Michele Mouton marcou presença na Cimeira das Mulheres no Desporto Automóvel organizado pelo DirtFish, no seu papel de Delegada de Segurança da FIA, e contou uma história, fazendo um paralelo sobre o que era o passado e o presente e deu como exemplo… o Rali de Portugal.
O Rali de Portugal é mesmo o melhor exemplo do que foram os tempos loucos dos ralis dos ano 80 em que a inconsciência do público era coletiva. É verdade que, provavelmente, ninguém lhes dizia que ‘aquilo’ era muito perigoso, mas a verdade é que ‘aquilo’ fazia parte da festa e do espetáculo e ainda há muita gente que ainda fica hoje com pele de galinha quando recorda esses tempos em que esteve à beira da estrada em troços inúmeros troços perigosos de ralis, e está cá hoje para contar a história.
Do lado de lá estava uma Senhora chama Michele Mouton, que tal como os seus colegas pilotos, tinham que ‘fingir’ que ‘aquilo’ não eram pessoas, mas árvores, pois só assim poderia andar como andavam entre milhares de gente a ladear as estradas. É que não era assim, aqui e ali! Era quase em todo o lado!
Hoje em dia Michele Mouton é Delegada de Segurança da FIA, e nesse papel tem feito um trabalho incansável para garantir a segurança dos espectadores nos troços, pois ela melhor do que ninguém sabe o perigo que é…
“Passo por cada troço 30 minutos antes do primeiro carro de Rally1 com uma caravana de segurança, somos muitos carros a passar e verificamos se as pessoas estão no sítio certo. Depois, dou o ‘OK’ ao responsável pelo troço para que este se realize. Temos carros que andam muito depressa, por isso temos de garantir a segurança”, sintetizou.
E depois contou uma história…fazendo o contraponto:
“Querem saber o que se passa em Portugal? É uma grande diferença [entre a era do Grupo B e agora], porque há um troço do campeonato que eu fazia no meu tempo, Fafe, mas quando eu estava a aterrar no final do salto (ndr, Salto da Pedra Sentada), as pessoas estavam no meio da estrada e a fechar a estrada e esses espectadores abriam caminho para os carros. Saltavamos, e na aterragem, as pessoas desviavam-se. Era uma loucura. Mas nós estávamos habituados a conduzir com pessoas à volta, eram como barreiras ao longo da estrada, estavam por todo o lado.
“Hoje, quando chego a este salto no meu carro de segurança, as pessoas estão a 30 metros de distância de cada lado, mas eu ainda tenho esta imagem das pessoas no meio da estrada na minha cabeça.
Num troço de 11 km, há mais de 100.000 pessoas a ver. É uma loucura.”
É assim, o Rali de Portugal!











