Esta semana no AutoSport publicamos uma longa entrevista com José Pedro Fontes, em que em determinado ponto lhe lançamos um desafio. Sabendo que é Licenciado em Ciências da Comunicação, perguntámos-lhe o que pensa poder ser feito pelo CPR em particular, ou desporto automóvel em geral, para aproveitar em termos de Comunicação e Marketing as potencialidades da modalidade.
A sua resposta merece não só leitura atenta, mas muito debate, já que a opinião é dada por alguém que consegue ver a questão de vários lados. A de piloto, responsável por uma estrutura e também como alguém que sabe bem a importância do que é ‘comunicar’ um determinado ‘produto’:
JPF: “Antes de queremos comunicar, devemos pensar no produto que temos para comunicar, devemos em conjunto com todos os agentes envolvidos, pilotos, equipas, clubes e federação refletir que tipo de provas queremos ter no campeonato, como devem ser estruturadas e organizadas para ir ao encontro dos seus clientes.
E quem são os clientes?
Na minha opinião são os pilotos, o público e os patrocinadores, senão tivermos muitos e bons pilotos, não teremos um bom espetáculo e como tal, não teremos público. Sem público, não teremos patrocinadores e sem patrocinadores não iremos ter pilotos, nem equipas, nem clubes, por isso, temos que pensar a onde vamos fazer as provas e em que horários, que estrutura de ralis deveremos ter para ser apetecível os pilotos participarem, que condições vamos dar ao público para assistir, que condições e ferramentas vamos dar aos patrocinadores para ativarem o seu investimento e como vamos garantir o retorno do seu investimento.
Sei que choca aos muitos apaixonados que temos, pensar no desporto automóvel como um negócio, mas a verdade é que é um espetáculo de entretenimento, em concorrência direta com outros, como tal temos que fazer dele um produto vendável, temos que criar uma estratégia comercial, um caderno de encargos para as provas, não só um caderno de encargos técnico, mas um direcionado aos aspetos comerciais, promocionais e de comunicação e que tudo seja coerente com as necessidades e investimentos que se faz e que precisamos.
As provas devem ser estruturadas e avaliadas nestes pressupostos e não pelos critérios técnicos, esses critérios devem ser condição obrigatória para a organização de uma prova do CPR, não adianta cumprir os requisitos técnicos e depois não pensarmos nos clientes e na qualidade do produto que vendemos.
As pessoas no mundo de hoje são exigentes e gostam de coisas boas e extraordinárias, temos que nivelar o CPR por cima, temos que fazer um grande espetáculo que os pilotos gostem de participar, o público de assistir e os patrocinadores estarem presentes, até porque ninguém vai conseguir comunicar bem um produto menos bom.
Temos, na verdade, um diamante em bruto, que não estamos a conseguir explorá-lo ao máximo, temos uma oportunidade extraordinária pelo momento que se vive nos ralis, vamos aproveitar e fazer as mudanças que precisamos de uma forma construtiva e de respeito pelas dificuldades que tem todos os agentes envolvidos.
Eu estou disponível para contribuir e ajudar no que puder.
AS: Não te parece que o desporto automóvel é mal aproveitado, sendo uma disciplina que proporciona tantas emoções? Quem ou como se devia fazer?
JPF: Talvez seja a altura da federação ter um responsável de marketing que crie esta estratégia de uma forma fundamentada, e que ajude a todos nós e nomeadamente os clubes a estruturar as suas provas…










