Não é novidade para ninguém que Sébastien Ogier anda incomodado com a questão da ordem de partida, o piloto não o esconde, mas se o ano passado esse facto lhe permitiu vencer oito vezes em treze provas, seis delas em ralis de terra, em que abrir a estrada é mau, este ano as coisas estão muito diferentes. Desde o Rali da Suécia que o piloto francês não vence uma prova do WRC, foi duas vezes segundo (México e Argentina), duas vezes terceiro (Portugal e Itália), sexto na Polónia e ainda deve fazer pior na Finlândia depois dos 16 minutos que perdeu com uma azarada saída de estrada.
Nunca o piloto francês esteve tanto tempo para voltar a vencer e sendo verdade que os seus adversários estão esta temporada melhor preparados para lhe dar luta, o Hyundai é um bom carro, a equipa de Alzenau tem bons pilotos e já dois deles o bateram, Hayden Paddon e Thierry Neuville. A Citroën faz um rali de vez em quando, e nas provas de terra, como se viu em Portugal, tem uma boa vantagem de rodarem tão atrás na estrada. E quando se tem um bom carro e um bom piloto como Kris Meeke, estão reunidas as condições para as vitórias. Aconteceu em Portugal, provavelmente também irá acontecer na Finlândia. E depois, na sua própria equipa também já e provou que tanto Jari-Matti Latvala quanto Andreas Mikelsen lhe podem dar grande luta e mesmo batê-lo.
Mas poderá haver algo mais. Em conversa com uma pessoa muito envolvida no WRC, que sabe o que se vive na cabeça dos pilotos porque sempre lidou e lida com eles, este dizia-me que Sébastien Ogier está a acusar uma pressão que nunca teve, e até mesmo a maternidade da esposa, Andrea Kaiser poderá ter retirado algum foco do francês, enervando-o (algo absolutamente natural). Quando o bebé estava para nascer houve mesmo a possibilidade de Ogier abandonar a prova do WRC que estava a realizar, em Itália, para estar perto da esposa. O bebé nasceu pouco depois, mas tudo isto pode ter dado a volta à cabeça de Ogier. Pode haver muitas explicações, mas ‘este’ não é o mesmo Ogier de sempre.
Recentemente, viu-se na imprensa um ‘recado’ de Jost Capito, dizendo que Ogier pode sair do WRC se a ordem de partida não for alterada, ou pior, piorada segundo os seus interesses. Não acredito que Ogier o faça, mas com a cabeça como anda, já não digo nada. O que vale é que agora estão previstas no calendário quatro provas de asfalto seguidas, e aí, meus Senhores, até de marcha atrás o francês ganha os ralis (em condições normais, claro, pois podem acontecer milhões de coisas no WRC). Sébastien Ogier é e continuará a ser o melhor piloto do Mundo, mas é um facto que desde que a VW entrou no WRC, Ogier só esteve, no máximo duas provas seguidas sem vencer. Neste momento (porque não vai vencer na Finlândia), a conta vai aumentar para seis. A única vez que Sébastien Loeb esteve seis provas seguidas sem vencer uma prova do WRC foi em 2003, o seu primeiro ano a ‘sério’ no WRC, com Colin McRae e Carlos Sainz na mesma equipa.








