a verificação do estado dos fretes, a conferência dos layouts de paddock e das rotas de segurança, antes da montagem completa da infraestrutura de corrida.
Entre a pressão da pista e a ligação aos tifosiA função obriga a um permanente equilíbrio entre profissionalismo e proximidade humana: D’Ignazio adapta o discurso a cada piloto, alternando humor e sobriedade consoante o perfil, e é frequentemente o rosto que transmite decisões impopulares em contexto de elevada pressão.
Em circuitos como Fuji, no Japão, a logística serve também um objetivo de marca, aproximando a Ferrari de tifosi altamente apaixonados, enquanto em paralelo a equipa tenta extrair o máximo de performance numa pista estreita, de baixa aderência e curvas lentas que não favorecem totalmente o potencial do carro.
A filosofia, resume o próprio, não é perseguir uma perfeição impossível, mas construir uma resiliência que se confunda com perfeição aos olhos de quem vê a Ferrari em pista. Veja o vídeo para perceber tudo melhor.










