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Morreu Paddy Hopkirk | AutoSport
 

Morreu Paddy Hopkirk


Patrick Barron ‘Paddy’ Hopkirk, nascido a 14 de Abril de 1933, morreu ontem, 21 de julho de 2022, aos 89 anos. Antigo piloto de ralis da Irlanda do Norte. Começou nos ralis em 1955, foi terceiro lugar no Rali Monte Carlo de 1962, num Rapier Sunbeam e ao lado de Henry Liddon venceu o Rali Monte Carlo de 1964 num Mini Cooper S.


Em 1968, segunda edição do Rallye Internacional TAP, juntamente com António Peixinho e Victor Colaço Marques, correram na prova portuguesa com um carro idêntico: o mítico Mini.
Em 2018, convidámo-los a recuar 50 anos e a recordar a participação no exigente, desgastante e interminável TAP de 68.
Paddy Hopkirk, cedo percebeu que os estudos não lhe traziam tanto entusiasmo quanto os motores e, mal teve oportunidade, fez das motos a sua primeira paixão, desafiando o perigo nas ruas da sua Belfast natal.
Passou para as quatro rodas quando arranjou o primeiro emprego num revendedor da Volkswagen em Dublin e comprou um “Beetle” em segunda mão.
A participação em ralis não se fez esperar, iniciando uma carreira que atingiu dimensão mundial com a vitória no Rallye Monte Carlo de 1964, ao volante de um Mini. “É bom ser o número um não é?” Assim começava o telegrama enviado pelos Beatles, assinado por Ringo Star a Paddy Hopkirk no rescaldo do triunfo na prova monegasca, catapultando a fama do pequeno carro britânico e do respetivo piloto. Seria já neste século condecorado com o título de Membro do Império Britânico, tornando-se depois presidente do British Racing Drivers’ Club.
Em Portugal, estrear-se-ia na competição no TAP de 68 e ainda hoje há quem recorde a forma espetacular como o seu Cooper S curvava nos anéis de velocidade de Alvalade ou do Lima. Contudo, a sua ligação ao nosso país é mais antiga, remontando aos tempos em que percorria as estradas da Europa na sua moto com sidecar…
“Visitei Portugal, pela primeira vez em 1950. Tinha então 17 anos e era estudante em Belfast. Nesse ano, decidi pegar na minha Triumph 650 Twin e passei o verão a percorrer a Europa.
De Madrid, segui para o norte de Portugal e daí para Lisboa, percorrendo toda a costa portuguesa. Desde logo, fiquei a gostar do país, voltando em 1967 para passar a lua-de-mel em Armação de Pêra.
Um ano depois, lá estava eu, à partida para do Rallye TAP. A British Leyland tinha então uma forte presença em Portugal e o importador J.J. Gonçalves, com gente muito simpática, incentivou a nossa participação, já que seria uma ótima operação para publicitar a marca, dando-nos todo o apoio necessário.
Ao meu lado, a navegar ia o Tony Nash, um bom amigo, com quem havia feito o Rally Londres-Sidney.
O TAP tinha percursos de concentração semelhantes aos do Monte Carlo e nós escolhemos Lisboa como local de partida, seguindo depois para Madrid, onde se disputou a primeira prova de classificação no circuito de Jarama. Lembro-me que foi um rali muito duro e difícil, a fazer lembrar os ralis britânicos, disputado maioritariamente nos trilhos das florestais.
Os troços de Sintra eram fantásticos, com estradas muito sinuosas a subir e a descer as serras, mas o Norte era um do verdadeiro tesouro escondido e os troços de terra assemelhavam-se aos do Rally RAC. O Porto era então uma cidade habitada por uma grande quantidade de famílias inglesas ligadas ao negócio do Vinho do Porto, gente com dinheiro e bons carros e, por isso, quando lá cheguei, fiquei incrédulo com a quantidade de Lamborghini a circular nas ruas.
Durante o rali, tivemos uma luta acesa com o Tony Fall, que conduzia um Lancia Fulvia e acabámos por ficar em segundo depois de perder algum tempo numa passagem de nível. O Mini era muito competitivo nas estradas de Sintra mas, nas florestais, tinha um problema que o limitava: as rodas eram mais pequenas que as dos Ford e as dos Lancia e isso refletia-se numa menor aderência, o que era uma enorme desvantagem, para não falar na diferença de potência.
Os anos passaram e já não me lembro de muitos detalhes da prova mas há um que ainda hoje guardo na memória: o entusiasmo dos espectadores. As pessoas não se contentavam em ver, tinham que tocar nos carros! Houve até um episódio curioso, não estou certo se terá acontecido nesse TAP ou dois anos depois, durante a passagem do Rally Londres-México por Portugal: quando um dos Ford chega a uma assistência e os mecânicos se aproximam, veem que o carro levava o dedo de um espectador preso no manípulo da porta! Enfim, recordações de um país que sempre me tocou no coração…”
Descanse em Paz, Paddy…
Entrevista feita por Nuno Branco

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