Rali da Argentina 1984: A primeira vez que um piloto ganhou três provas seguidas no WRC

Por a 14 Novembro 2024 16:54

Stig Blomqvist fez história ao tornar-se o primeiro piloto a vencer três provas consecutivas no Mundial de Ralis. O seu lendário Audi Quattro de chassis longo conquistou na Argentina a 21ª vitória do modelo e nessa altura igualou o recorde do Ford Escort como carro de ralis mais vitorioso até então.

Apesar da competição escassa, a prova viu Jorge Recalde aproveitar bem a sua pilotagem com o Audi de fábrica, tornando-se o primeiro sul-americano a liderar um rali mundial.

Embora a mudança do percurso para Córdoba tenha deixado os impressionantes Andes de fora, trouxe ao evento uma nova popularidade e uma organização impecável, enquanto os troços de alta velocidade deram lugar a um percurso mais técnico na edição de 1984.

Stig Blomqvist retribuiu a confiança da Audi nele com a sua terceira vitória consecutiva e liderou um domínio de um dois três Audi (Stig Blomqvist, Hannu Mikkola e Jorge Recalde) na única ronda sul-americana da série. Apoiado por um ‘amigalhaço’ Hannu Mikkola, que teve de renunciar às suas hipóteses de vencer o British Open de Ralis simplesmente para correr como número dois de Blomqvist neste evento, o sueco levou para casa o máximo de pontos tanto para si como para a Audi.

A Lancia não participou neste rali…

A prova foi transferida para Córdoba, centro da indústria automóvel argentina e centro do rali, longe das espetaculares montanhas de Tucuman e das estradas solitárias de Bariloche, mas num território de organização muito mais fácil e na terra dos verdadeiros entusiastas dos ralis, algo que também se refletia no grande número de carros não homologados que foram autorizados a competir.

A Audi, consciente de que a única justificação para a sua presença era a conquista de pontos, manteve os seus pilotos sob a mais estrita rédea. Contra a Audi estavam duas equipas locais, a Renault e a Peugeot. A primeira (para a qual Recalde conduzia habitualmente) utilizava modelos 18GTX e tinha prometido ao seu campeão um 5 Turbo para esta prova, mas a ajuda prevista de França foi cancelada por falta de assistência. Assim, o piloto de Mina Clavero teve a oportunidade de conduzir algo ainda mais emocionante! Um Audi quattro!

A Peugeot tinha uma versão mais recente do 504, chamada, a única outra inscrição importante veio do Quénia, com a lwase, que adquiriu um Ascona 400 ex-fábrica e o apoio da Marlboro.

Do Uruguai veio a popular equipa de Ford Escort RS2000, mas o restante interesse local centrou-se num quarto Audi Quattro, para di Palma, que até aí tinha corrido de Volkswagen para a fábrica local.

Como cortesia para os ‘donos de casa’, Recalde foi “autorizado” a ganhar a primeira especial, sem que isso fosse carta branca para o resto da prova. Para facilitar a vida ao seu colega, Blomqvist fez as notas que o copiloto de Mikkola, Hertz, copiou e traduziu para seu próprio uso.

Depressa os Audi perderam um carro, com di Palma encalhado na berma da estrada a caminho de Buenos Aires para a primeira etapa, mas obviamente dominou o evento.

Em todos os troços do rali, os três primeiros lugares foram conquistados, exceto uma vez, quando Soto bateu Mikkola. Para lá disso, foi uma carnificina de abandonos, os dois Escort uruguaios e um dos Renault de fábrica, atrás dos líderes os únicos não-Renault eram os dois Peugeot oficiais, os catorze primeiros carros do grupo A eram Renault.

Até final, Recalde teve problemas quando a injeção falhou numa assistência, no dia seguinte Blomqvist teve o seu furo, o mais grave que sucedeu aos Audi de fábrica durante todo o evento!

Mas Mikkola teve de abrandar para permitir que Blomqvist recuperasse a liderança que o finlandês tinha adquirido por engano. O quarto classificado estava a mais de uma hora de distância, a liderar o grupo A.

Os Audi reservaram o pódio, mas Chiavarolle teve um desastre com o seu Renault que ficou preso na última etapa. Iwase ficou em quinto lugar.

Córdoba tinha sido um grande sucesso em todos os aspetos, exceto na emoção do evento, e o rali da Argentina ficou por ali por muitos e bons anos, mais precisamente na Villa Carlos Paz, uma cidade turística perto de Córdoba.

Classificação:

Pos. Piloto Carro Grupo Tempo/dif

1  Blomqvist, Stig  Audi quattro A2   B     10h 33m 38s 

2  Mikkola, Hannu  Audi quattro A2   B     +3m 16s 

3  Recalde, Jorge  Audi quattro A2   B     +5m 10s 

4  Stillo, Mario  Renault 12   A     +1h 38m 42s 

5  Iwase, Yasuhiro  Opel Ascona 400   B     +1h 44m 46s 

6  Torras, Miguel  Renault 12   A     +1h 47m 19s 

7  Bassi, Carlos  Peugeot 504   B     +2h 22m 45s 

8  Hernandez, Hugo  Peugeot 504   B     +2h 35m 34s 

9  Perez, Monnenmacher  Peugeot 504   B     +3h 04m 18s 

10  d’Agostini, Walter  Renault 12   A     +3h 17m 41s 

Martin Holmes, In Memoriam

FOTO Martin Holmes Rallying

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