Kalle Rovanperä teve como despedida (pelo menos, até ver) do seu percurso a tempo inteiro no Mundial de Ralis, as classificativas inéditas da Arábia Saudita, num fim de semana vivido entre a exigência extrema das especiais e a emoção de uma despedida partilhada com a equipa Toyota Gazoo Racing e o navegador Jonne Halttunen.
Para Rovanperä e restantes pilotos, um cenário totalmente novo, com pisos de areia, zonas rochosas e especiais de muito baixo nível de aderência. Apesar de insistir que, até à Power Stage, tudo seria tratado “como um rali normal”, o ambiente de despedida foi ganhando peso ao longo da semana. A Toyota Gazoo Racing preparou um tejadilho especial para o GR Yaris com os nomes de todos os membros da equipa, numa espécie de “assinatura coletiva” para a última prova com a dupla Kalle–Jonne, e uma decoração alusiva à “last dance”, com referências à família e aos fãs que acompanharam o percurso do campeão.
Colegas de equipa e adversários deixaram mensagens em vídeo, sublinhando a velocidade e maturidade de Rovanperä desde a estreia em 2020, a facilidade com que se adaptou ao WRC e o impacto que teve no seio da Toyota. Vários destacaram o ambiente descontraído criado com Halttunen e a importância da dupla para a dinâmica interna da formação japonesa, desejando‑lhe sucesso na nova fase ligada aos monolugares e à “fórmula” que o finlandês agora persegue.
No final do rali, já depois da última especial de sempre com um Rally1 da Toyota, Rovanperä descreveu o momento como o fecho de “um capítulo grande” da sua vida, lembrando que praticamente tudo o que fizera até ali tinha sido rali. Admitiu que vai sentir falta da condução, da convivência no seio da equipa e da adrenalina das especiais, mas afirmou orgulhar‑se do percurso e da decisão de rumar a uma nova etapa no automobilismo.
O campeão finlandês reconheceu que “os próximos dois anos” serão provavelmente os mais difíceis da sua carreira, pela necessidade de se adaptar a um contexto completamente novo, mas mostrou‑se entusiasmado com o desafio de provar “o que os pilotos de ralis podem fazer” em fórmulas. Garantiu ainda que o rali continuará a ser “o primeiro amor” no desporto motorizado e deixou em aberto um eventual regresso, pedindo aos adeptos que continuem a segui‑lo nesta transição para os circuitos.











