A FIA já percebeu a necessidade de se adaptar mais rapidamente às necessidades dos construtores e nesse contexto, Yves Matton, Diretor de Ralis da FIA já disse que os novos Rally1 que vão ver a luz do dia em competição, em janeiro de 2022, podem ter, se assim for necessário, três anos de ‘vida’. E o que isto significa?
Para a FIA, tendo em conta a transição que se está a dar na indústria automóvel, muito mais rapidamente do que alguém anteviu na última década, pode levar a que o WRC tenha que reagir mais depressa às necessidades de mudança do que estava previsto.
Como tem sido hábito, os ciclos de regulamentos do Mundial de Ralis têm durado cinco anos, tal como é o caso deste último, 2017-2021, mas a próxima geração de carros de Rally1 pode correr apenas durante três anos, caso a FIA conclua que precisa de mudar mais rapidamente.
Se assim for, dentro de um ano já se estará a pensar nas regras de 2025: “Temos que ser flexíveis. Nós vamos ter que ouvir os que nos dizem os construtores, e nesse sentido estamos a trabalhar com eles. Estamos prestes a lançar carros híbridos no topo do WRC, e isto sucedeu porque os fabricantes apontaram esse caminho.
Sabemos que o Rally1 é agora para três anos: 2022, 2023, 2024, no primeiro ciclo. E em 2022 podemos começar a falar de 2025 e 2026. As coisas estão a avançar mais rapidamente por agora”, disse Matton ao Dirtfish, deixando claro que a FIA quer começar já a discutir 2025 e 2026: “O que vamos ter agora para 2022 baseia-se no que os fabricantes têm vindo a pedir. É lógico que a FIA quer mais sustentabilidade, novas tecnologias, queremos ter carros de topo que sejam um laboratório e tragam novas tecnologias”, disse.
Percebe-se a intenção da FIA. Como as coisas estão hoje em dia, e acreditando-se que a Hyundai confirma a sua participação em 2022 (é o mais provável), três construtores ficam certos para mais três anos e até lá vai ser possível pensar melhor no que vem a seguir.
Tomar decisões numa altura em que não se sabe ao certo os efeitos da pandemia nas economias, é bem melhor tomar essas mesmas decisões quando, inevitavelmente, as economias já estejam em franca recuperação. O que se espera é que, ao contrário do que sucedeu com a crise que começou em 2008 nos EUA e se estendeu a todo o mundo, ou quase, a recuperação seja agora mais célere, pois não vão ser repetidos erros.
A isso junta-se o facto da indústria automóvel estar em acelerada transição para a eletrificação, hibridização, novos combustíveis, e no meio de tudo isso, os construtores sabem que o desporto motorizado é uma excelente ferramenta de Marketing, e nesse contexto basta esperar que alguns escolham o WRC.










Tenho alguma esperança que os combustíveis sintéticos venham ajudar a manter os motores a combustão. Era muito bom podermos continuar a ver os carros a andar com um som idêntico aos atuais e se for melhor para o ambiente, excelente.
Totalmente de acordo. E acho que para o bem do desporto, a FIA já percebeu isso. Claro que as necessidades dos construtores são importantes, mas igualmente importantes, ou mais ainda, é continuar a cativar a imaginação e sonho daqueles que tornam todo isto possível, os fãs e seguidores das modalidades.
Seja com que tecnologia, o fator espetacularidade tem que continuar a ser estimulado, sob pena de termos organizadores incapazes de por na estradas provas por falta de interesse de espectadores. Sem dinheiro a circular destes nada se concretiza.
Eu também tenho esperança nos combustíveis sintéticos, mas temo que ponham aquilo a cheirar a rosas. É que eu além de gostar deles barulhentos, também gosto que sejam mal-cheirosos.