Arvid Lindblad é o único estreante desta temporada de 2026 e tem aproveitado a oportunidade dada pela Racing Bulls para deixar uma marca que lhe poderá abrir portas para outros voos no futuro. Ainda é cedo para falar em mudanças de equipa, e o britânico está na estrutura certa, no momento certo, para se ambientar e crescer. Ainda assim, os primeiros sinais são francamente animadores.
A subida de Lindblad até à Fórmula 1 foi relativamente rápida: das primeiras corridas em monolugares, em 2022, aos primeiros pontos na F1, bastaram quatro anos. Pelo meio, conquistou um triunfo em Macau e o título da Formula Regional Oceania Championship, que lhe valeu o passaporte direto para a F2, onde foi sexto na sua temporada de estreia. Fez o suficiente para convencer a estrutura da Red Bull a apostar nele imediatamente para o lugar que ficaria vago com a promoção de Isack Hadjar à Red Bull, em detrimento de Yuki Tsunoda, que teve de se contentar com o papel de piloto de reserva.
Lindblad começou o ano nos pontos, com o oitavo lugar no GP da Austrália. Desde então, tem revelado um andamento muito positivo e uma regularidade que merece ser enaltecida. Em comparação direta com o seu colega de equipa, Liam Lawson — deixando Tsunoda de lado, uma vez que as suas aparições foram pontuais e decorreram sem a preparação necessária, após a lesão de Hadjar no arranque da segunda metade da temporada —, o equilíbrio tem sido a nota dominante.
Lawson soma dez corridas nos pontos, contra nove de Lindblad. O britânico conta com dez presenças na Q3, sete delas consecutivas, enquanto Lawson tem sete passagens pela última fase da qualificação, duas das quais ao volante da Red Bull, numa máquina teoricamente mais competitiva. Das 13 corridas que iniciou, Lindblad terminou todas; apenas no Canadá, um problema de embraiagem o impediu de alinhar à partida. Lawson regista um abandono, devido a um problema de caixa de velocidades, em Miami.
As prestações de Lindblad têm sido impressionantes, mas o GP de Espanha foi, provavelmente, o seu maior desafio. O erro no TL2, que o levou a embater nas proteções, foi o primeiro tropeção verdadeiramente sério de uma temporada sem grandes despesas para a equipa. O regresso à pista no TL3 foi feito com as devidas cautelas, mas Lindblad recuperou confiança suficiente para chegar à Q3 pela sétima vez consecutiva. Na corrida, terminou em nono lugar: a décima presença nos pontos do estreante.
A Red Bull tem agora um lote sólido de quatro pilotos em forma. Max Verstappen é um dos melhores — se não o melhor — da atualidade. Isack Hadjar está a realizar uma época positiva na Red Bull e vinha de uma série de sete corridas consecutivas no top 6, incluindo o polémico pódio no Mónaco. Liam Lawson já conta com quatro anos de F1 e 49 Grandes Prémios, começando a demonstrar que a experiência acumulada o favorece; a sua segunda passagem pela Red Bull tem evidenciado isso mesmo.
Lindblad poderia ser encarado como o elo mais fraco deste quarteto, dada a sua juventude e inexperiência, mas tem revelado uma compostura assinalável, velocidade interessante e capacidade para se bater de igual para igual com Lawson.
A aposta da Red Bull revelou-se certeira, e Lindblad está a criar os alicerces para uma carreira que se espera sólida e bem-sucedida. O potencial demonstrado até agora permite antever mais um piloto britânico capaz de lutar por vitórias no futuro.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA








