WRC, Rali das Canárias: 68ª vitória de Ogier veio após abandono dramático de Solberg

Por a 26 Abril 2026 14:11

Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) venceu o Rali das Canárias depois de resistir durante três dias à pressão interna da Toyota e beneficiar do abandono de Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) na penúltima especial, quando os dois estavam separados por apenas 2,2 segundos e a luta pela vitória seguia totalmente em aberto.

O desfecho retirou intensidade ao último troço, mas não apagou o essencial: Ogier foi o piloto mais consistente do rali, soube controlar as oscilações das condições e capitalizou o erro do adversário direto no instante em que o duelo atingia o ponto máximo. Solberg atingiu, mais uma vez (é o quinto acidente que tem em cinco provas) o seu limite, e tem tanto de rápido – provavelmente é o mais rápido atualmente – mas provavelmente a sua rapidez ultrapassa a própria capacidade do carro e dos pneus, e os acidentes sucedem.

No final, a Toyota, que tinha seguros, cinco carros nos cinco primeiros lugares, acabou somente com quatro, ainda assim numa demonstração absoluta de superioridade em asfalto, com Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) a herdar o segundo posto, Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) a assegurar o pódio, Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) em quarto e Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) como melhor não-Toyota, no quinto lugar. O momento-chave da prova foi o abandono de Solberg na SS17, depois de ter passado todo o sábado e a manhã de domingo a encurtar a vantagem de Ogier.

Os altos e baixos do Rali das Canárias

Sébastien Ogier perdeu a superespecial inaugural para Taka Katsuta, mas assumiu cedo o comando na PEC2 e nunca mais saiu verdadeiramente do controlo do rali. Foi construindo a vantagem com vitórias em troços como a PEC4, PEC6 e PEC7, fechando a sexta-feira com 8,9 segundos de avanço sobre Solberg.

No sábado, viu o sueco reduzir progressivamente a margem, sobretudo em Moya-Gáldar, e chegou ao fim do dia com apenas 3,8 segundos de vantagem. No domingo, cedeu novamente tempo nas duas primeiras especiais, baixando para 2,2 segundos, antes de beneficiar do abandono do rival na SS17; depois disso, limitou-se a gerir. “Não era assim que queríamos ver isto acabar”, admitiu, revelando lucidez competitiva e respeito pelo adversário.

Elfyn Evans fez um rali inteligente, mais uma vez. Esteve inicialmente por perto, mas raramente conseguiu sustentar uma candidatura real à vitória até ao fim. Na sexta-feira oscilou entre bons parciais e dificuldades de confiança, perdendo terreno para Ogier, Solberg e, por momentos, Pajari.

O salto mais forte surgiu no sábado de manhã, com a vitória em Maspalomas 1 e outra grande prestação na chuva da SS10, que o recolocaram no pódio e o mantiveram como terceiro elemento da luta. Ainda assim, foi perdendo gás perante a consistência de Ogier e a velocidade pura de Solberg, acabando por herdar o segundo lugar após o abandono do sueco.

Quarto pódio seguido para Sami Pajari, que começou muito forte o rali, liderou momentos da superespecial de abertura e andou sempre na frente durante a sexta-feira. Caiu para terceiro na PEC2, recuperou o segundo lugar na PEC4 e fechou o primeiro dia no pódio provisório, a apenas meio segundo de Evans. No sábado e no domingo, porém, faltou-lhe capacidade para acompanhar o ritmo dos três homens mais fortes. Ainda assim, manteve-se sólido, venceu a PEC8 no estádio, consolidou a posição face a Katsuta e acabou recompensado com o terceiro lugar após o abandono de Solberg.

Takamoto Katsuta abriu o rali a vencer a superespecial e passou pela sexta-feira sempre próximo dos primeiros. Ainda assim, foi perdendo terreno à medida que a prova se tornava mais exigente e técnica, descendo para quinto ao fim do primeiro dia. No sábado teve momentos competitivos, incluindo uma boa resposta em Maspalomas 2, mas cometeu também um erro insólito numa rotunda da SS11, dando uma volta a mais e perdendo tempo precioso. No global, esteve num segundo pelotão da Toyota: competitivo, mas sem andamento para lutar pelo triunfo. Terminou em quarto.

Adrien Fourmaux foi o melhor piloto Hyundai, o mais consistente. Na sexta-feira começou atrás de Sordo, mas foi crescendo e ultrapassou o espanhol no sábado de manhã. A partir daí, assumiu-se como referência interna da Hyundai, com bons tempos em várias especiais, mesmo sem nunca ameaçar o top 4 da Toyota. Num rali em que o i20 N Rally1 voltou a sofrer com subviragem, falta de performance o que tinha como consequência falta de confiança dos pilotos, Fourmaux foi quem melhor limitou danos no seio da sua equipa.

Thierry Neuville viveu mais um rali frustrante, terminou em sexto – mas nem de perto mais frustrante que a Croácia – marcado por queixas constantes ao comportamento do carro. Ao longo da prova falou de nervosismo, desconforto, alternância entre subviragem e sobreviragem e dificuldade em prever a resposta do Hyundai de curva para curva. Dessa forma, não há confiança que resista. Apesar disso, acabou por superar Dani Sordo no domingo e terminou como segundo melhor Hyundai. A recuperação parcial não esconde, porém, uma prestação global abaixo do exigido para um campeão do mundo.

Bom regresso de Dani Sordo, que foi inicialmente o melhor Hyundai e chegou ao fim de sexta-feira como sexto classificado e principal referência da marca. Contudo, perdeu rendimento à medida que a prova avançou e foi ultrapassado primeiro por Fourmaux e depois por Neuville. A falta de ritmo nos Rally1 num rali tão exigente foi clara, e se ainda teve ‘andamento’ no primeiro dia, depois foi-se abaixo.

Entre mudanças de afinação, falta de travões e um furo no domingo, o espanhol nunca conseguiu travar a tendência descendente. O regresso ao WRC teve flashes de solidez, mas terminou longe do protagonismo inicial, no sétimo lugar da geral.

Prova apagada de Josh McErlean, mas relativamente limpa, e acabou por subir na classificação à custa dos problemas de outros. Esteve quase sempre atrás de Jon Armstrong em andamento puro, embora mais regular nas fases decisivas. Sem momentos de grande destaque, foi acumulando quilómetros e beneficiou das dificuldades da Hyundai e da M-Sport para entrar no top 10.

Já Jon Armstrong teve um rali difícil, muito marcado por incidentes e contratempos. Na sexta-feira saiu para uma escapatória na PEC4 e viu o Ford sofrer também na superespecial noturna, onde ficou reduzido a tração dianteira.

Ainda teve problemas de intercomunicador e continuou a mostrar um rendimento irregular. O rali resumiu-se a resistência e sobrevivência, bem longe da imagem deixada na Croácia.

Oliver Solberg foi, até ao abandono, a grande personagem da prova. Começou discreto, mas subiu de quarto a segundo na PEC5, fechou a sexta-feira a 8,9 segundos de Ogier, venceu as duas passagens por Moya-Gáldar no sábado e entrou no último dia a apenas 3,8 segundos da liderança.

No domingo, foi ainda mais incisivo: reduziu a diferença para 3,2 segundos na PEC15 e para 2,2 na PEC16, transformando o rali num duelo direto. Tudo terminou na PEC17, com uma saída de estrada ao quilómetro 14,7; a velocidade estava lá, mas o erro anulou uma exibição que podia ter terminado em vitória.

É de longe o piloto que mais alterna entre o brilho total, a erros quase inexplicáveis, que se estão a tornar numa tendência, pois se olharmos para o seu ano de 2026, percebemos que saiu de estrada/bateu, em todos os ralis.

Na PEC12 do Monte Carlo onde quase perdia a prova, na Suécia, meio pião na PEC2, saída de estrada na PEC3, saída de estrada na PEC4, num cruzamento, dois furos, problemas no alternador na PEC14, acidente forte na PEC1 da Croácia. Siontomático.

O que definiu esta prova

O primeiro fator decisivo foi o claro domínio técnico da Toyota, que monopolizou o top 5 sem grandes problemas e se quatro pilotos da equipa tivessem ‘azares’ grandes, o restante teria vencido a prova na mesma. A equipa está tão à frente da Hyundai que tem respostas para todos os cenários, do seco total à chuva e às zonas húmidas. A luta pela vitória foi inteiramente interna, primeiro com Ogier a impor-se pela precisão, depois com Solberg a crescer até encostar à liderança.

O segundo grande fator foi a clara incapacidade da Hyundai para encontrar um comportamento estável do carro. Fourmaux salvou (minimamente) a face da marca, mas Neuville e Sordo passaram grande parte do rali entre queixas de subviragem, falta de frente e dificuldade em ler a aderência. Na M-Sport, Armstrong e McErlean ficaram remetidos para provas de contenção, sem andamento para discutir posições relevantes.

FOTO WRC.com/Andy Craig

Olhando um pouco para o “Timeline do drama”, na PEC2, Ogier assumiu o comando, ao bater Solberg por meio segundo, subindo à liderança e inaugurando a narrativa principal do rali: Toyota na frente, Hyundai em reação e o francês no controlo.

Na PEC14, Solberg fecha e margem para Ogier e coloca-a em 3,8 segundos. Depois de vencer as duas passagens por Moya-Gáldar, Solberg termina o sábado colado a Ogier e transporta toda a decisão para domingo.

Contudo, na PEC17, o golpe final: quando estava a 2,2 segundos e ainda com hipóteses reais de vencer, Solberg sai de estrada, abandona e entrega a Ogier uma vitória que até aí estava longe de ser garantida.

FOTOS @World

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