A “colheita” de 1979 do Rali de Portugal foi considerada relativamente pobre no que concerne à presença de equipas oficiais. No entanto, foi nesse ano que, pé-ante-pé, a Audi Motorsport começou a dar os primeiros passos na modalidade do desporto automóvel que anos mais tarde acabaria por revolucionar. Para estreia, as 6ª e 7ª posições dos dois Audis 80 na chegada ao Estoril, só podiam ser considerados resultados meritórios. Harald Demuth, o melhor representante da Audi, recorda com orgulho esse feito – “foi a primeira vez que a Audi marcou pontos no Campeonato Mundial”. Dessa participação no Rali de Portugal, Demuth, que apenas estava habituado às provas do Campeonato Alemão, recorda “percursos de ligação em estradas muito más, espectadores loucos nas especiais de Sintra e o nevoeiro de Arganil”. Sem se deter, parece reviver mentalmente a passagem por esta zona mítica – “Foi provavelmente a classificativa mais exigente que fiz na minha vida. Tenho a impressão que raramente passámos da 2ª velocidade. Quando me disseram o tempo que tínhamos realizado e o comparei com o dos outros pilotos, nem estava a acreditar, era bastante razoável face ás condições encontradas.”












A imagem que ilustra o cabeçalho deste artigo – e que foi retirada do vídeo anexo, daí a sua fraca qualidade – refere-se ao troço de Montejunto onde os dois Audi 80 Quattro furaram ambos o pneu esquerdo do mesmo eixo. Nesta imagem pode ver-se o momento em que Harald Demuth é ultrapassado por Carlos Peres, devido à dificuldade em conseguir controlar o carro naquelas condições (com o pneu furado).
Foi um rali de fraca ‘colheita’, e, acima de tudo, depois da espectacular prova de 1978, soube, efectivamente, a pouco.
No entanto, foi o rali de Portugal que teve mais tempo gasto em Provas Especiais de Classificação com o vencedor – Hannu Mikolla – a necessitar de 9h 13m 52s para levar de vencida os 737,5 km de troços cronometrados. Nunca antes, nem depois, os concorrentes precisaram de ter o capacete na cabeça durante tanto tempo.