CRÓNICA: Penalizar em tempo ou dinheiro no WRC?

Por a 14 Outubro 2020 10:39

Já se percebeu há algum tempo que o ambiente no WRC é bem diferente do que já se viu, e não é preciso recuar muito para testemunhar o bom clima que se vivia entre as equipas. É verdade que nos últimos tempos são demais os casos, e estas recentes declarações de Sébastien Ogier, levantando a ‘lebre’ do facto do Team manager da Hyundai, Alain Penasse, pertencer também à Comissão Organizadora do Rali de Ypres, são um bom exemplo. Não é desse tema que queremos aqui e agora falar, mas sim doutro, que em nada ajuda à atmosfera que se vive.
Sabemos que a política a este nível, entre as marcas e a FIA é sempre um tema sensível, e não temos dúvida nenhuma, apesar de não sabermos casos concretos, tal como sucede na Fórmula 1, cada equipa/construtor, puxa a brasa à sua sardinha, e coloca normalmente os seus interesses acima que que podemos chamar o “bem geral”. Esta indefinição das regras de 2022, que tem como ‘desculpa’ (e uma boa desculpa) a pandemia, mostra claras divergências, pois se tudo apontasse para a mesma direção já se saberia exatamente o que vai acontecer.
A questão que nos traz aqui é simples, e tratam-se apenas de factos:
A Hyundai foi multada devido ao facto do ‘subframe’ traseiro do carro de Dani Sordo, uma peça do chassis, estava abaixo do peso mínimo homologado: “não cumpre com o peso mínimo indicado no formulário de homologação (9323g, com uma tolerância de +5%/-2%, sendo o peso mínimo de 9136,5g). O peso da peça foi de 9112g.” Esta diferença representava uma violação do Artigo 10.3.3 do Código Desportivo Internacional da FIA. Na sequência desta infração e depois de ouvidos os homens da Hyundai MotorSport, foi imposta uma multa de 30.000 euros à equipa. No entanto, 20.000 euros desta multa serão suspensos, pelo que a equipa não pode cometer erro semelhante nos próximos doze meses. Scometer um erro semelhante, paga mais 20.000€.
É lógico que se trata dum erro, Andrea Adamo explicou que se tratou de um erro de controlo de qualidade e ninguém imagina que essa diferença de peso se notasse no cronómetro. Não é isso que está em causa.
Contudo, deixo aqui várias perguntas: Porquê no Rali de Portugal de 2007, todos os Ford foram penalizados em 5 minutos devido à espessura do vidro traseiro dos Focus WRC? Pesavam menos 10 gramas! Há alguns anos, a Citroën foi desclassificada no Rali da Austrália por não ter o número de série escrito numa peça. Também a Citroën, foi desclassificada no Rali de Portugal de 2012 por ter um número diferente na referência duma embraiagem. Mais recentemente, Kalle Rovanpera foi penalizado em um minuto, no Rally da Estónia, porque o navegador tirou o ‘blanking’ dentro de um controlo horário.
Percebemos que o erro do que foi detetado no carro de Dani Sordo, não influi a performance, mas se as prevaricações são quase sempre penalizadas em tempo, porquê agora o foram em dinheiro? Será que a FIA sabe que as marcas estão a fazer um esforço enorme neste tempo de pandemia, e neste contexto está a permitir-se ser mais condescendente?

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