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Pilotos de ralis olham para o futuro do CPR…. com ambição!

José Luis Abreu by José Luis Abreu
17 Novembro, 2021
in CPR, Destaque Homepage, Newsletter, Newsletter destaque, Ralis
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Pilotos de ralis olham para o futuro do CPR…. com ambição!

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O AutoSport fez esta semana um trabalho quase sem paralelo: Juntou ao mesmo tempo os elementos da APPR (Associação Portuguesa de Pilotos de Ralis), para uma conversa sobre o que deve ser o Campeonato de Portugal de Ralis. Marcaram presença, Ricardo Teodósio, Armindo Araújo, Bruno Magalhães, José Pedro Fontes, Pedro Meireles, Manuel Castro, Paulo Neto e Gil Antunes. Como se percebe, estavam representadas as principais estruturas nacionais, a ARC Sport, The Racing Factory, Sports&You e Racing 4 You. A intenção era simples: Numa altura em que este é um mês de decisões importantes na FPAK, quisemos saber junto da APPR, o que são, como fazem e o que pensam. E obviamente testemunhá-lo in loco. De viva voz!
Uma coisa é falar com este, ou com aquele, outra é passar duas horas a ouvi-los a todos, as suas ideias, intenções, propostas e dificuldades. Ficou claro que existe uma comissão de pilotos que faz propostas para melhorar, que quer trabalhar construtivamente com os outros agentes do desporto, e que defende o mérito e qualidade das provas. Existe a consciência do que há a fazer, logo a começar pelo básico, a qualidade das provas.
É preciso que se note, que se olharmos para o plantel do CPR, estes são sem dúvida, a sua ‘nata’. E testemunhámos outra coisa muito importante: falam a uma só voz, todas as declarações que vai ler nesta entrevista, são da APPR, e não deste ou daquele, e a primeira bola a sair do saco é que têm também um alvo perfeitamente identificado: há clubes que não têm estado à altura do que é hoje em dia o CPR. Mas a isso já lá vamos.

