Morreu o nosso amigo Martin Holmes. É um momento muito triste para o AutoSport, que tem o prazer de poder contar com a sua colaboração há mais de 40 anos, mas é essencialmente uma enorme perda para os ralis. São incontáveis os textos que temos publicados no AutoSport assinados por Martin Holmes. 520 ralis do WRC, imagine-se. E os 80 a que faltou, só sucederam porque a saúde não o ajudou nessas alturas. Vivia e respirava ralis, duvido que exista alguém com uma paixão maior. Mas viveu uma vida invejável. Quem de nós não gostaria de ter no currículo 100 ralis do WRC. Imagine-se 520. Ouvi da sua boca muitas histórias, algumas delas espalhadas pelas páginas do nosso jornal ao longo do tempo. Tenho a certeza, Martin, que o teu nome fica para sempre ligado à história dos ralis.
A forma como o conheci, mostra bem quem era Martin Holmes. Rali de Portugal 1998, sala de imprensa em Santa Maria da Feira. Eu andava há alguns anos a fazer mapas dos acessos dos ralis em Portugal, pois ia a quase todas as provas com um grupo de amigos, e claro, também ao Rali de Portugal. Nesse ano, desenhei com grande pormenor os acessos do rali, e vendi o trabalho ao AutoSport, que o publicou (só fui para o AutoSport em 2001). Martin Holmes adorava mapas, e uma das coisas que não prescindia, era reconhecer acessos e troços antes do Rali de Portugal.
Só que na altura os mapas eram maus, e ele perdia muito tempo nesse trabalho. Quando viu aqueles mapas, quis-me conhecer. Foi o Zé Ribeiro que me apresentou o Martin Holmes em plena sala de imprensa, não saí de lá sem lhe prometer que lhe ia mandar tudo o que tinha. O que fiz.
Um ano depois, novamente no Rali de Portugal, contou-me que a sua mulher Sally tinha ficado muito contente com ele quando lhe disse que iam passar férias uns dias em Portugal. Só que depois não gostou muito quando percebeu que andou a passear pelos mais escondidos acessos das Serras de Portugal, Açor, Lousã, Cabreira, Arga, etc. O riso malandreco dizia tudo. Nada melhor que juntar todas as paixões ao mesmo tempo nas férias. A Sally, ralis e mapas. E ainda poupou trabalho para esse Rali de Portugal. Vou ter saudades de ouvir as suas histórias. Até sempre, Martin.












