A FIA e o Mundial de Ralis têm um compromisso face a um futuro mais sustentável e num seminário realizado esta semana em Munique ficou a saber-se um pouco mais do tema.
A Fédération Internationale de l’Automobile (FIA), órgão dirigente do desporto automóvel, e o Promotor do WRC, proprietário dos direitos comerciais do campeonato, revelaram novas informações sobre os automóveis híbridos de Rally1 da competição, combustível 100 por cento sustentável e medidas de segurança reforçadas que vão ser introduzidas em 2022.
O director de ralis da FIA, Yves Matton, o diretor técnico da FIA, Xavier Mestelan Pinon, o diretor administrativo do WRC, Jona Siebel, e os quadros superiores da Hyundai Motorsport, M-Sport Ford World Rally Team e Toyota Gazoo Racing participaram marcaram presença no evento realizado em torno do IAA Mobility Show na cidade alemã.
Outros oradores convidados incluíram o diretor de marketing da FIA, Alexandre Gueschir, assim como Martin Popilka, CEO da P1 Racing Fuels e Pierre-Olivier Calendini, Director do Centro de Pesquisa de Combustível da Aramco, que anunciou uma parceria de desenvolvimento para fornecer um combustível líquido sintético de baixo teor de carbono, para o WRC.
Gueschir delineou a responsabilidade da FIA em conduzir o desporto automóvel para um futuro com baixo teor de carbono e dessa forma reduzir o seu impacto ambiental e contribuir para um planeta mais verde.
No âmbito do seu movimento Purpose Driven, a FIA está a adoptar uma abordagem orientada para a inovação a fim de proporcionar um desporto motorizado mais sustentável. Um dos objetivos é atingir a neutralidade carbónica até 2030.
Siebel destacou o compromisso do Promotor do WRC em apoiar um futuro sustentável tanto no Mundial como no Europeu de Ralis, para o qual lhe foram recentemente concedidos os direitos comerciais.
Já com isto em mente, o WRC alterou os seus regulamentos técnicos para 2022.
A classe superior do Mundial de Ralis passa a ser os Rally1, para Construtores, cujas equipas terão carros com um ganho substancial na segurança das tripulações, bem como, em teria, mais igualdade entre os concorrentes, devido a uma nova abordagem de design.
Uma revolução ainda maior diz respeito ao sistema de transmissão, agora com tecnologia híbrida obrigatória para os Rally1. A unidade híbrida plug-in, incluindo todos os componentes e software necessários, será comum, com potencial para maior liberdade de desenvolvimento em 2024.
Nos primeiros carros híbridos do WRC, o motor elétrico funciona em conjunto com o motor a gasolina turboalimentado de 1,6 litros. Os carros de Rally1 terão até 100kW (134hp) de potência adicional disponível em certas situações.
O sistema também oferece a oportunidade de reduzir as emissões localmente através da condução puramente elétrica em troços de estrada em áreas residenciais.
O sistema híbrido único do Rally1 tem três modos principais: Modo Eléctrico Total no qual os carros terão toda a autonomia eléctrica, Modo Stage Start quando a potência total do sistema estiver disponível, e Modo Stage em que as equipas e os pilotos poderão criar até três ‘mapas’ personalizados para decidir como utilizar a potência híbrida.
A introdução do sistema híbrido foi fundamental para garantir que a Toyota, Hyundai e M-Sport Ford estejam totalmente empenhados no WRC de 2022 a 2024.
As três equipas já estão a testar os seus novos carros, que vão estrear em competição no Rallye Monte-Carlo, a ronda de abertura da temporada 2022, de 20 a 23 de Janeiro.
Outro marco é a introdução de combustível 100 por cento sustentável, uma estreia em qualquer Campeonato Mundial da FIA. Parte da estratégia da FIA, das corridas à estrada, é a implementação de fontes de energia sustentável nas suas disciplinas de desporto motorizado, de modo a reduzir as emissões de CO₂.
O combustível renovável da P1 Racing Fuels é uma mistura de componentes sintéticos e bio-derivados. Este combustível verde será obrigatório para todos os concorrentes de ‘primeira linha’ em eventos do WRC.
No seu desenvolvimento, a P1 Racing Fuels irá colaborar com os peritos globais em energia e química da Aramco, na formulação de biocombustíveis de geração avançada e combustíveis sintéticos sustentáveis derivados de CO2 capturados e hidrogénio com baixo teor de carbono.
Para Yves Matton: “O projeto híbrido Rally1 é um marco importante no desenvolvimento dos ralis e sublinha o compromisso da FIA com a sustentabilidade e o laboratório de tecnologia.
Os carros de Rally1 do próximo ano terão combustível ‘híbrido’ mais sustentável e ajudarão a tornar o Campeonato Mundial de Ralis mais relevante e mais atrativo do que nunca para os fabricantes de automóveis”.
Para Jona Siebel, responsável máximo da empresa promotora: “OS ralis são um dos ambientes mais duros que um carro baseado na produção pode experimentar.
O WRC é uma plataforma tremenda para desenvolver e validar tecnologia híbrida e combustível renovável para veículos produzidos em massa, em estradas reais e em todas as circunstâncias.
Deste modo, estamos a elevar a fasquia para desempenhar o nosso papel no desenvolvimento da mobilidade sustentável. Os utilizadores de automóveis de estrada em todo o mundo acabarão por beneficiar do que aprendermos, utilizando ambos nos troços dos ralis”.











