Martins Sesks vê com otimismo as mudanças previstas para o WRC a partir de 2027 e acredita que a entrada de mais construtores pode criar mais oportunidades para os pilotos. O letão, agora a competir em Rally2, defende que a concorrência entre equipas, carros e pilotos rápidos é mais importante do que a potência dos automóveis, embora lamente a ausência de Portugal do calendário.
AutoSport: Gostava de falar contigo sobre o futuro do WRC. O que pensas das mudanças a partir de 2027? Agrada-te o rumo que o campeonato está a tomar?
Martins Sesks: “Claro que as mudanças eram necessárias e acho que agora cabe a todos perceber como vão funcionar. Naturalmente, não acredito que alguma coisa vá mudar de um dia para o outro, mas estou otimista e espero que, daqui a dois anos, o WRC volte a estar em grande.”

AutoSport: Para ti, enquanto piloto, quais são as principais mudanças? Os carros serão diferentes, mas o que esperas do futuro?
Martins Sesks: “É difícil dizer, mas acho que um bom sinal para os pilotos poderá ser a chegada de mais construtores. Naturalmente, enquanto piloto, queres ter mais equipas e mais oportunidades.”
AutoSport: Já conduziste um Rally1 e agora estás a competir com um Rally2. Achas que podes desfrutar tanto de um Rally2 como de um Rally1, ou o facto de haver mais concorrência é que torna esta fase mais entusiasmante?
Martins Sesks: “Acho que os ralis se tornam interessantes quando há muita concorrência e pilotos muito, muito rápidos. Por isso, também estou a gostar de conduzir um Rally2. Além disso, é muito interessante ter vários pilotos, com carros iguais, pneus diferentes e equipas diferentes, e perceber como cada um procura tirar o máximo partido do que tem.”
AutoSport: Portanto, não te importas de ter menos potência, desde que tenhas mais adversários com quem competir?
Martins Sesks: “Exatamente, sim.”
AutoSport: Gostas do calendário de 2027? Perdemos Portugal. O que pensas disso?
Martins Sesks: “Claro que é uma pena, mas, pelo que ouvi, estão a trabalhar num novo plano. Espero que regressem, porque é uma prova muito boa, normalmente com um número muito elevado de espectadores, com muita gente. E isso também é o que torna este desporto tão interessante e tão bom: ter muitas pessoas a acompanhar.”

AutoSport: Não receias que, com os novos promotores e a nova filosofia, possamos acabar com menos ralis tradicionais e mais provas novas, com menos tradição?
Martins Sesks: “Acho que sou adepto de mudanças. Talvez não seja mau alterar um pouco o calendário de tempos a tempos. Claro que alguns ralis têm muita tradição, mas penso que o desporto talvez tenha de encontrar novos locais. Poderíamos, por exemplo, ter um rali novo durante dois anos e depois um rali tradicional durante outros dois, fazendo alguma alternância dessa forma.”
AutoSport: Os responsáveis do WRC estão a ponderar novas motorizações a partir de 2029 com várias outras soluções. Agrada-te a possibilidade de termos três carros de ralis com três motorizações diferentes?
Martins Sesks: “Acho que já vimos isso noutras competições, como o Dakar e também o WEC. Penso que, nas corridas de resistência, também existem motorizações diferentes. Desde que exista algum controlo para garantir condições de competição semelhantes, para mim não há problema.”
AutoSport: Mas o BoP é sempre um problema nessas categorias. Isso não te preocupa?
Martins Sesks: “Claro que, neste momento, estamos apenas a especular. Para comentar isso com maior precisão, precisaria de saber mais. Sim, teria de conhecer melhor o assunto.”
AutoSport: Se fosses tu a mandar, quais seriam as principais mudanças que farias no WRC nos próximos anos?
Martins Sesks: “Acho que é necessária alguma diversidade. Como disse, mais ralis tradicionais e talvez alguns ralis novos. Também alguma variedade na duração das provas: umas poderiam ser mais próximas de um sprint, outras mais de resistência, para diversificar um pouco os eventos.
Alguns ralis já são longos e difíceis, também pelas deslocações que implicam. Outros talvez não sejam tão exigentes nesse aspeto. Por isso, talvez fizesse algumas alterações nessa área. E, claro, daria mais atenção às pessoas.”
AutoSport: Portanto, és a favor de mudanças?
Martins Sesks: “Sim, sim, eu sou…”









