Arranca este fim de semana a 51ª edição do Mundial de Ralis, uma competição que completa hoje 50 anos, 19 de janeiro, o dia em que arrancou em 1973. Daí para cá, os ralis depressa ganharam um élan muito forte entre os adeptos do automobilismo, e aqueles tempos loucos que se passaram nas estradas, especialmente em ralis como o de Portugal, Itália ou Monte Carlo, em que a festa dos adeptos elevou a disciplina aos píncaros.
Os anos de ouro dos ralis foram claramente os anos 80, mas a modalidade criou uma ligação tão grande com os adeptos que a paixão dos ralis nunca esmoreceu, e estende-se até hoje.
Mas o futuro preocupa um pouco, pois os ralis estão a perder mais adeptos dos que conseguem ‘arregimentar’, e isso está a suceder porque quem tem o dever de promover a modalidade está a fazer um trabalho ‘curto’.
É óbvio que olhar para isto de uma perspetiva portuguesa, é enganadora, porque tomara que a comunidade dos ralis fosse tão forte na maioria dos países como é em Portugal.
Muita gente, que está a ler isto, aqui, é capaz de estranhar a prosa, porque visto da nossa perspetiva, parece que está tudo bem, há vários grupos nas redes sociais a falar de ralis em Portugal, com muitos milhares de ‘sócios’, todos os dias aí se se vê bem a paixão das pessoas, mas infelizmente para o WRC, Portugal, e mais alguns exemplos, são poucos para o que o WRC precisa.
Em termos gerais, pelo mundo, os mais jovens, os que precisam de ser seduzidos – porque os mais antigos, vão desaparecendo, tendo em conta a ordem natural das coisas – e hoje, têm ‘centenas’ de solicitações diferentes, e o seu interesse é muito mais difícil de suscitar.
Há exemplos de disciplinas que têm por trás uma máquina forte de Marketing e Comunicação, a trabalhar ativamente com a imprensa, e não à espera que as coisas aconteçam, mas os ralis, sendo uma disciplina que cria tantas emoções nas pessoas, estão a deixar-se ficar para trás a esse nível.
Sabemos o que escrevemos, porque lidamos todos os dias com essa realidade, temos casos de forte pressão por parte de quem trabalha noutras competições, e o WRC “pensa que é um caso isolado”, mas “não é o único a olhar o céu”, e com isso, arrisca-se a “ver os sonhos partirem”, sentados “à espera que algo aconteça”, portanto eu estou aqui a “despejar a minha raiva, e “Não Sou o Único”, mas a letra da música dos Resistência adequa-se bastante bem a este caso…
O Mundial de Endurance vai entrar numa nova era, provavelmente vai reunir muita atenção a novos adeptos, a F1 é o que se sabe, o Dakar, sendo uma vez por ano, é muito forte e há-de levar o novo Mundial de TT por arrasto, pelo menos ajudar um bocado, e o WRC precisa de mais. Muito positivo é, por exemplo a Sport TV neste Rali de Monte Carlo, transmitir os troços todos, mas lá está, em Portugal estamos bem, mas somos uma gota no oceano.
Ouvi, ao vivo, na gala WRC50, coisas positivas que estão para acontecer este ano, como a RallyTV, e estou muito curioso com o que vão fazer daquilo.
Eu sei que é muito mais caro transmitir ralis do que circuitos, e essa é logo uma diferença enormíssima de custos.
E tudo isto faz diferença, pois também tenho que dar um pouco a mão à palmatória a dizer que “deviam fazer isto”, “deviam fazer aquilo”, mas quem não faz, na maior parte das vezes, não é porque não sabe ou não quer, é porque não tem dinheiro para fazer melhor…
E esse é o grande problema do WRC atualmente: os custos sobrepõem-se ao retorno que dá a modalidade. E só há duas soluções, baixar os custos ou trabalhar para aumentar o retorno. A RallyTV parece ser um bom passo para aumentar o retorno mediático, mas se seguir o exemplo do que é hoje em dia o WRC All Live vai ser complicado, porque os custos de transmitir ralis são muito altos e para conseguirem pagá-lo ‘carregam’ no valor das subscrições e com isso entramos num ciclo vicioso: é carro, tem pouca adesão, há pouco retorno. Não há uma solução fácil, mas para bem dos ralis é preciso procurá-la. Vamos ver se os ralis festejam, pelo menos, mais cinco décadas…












