«Em casa que não há pão todos ralham e ninguém tem razão» é um adágio popular que se aplica em muitas situações em que quer olhemos para as coisas numa perspectiva ou noutra, nunca temos a certeza de onde está a razão.
Tudo isto a propósito da nova regra relativa aos pneus implementada este ano no WRC, que proíbe a utilização de pneumáticos com ‘mousse’ anti-furo. Em qualquer das análises e antevisões que se façam sobre esta questão a conclusão a que se chega é só uma: os pneus serão decisivos nas contas do Mundial, porque vão inevitavelmente haver furos e agora deixa de existir a ‘mousse’ salvadora. Cautela, precisa-se.
A regra foi implementada por uma questão de custos, mas também de segurança, pois quanto mais despreocupados os pilotos estão, mais depressa andam, às vezes muito para lá dos limites. Já há uns anos quando se reduziram os treinos a três passagens, houve quem argumentasse falta de segurança, mas a verdade é que a questão era precisamente ao contrário. Muita passagens nos troços, não só encareciam os orçamentos, como aumentavam muito a velocidade nas especiais.
Agora surge a questão dos pneus, e para os pilotos será só uma questão de gerirem a sua prova, pois os ralis nunca foram uma competição de velocidade pura, mas sim um compromisso entre a velocidade e a estratégia de poupar a mecânica.
Para Petter Solberg, Campeão do Mundo em 2003: «Sem a ‘mousse’ anti-furo não se pode arriscar muito, pois qualquer furo pode mudar por completo a nossa classificação num rali», referiu. É uma verdade, mas são as – novas – regras do jogo.
Já para Jari-Matti Latvala, é tudo uma questão de adaptação: «Certo é que não vamos poder cortar as curvas como o fazíamos antes, porque isso é um risco muito grande, pelo que há que ter muito cuidado nos ganchos apertados. Penso que é tudo uma questão de adaptação, e isso eu aprendi no PWRC, pois aí não há ‘mouse’ anti-furo para ninguém. Espero que essa experiência me seja útil.», concluiu Latvala.










