Caiu o pano sobre a 50ª Edição do Rali de Portugal, num evento que terminou com um vencedor surpresa, numa prova com muitos motivos de interesse e ‘casos’ que geraram muita discussão.
Indo pela ordem cronológica dos factos, em primeiro lugar, a ordem de partida. Sébastien Ogier queixa-se dessa situação, em que o líder do campeonato abre a estrada nos dois primeiros dias de prova. Depois do México e Argentina, voltou a ser impossível vencer em Portugal, o que aconteceu pela primeira vez desde que a VW veio para o WRC no início de 2013. Há aqui questões que se devem analisar. Em primeiro lugar, só não venceu na Argentina, porque Hayden Paddon foi mais forte, pois o francês chegou ao último troço apenas 2.6s atrás. Perdeu por 14.3s o rali.
Sendo verdade que nos ralis de terra secos é desvantajoso para quem abre a estrada, mas bastava que o Rali de Portugal se tivesse realizado uma semana antes, em que choveu torrencialmente, para que Ogier tivesse tido uma vantagem avassaladora pelo facto de ser o primeiro na estrada.
Para além disso o líder do campeonato ou campeão em título têm ainda outras vantagens. No Monte Carlo, é de longe vantajoso partir à frente, como confessa o próprio Ogier. Nos ralis de asfalto só na Catalunha não faz muita diferença porque na maioria dos sítios não é possível cortar bermas e or isso sujar a estrada para os carros a seguir.
Mas são cinco os ralis de asfalto do WRC e aí o líder do campeonato (seja ele qual for, normalmente é o Ogier) nunca se queixa. Depois há ainda o Rali da Grã-Bretanha, quase sempre com lama, onde partir à frente também é vantajoso. É verdade que partir à frente é mau em sete provas do WRC, mas só se não chover. E se chover em todas? Ou em algumas? Alguém pode controlar isso? Ogier fala em partir com desvantagem. OK. E não é partir com vantagem correr contra equipas com metade do orçamento? O que gasta a M-Sport face à VW… E o orçamento da Hyundai também está longe do da VW. Nunca há sempre justiça para todos…
O público português
Fantástico! Mais uma vez, não houve problemas com o público, está cada vez mais enraizado entre os espectadores portugueses ver ralis em segurança, o trabalho do ACP na escolha de boas ZE ajuda, embora neste aspeto talvez tenham se ter feitos alguns ajustes. E reforçamos o talvez, pois não sabemos onde é que existem falhas, se do lado do ACP se de algum público.
Atentem neste e-mail que recebemos no AutoSport:
“Não devem cortar as estradas principais de acesso ao troços, pois ficamos completamente perdidos, o que nos obriga a ir à procura de percursos alternativos. Ora, como não temos experiência de condução, nem informação para circular nesse tipo de percursos, passamos por situações muito difíceis. Quando, finalmente, conseguimos alternativas para chegar às zonas espetáculo, deparamo-nos com o corte de acesso a essas mesmas zonas por parte das autoridades, obrigando-nos a fazer o resto do percurso a pé.”
Há aqui várias hipóteses, mas será que a informação que o ACP poderia ser melhor ou simplesmente são as pessoas que não se informam devidamente? É um assunto para rever…
De resto, os espectadores portugueses são dos melhores do mundo, pois para além do povo ser acolhedor, gostar de ajudar e perceber de ralis, nesta altura imagine-se quão contente está Malcolm Wilson, com o facto dos espectadores terem salvo dois Ford Fiesta WRC, o de Ott Tanak e de Henning Solberg.
Porto Street Stage
“Foi bom poder mostrar os ralis a mais pessoas”, disse Sébastien Ogier, e disse quase tudo, porque depois de ver o WRC no coração de uma grande cidade, e ter cerca de 70.000 pessoas a ver é uma ótima promoção para a modalidade, mesmo que o troço seja inútil desportivamente. Houve um enorme esforço das partes envolvidas, a CMP e o ACP, para levarem a cabo a Porto Street Stage, mas valeu a pena, pois há-de haver muita gente que ficou curiosa com o WRC e se calhar foi ver o rali à estrada.
Kris Meeke e a Citroën
Na imprensa internacional li um artigo em que alguém da VW disse que a Citroën estar ausente do WRC este ano, e vir fazer uma prova e ganhar, desvalorizava o WRC. Em primeiro lugar esta é uma situação pontual, pois como se sabe a marca francesa está a fazer um ano de transição para regressar em pleno no próximo ano. Kris Meeke teve a vantagem da posição na estrada, é verdade, mas, mais uma vez: se o rali tivesse sido uma semana antes e Ogier ganhasse a prova com enorme vantagem devido à posição na estrada isso não desvalorizava ainda mais? O que não desvaloriza certamente o WRC é o facto de em cinco provas ter havido quatro vencedores distintos!










