Pablo Sarrazin, filho de um piloto e criado no ambiente das competições, Stéphane Sarrazin, trocou a Fórmula 4 pelos ralis no final de 2023 e vê na Lancia uma oportunidade decisiva para construir o seu próprio nome. Aos 20 anos, o jovem piloto afirma que o objetivo é chegar ao WRC e tornar-se campeão do mundo, ainda que reconheça que precisa de ganhar experiência no asfalto para acompanhar o seu desempenho na terra.
AutoSport: Cresceste num ambiente de competição de grande intensidade. Qual é a tua primeira memória ligada à paixão pelo desporto motorizado?
PS: “A minha primeira memória, se assim posso dizer, é de quando ia às corridas ver o meu pai competir. Foi isso que me deu a motivação e a paixão para fazer ralis. Por isso, talvez seja essa.”

AutoSport: O teu pai competiu em várias disciplinas, mas porque escolheste os ralis e não, por exemplo, as corridas em circuito?
PS: “Em 2023, estava na Fórmula 4 e, no final desse ano, decidimos fazer apenas um rali para conhecer a modalidade, aprender e perceber como era. Correu muito bem. No final de 2023, tive de escolher entre o circuito e os ralis, e decidimos seguir pelos ralis. Tive um desempenho bastante bom, por isso, sem dúvida, é a minha disciplina preferida.”
AutoSport: O que encontraste nos ralis que não encontraste nos circuitos? Mais intensidade?
PS: “Sim, mais intensidade, mais diversão, mais risco. A única coisa que não temos é outro carro ao nosso lado com quem lutar. É só isso. Mas não há problema: posso fazer uma corrida de karting para me divertir nesse aspeto. Sem dúvida que prefiro os ralis.”

AutoSport: Conduzir um Lancia tem um significado especial. Como te sentes por fazeres parte de uma marca com tanta história?
PS: “Sim, a Lancia tem uma enorme história. Como podemos ver na porta, estão lá todos os anos em que a marca venceu. Estou muito, muito grato por estar com a Lancia. É uma enorme oportunidade para mim, aos 20 anos.”
AutoSport: Recebes conselhos do teu pai ou ele deixa-te seguir o teu caminho, sem interferir no teu trabalho?
PS: “Não, não, claro que me dá muitos conselhos. Mas temos duas vertentes: uma quando estamos nos ralis e outra quando estamos em casa. São relações completamente diferentes.
É bom, estou muito grato e é realmente importante tê-lo comigo, porque tem muita experiência. Tudo o que pode partilhar, partilha comigo.”

AutoSport: O apelido não te traz uma pressão acrescida?
PS: “Não.”
AutoSport: Lidas bem com isso?
PS: “Sim, não há problema. Sou quem sou, mas agora preciso de construir o meu próprio nome, Pablo. É bom, mas, como costumo dizer, há pessoas como os Schumacher que têm um nome com um peso enorme. No meu caso, esse peso é um pouco menor, por isso não há problema. Está tudo bem.”
AutoSport: Quais são os teus planos para o futuro? Onde te vês nos próximos anos?
PS: “Nos próximos anos, quero, sem dúvida, chegar ao mais alto nível e lutar com os melhores pilotos do mundo. O meu objetivo é ser campeão do mundo. Vamos trabalhar para isso, claramente.”
AutoSport: Com a chegada dos novos regulamentos, será mais fácil percorrer esse caminho mais depressa?
PS: “Se será mais fácil, neste momento não sei. Mas, depois de 2029, certamente será mais fácil para os jovens pilotos como eu. Tenho apenas 20 anos, por isso tenho tempo, mas também preciso de mostrar o meu valor, como fizemos este ano. Precisamos continuar a crescer e a aprender, espero que com o melhor carro, como um Lancia.”
AutoSport: Em termos de pilotagem e de competição nos ralis, qual é o próximo passo que precisas de dar para atingir o nível que pretendes?
PS: “Precisamos de ter um bom desempenho em todas as superfícies. Mas, no asfalto, não temos assim tanta experiência, por isso precisamos de conduzir mais nessas condições. Adoro a terra. Claro que também precisamos de ter um bom desempenho nessa superfície, mas está tudo bem, sem pressão. Temos tempo, vamos passo a passo.”
AutoSport: É curioso vires das corridas em circuito e gostares mais da terra.
PS: “Sim, sem dúvida, sem dúvida…”











