A Sports&You terminou o Rali de Monte Carlo no top 10 à geral, depois de Eric Camilli ter terminado no terceiro lugar do WRC2 com o Citroën C3 Rally2 da equipa portuguesa. A Citroën Racing convocou a Sports&You para gerir no terreno o projeto do piloto francês, e numa prova mítica, difícil como sempre, fez-se história, com um top 10 inédito na história dos ralis em Portugal.

A Peugeot Portugal foi 12ª classificada com Adruzilo Lopes em 1998, e Bruno Magalhães foi sétimo em 2010, mas a prova só contava para o IRC. Armindo Araújo foi 10º em 2012, mas como se sabe a equipa não era portuguesa. Rui Madeira foi terceiro em 1995 com a Ralliart alemã. Portugal nunca teve uma ligação muito grande ao Rali de Monte Carlo, mas agora escreveu-se uma página muito interessante, até porque este é um projeto para todo o ano, que pode ser ‘aumentado’ caso Eric Camilli consiga budget para fazer mais provas: “É um resultado ótimo para nós num rali muito difícil, muito específico em termos de organização e logística, mas creio que conseguimos um resultado bom” começou por nos dizer José Pedro Fontes, que naturalmente marcou presença em França: “É verdade que poderíamos ter lutado pelo segundo lugar, embora o primeiro fosse difícil. Estávamos a lutar com dois pilotos, o Mikkelsen e o Fourmaux, sendo que o Mikkelsen já tinha experiência com os pneus pois testou com a Pirelli e o Fourmaux deve ter sido o piloto que mais ralis fez na Europa em 2020. Perdemos um pouco no primeiro dia com falta de ritmo mas depois creio que mostramos um bom andamento, o que foi ótimo!

Diogo Trigueira e Francisco Gouveia
Historicamente é um feito, pois é inédito um construtor confiar numa equipa portuguesa para a representar no Mundial de Ralis, e creio que é algo que deve ser valorizado. É a continuação de um trabalho que temos vindo a fazer. Pela especificidade da prova, decidimos no ano passado ir ao Monte Carlo em parceria com a DG Sport, a quem agradeço a abertura que teve connosco e a boa relação que criamos.
Tivemos a humildade de tentar aprender com quem já tinha experiência no terreno e depois já estávamos mais bem preparados para este desafio, ir de forma autónoma. Tornou-se relativamente mais fácil fazer o planeamento, sabendo de antemão o que nos esperava, apesar de Monte Carlo ser sempre imprevisível. Foi o trabalho de um mês no planeamento logístico como a parte desportiva. Nós entramos verdadeiramente em ação há duas semanas, quando o camião saiu de Portugal, fizemos testes na zona, depois tivemos de nos preparar para um parque de assistência que é muito frio, e tivemos de criar as condições para estarmos lá aquele tempo todo.
As grandes dificuldades deste ano, além do frio, da intempérie e dos pneus, foram os horários. Estivemos vários dias a acordar sempre as três e meia da manhã, pois o carro saía às cinco, algo agravado com as restrições resultantes da pandemia.

Foi uma experiência muito boa, mas este rali exige vários anos de experiência, e se para o ano tivermos a sorte de regressar vamos saber ainda mais, e estar mais preparados. Mas no geral, estou muito satisfeito pois não tivemos um problema, não houve uma situação em que podemos dizer que a equipa falhou, e portanto estou muito orgulhoso pelo trabalho de todos”, explicou José Pedro Fontes.
Numa prova destas, e com uma equipa nada habituada às condições com que se trabalha em Gap, é interessante perceber o que é diferente face ao que estão habituados: “As maiores dificuldades que encontramos são as alterações que são necessárias fazer no setup do carro. São de tal forma significativas para além de decididas em cima da hora.
Num rali normal, fazemos a revisão do carro de acordo com o feedback do piloto. Em Monte Carlo há situações em que temos tudo planeado, mas de um momento para o outro, temos de mudar suspensões, diferencial, etc.
No fundo, mudar tudo, porque o batedor acabou de passar informações às quais temos de reagir. Ou seja temos de fazer o trabalho normal de uma assistência, mais estas mudanças todas de acordo com a informação que recebemos. É uma situação desafiante para as equipas técnicas e é este desafios que as equipas competitivas gostam. Apesar da minha intervenção ser mínima, assim que o rali começa, a não ser decisões mais difíceis, reconheço que senti algum stress com decisões tomadas em cima da hora, e mudanças radicais face ao que se tinha planeado.
Creio que o Éric (Camilli) ficou muito satisfeito e no debrifing ele disse que tinha estado tudo ‘top’ e há é a vontade de fazer mais ralis.
Creio que o Éric poderá fazer mais coisas connosco porque temos uma boa relação ele gosta muito de estar na equipa.
No ano passado falámos que era bom sermos nós a fazer o rali e comecei a trabalhar nesse sentido e a Citroen Racing achou que era a altura de nos dar a responsabilidade de um programa com um piloto, sendo que o Eric e o Otsberg são as referências da família Citroën.
É o reconhecimento do nosso esforço ao longo destes últimos anos”, disse José Pedro Fontes que para já tem previstos três ralis, para lá do Monte Carlo, Portugal e Catalunha.

‘Race For Good’ promoveu a Ace Africa
André Villas-Boas, treinador do Olympique de Marseille fez uma parceria com Eric Camilli e a Sports&You com o objetivo de aumentar a consciencialização a favor de causas humanitárias. Com o apoio da Citroën Racing, a equipa ‘Race For Good’ promoveu a Ace Africa, uma ONG, que fornece ajuda diária a milhares de pessoas em África.













