Oliver Solberg esteve a um passo de transformar o Rali das Canárias na melhor vitória da sua temporada, mas voltou a sair de cena da forma mais amarga: com um acidente quando discutia diretamente o triunfo com Sébastien Ogier. O piloto sueco chegou à PEC17 a apenas 2,2 segundos da liderança, depois de uma recuperação constante ao longo de sábado e domingo, mas abandonou após uma saída de estrada ao quilómetro 14,7, entregando definitivamente o rali ao francês.
Até esse momento, Solberg tinha sido, a par de Sébastien Ogier, a principal figura competitiva da prova. Subiu de quarto a segundo na PEC5, fechou a sexta-feira a 8,9 segundos de Ogier, venceu as duas passagens por Moya-Gáldar no sábado e arrancou para o último dia a 3,8 segundos da liderança. No domingo, apertou ainda mais: reduziu a diferença para 3,2 segundos na PEC15 e para 2,2 na PEC16, transformando o rali num duelo direto dentro da própria Toyota.
Um rali ganho em velocidade, perdido no limite
O abandono na penúltima especial não foi apenas o momento decisivo das Canárias; reforçou também um padrão que começa a marcar a época de 2026 de Solberg. O sueco tem exibido velocidade para discutir vitórias, mas continua a alternar entre passagens brilhantes e erros penalizadores, uma tendência que voltou a confirmar-se nesta prova.
A explicação dada pelo próprio ajuda a enquadrar o incidente. “A primeira passagem esta manhã estava bastante molhada e agora estava muito mais seco. Fui otimista demais nessa direita com salto e fomos contra os rails, infelizmente”, afirmou Solberg, resumindo um erro de leitura num troço em rápida mudança. A declaração confirma que a alteração de aderência entre passagens teve peso no desfecho, mas não altera o essencial: quando o rali entrou na fase decisiva, o sueco voltou a ultrapassar o limite.
Um padrão que se repete em 2026
O caso das Canárias encaixa numa sequência incómoda. Em Monte Carlo, Solberg quase comprometeu a prova na PEC12; na Suécia acumulou um meio pião na PEC2, saídas de estrada na PEC3 e PEC4, dois furos e problemas de alternador na PEC14; na Croácia sofreu um acidente forte logo na PEC1. Nas Canárias, o argumento repetiu-se: velocidade evidente, pressão eficaz sobre o líder e erro no momento em que o cenário parecia abrir-se para um resultado maior.
Entre promessa e urgência de consistência
O retrato que fica é ambivalente. Por um lado, Solberg foi o único piloto capaz de desestabilizar seriamente Ogier e de transportar a luta pela vitória até ao último dia, num rali dominado tecnicamente pela Toyota. Por outro, voltou a sair sem resultado proporcional ao andamento que mostrou, o que torna a questão da consistência cada vez mais central na avaliação da sua temporada.
Nas Canárias, Solberg confirmou que tem velocidade para vencer no WRC. Falta-lhe, por agora, provar que consegue levá-la intacta até ao fim
FOTO AndyCraig/WRC.com










