Grande susto apanhou a Hyundai no final do Rali da Sardenha. Enquanto boa parte da equipa foi a banhos nas águas cálidas da ilha, Michel Nandan, Chefe da Equipa e Alain Penasse, Team Manager, tiveram que prestar declarações perante os Comissários Desportivos relativamente a uma infração aos regulamentos do carro de Thierry Neuville. E tiveram sorte, porque se o CCD tivesse feito jurisprudência, Neuville não teria ganho. Lembram-se do Rali de Portugal de 2007?
As janelas traseiras do carro do belga, e dos outros todos, claro, mas o que estava a ser verificado era o do vencedor, não estavam conformes com a ficha de homologação, e Nandan teve muito que explicar. O francês admitiu que houve um erro no processo de homologação, ao que parece o carro é homologado não como versão final mas como um protótipo e há ali ligeiras diferenças de gramas na forma como as coisas foram colocadas e por isso a Hyundai foi multada em 50.000 euros. As poucas gramas não fazem qualquer diferença competitiva, foi bom que a vitória de Neuville não tenha sofrido ‘contratempos’, porque ninguém ia perceber como 17 gramas no vidro esquerdo e 19 no direito iam mudar alguma coisa, mas recordam-se do que sucedeu com a Ford no Rali de Portugal de 2007? Nós recordamos… veja o texto a seguir publicado no AutoSport de 10 de abril de 2007:
“A PENALIZAÇÃO de cinco minutos atribuída a Marcus Gronholm, Mikko Hirvonen, Jari-Matti Latvala, Henning Solberg, Matthew Wilson e Gareth Machale no final do Vodafone Rali de Portugal, por decisão do Colégio de Comissários Desportivos, foi outros dos pontos quentes da prova portuguesa. Recorde-se que no final do rali, o espectro da desclassificação pairou sobre os seis pilotos que conduziam os Ford Focus WRC, mas o CCD acabou por somar ao tempo final de cada um dos pilotos cinco minutos de penalização, em virtude de irregularidades técnicas encontradas nos vidros laterais (esquerdo e direito) de policarbonato dos Focus preparados pela M-Sport, que não tinham os 3,5 mm de espessura regulamentares, mas apenas 3 mm, o que, em termos práticos, significava que pesavam menos 10 gramas. Para além disso, com uma espessura inferior, tecnicamente, é possível que os vidros possam abrir uma pequena frincha e com isso ajudar no arrefecimento de alguns componentes. Mas, a verdade, é que não foi o peso, nem esta vantagem técnica que levou o CCD a tomar posição baseada nos relatórios dos comissários técnicos, mas antes o facto das equipas entretanto sancionados, «não terem cumprido o regulamento». Para a equipa Ford, que prometeu já abrir um inquérito interno ao caso, nomeadamente, ao nível do construtor e fornecedor das janelas do Focus, «ficamos muito desapontados por percebermos que cometemos um erro», adiantou Malcolm Wilson, o director da M-Sport que preferiu guardar outros comentários para quando tiverem sido finalmente apuradas as responsabilidades do erro.