Em primeiro lugar, quisemos saber porque criaram esta Associação (APPR), e o que os move? “O que nos move é a nossa paixão, os ralis! Queremos evoluir! Somos os que fazemos o campeonato e por isso queremos ter uma voz, e queremos ajudar, em conjunto com FPAK e clubes, a inverter a situação, e colocar o CPR no seu lugar, como maior modalidade nacional, a seguir ao futebol. Da parte da FPAK temos tido uma abertura como nunca tivemos, precisamos que os clubes estejam abertos à mudança, à evolução! Não há ralis sem Federação, clubes, pilotos e equipas, mas temos que olhar para o bem do desporto, e não para os interesses individuais.
Esta associação de Pilotos, que já surgiu há vários anos, surge decorrente da necessidade de sermos ouvidos e termos voz porque nós somos parte importante juntamente com a FPAK e com os clubes. Estão representados todos os pilotos que participaram em todas as provas do CPR, faltaram o Miguel Correia, o Bernardo Sousa e o Paulo Caldeira, que subscrevem as nossas propostas e estão connosco nas nossas ideias, se há pessoas com legitimidade para falar sobre o CPR, é este conjunto de pilotos. Nós reunimos, e democraticamente decidimos as propostas que queremos fazer, a partir do momento em que votamos, os interesses pessoais de cada um, deixam de fazer sentido e prevalece a vontade geral da maioria.
No passado, já todos fizemos parte de comissões na federação para se tentar mudar qualquer coisa, e nunca se mudou, continuamos com os mesmo tipo de campeonato de há 30 anos, mas desde há um tempo para cá esta direção com o Ni Amorim, tem dado oportunidade de nos ouvir e de algumas propostas serem aceites. E a verdade é que no ano passado, com as propostas que os pilotos fizeram, conseguiu-se viabilizar um campeonato.
Talvez seja a primeira vez em que os pilotos se juntam a falar de um só voz e isso é bastante importante.
Nunca tinha acontecido no passado e talvez isso seja um facto determinante para que a FPAK leve em linha de conta o que nós dizemos. Até aqui a desunião dos pilotos levou a que nunca se tivesse conseguido fazer alterações, no sentido de modernizar este desporto para aquilo que precisamos, mas é importante quem está do lado da FPAK perceber que os pilotos têm a capacidade de deixar as suas preferências pessoais em nome dum valor maior, que é o CPR, e a partir do momento em que nós pilotos conseguimos chegar a esse entendimento, fica difícil à outra parte não nos ouvir. Não passamos para fora o que debatemos cá dentro, porque todos têm o direito de defender os seus pontos de vista, o que é passado para fora é que falamos a uma só voz. Apesar das nossas diferenças e dos nossos interesses”
. Mais claro que isto é impossível.
Com tanta gente junta, esta é a oportunidade perfeita para perceber, exatamente, o que se pretende para o CPR: “Valores como a qualidade e mérito para colocar o CPR como um dos maiores espetáculos desportivos nacionais, para isso necessitamos que as provas acompanhem o profissionalismo, que as equipas e os pilotos tiveram que ter, para poderem continuar a ter a confiança dos seus patrocinadores, e que o campeonato tenha uma estrutura e dimensão que seja possível para a nossa realidade.
Os ralis são um espetáculo que tem que ser vendido ao público, patrocinadores e pilotos, estes são os seus clientes finais, tudo deve ser feito com o objetivo que os nossos clientes finais fiquem satisfeitos com o produto que lhe vendemos e queira continuar a vir ver-nos, a patrocinar-nos, e que os pilotos gostem do produto que pagamos.
Vivemos num mundo de grande concorrência com outros desportos e espetáculos de entretenimento, se não acompanharmos a evolução e oferecermos o que os nossos clientes querem, vamos perder todo o financiamento e clientes, entrando numa trajetória da diminuição da notoriedade do CPR, que a prazo irá pôr em risco a sua sustentabilidade.
Entendemos que o CPR é a jóia da coroa do automobilismo em Portugal, portanto tem que ter as melhores provas, com as seguintes linhas mestras: queremos igualdade de pisos, não queremos nomeação de provas porque entendemos que isso, nem desportivamente é correto, nem em termos comunicacionais, porque as pessoas não entendem porque um vai a uma prova, e outro vai a outra. Temos que encontrar um balanço entre o número de provas que é possível fazer, nunca baixando o número de provas a um número tão pequeno que não seja possível estar a comunicar durante todo o ano. Portanto entendemos que oito provas é já um esforço muito grande da nossa parte, mas é equilibrado, mais não conseguimos suportar.
Para além disso, queremos que estejam no campeonato as melhores provas, as provas internacionais são obrigatórias, e as outras quatro têm que estar por mérito e não por uma qualquer dinastia. Da mesma forma que todos nós somos avaliados pelos nossos patrocinadores, que nos continuam a apoiar, ou não, todo o resto da estrutura do CPR tem que fazer também esse trabalho e estar por mérito e qualidade”
, disse-se, apontando claramente para a necessidade de alguns clubes elevarem o nível dos seus eventos.

Mexidas na FPAK
Uma boa notícia é que a FPAK já tem um membro da direção com o pelouro do Marketing. Chama-se Pedro Silva Nunes, e está a começar a reestruturar as coisas, e a elaborar um caderno de encargos para o Campeonato de Portugal de Ralis. É uma pessoa que está a trabalhar, tem experiência, currículo e know how.
Esse caderno de encargos visa ser a ‘bíblia’ pelo qual todos os intervenientes nos ralis se irão guiar, e logicamente também aos clubes que se querem candidatar a realizar provas. Depois organiza quem tiver mérito: “Já começámos a fazer propostas nesse sentido. Quem quiser organizar um espetáculo ou qualquer prova desportiva, de um campeonato profissional, tem um caderno de encargos para cumprir.
Mas depois entendemos também que tem que haver uma avaliação das provas, e essa avaliação tem que ser técnica e comercial. E o que que isto significa: o público que tem, a comunicação que é feita a promover o evento, e qual foi a opinião dos pilotos, que na verdade são o cliente final. Num qualquer negócio há sempre a preocupação de saber o que o cliente gosta ou não gosta. Isto no futuro tem que ser uma base para que haja renovação do campeonato, para quem queira fazer coisa novas e bem feitas, possa ter oportunidade de ficar ou entrar no campeonato”
, começou por se dizer nesta conversa com a APPR: “Ninguém pensava há sete ou oito anos, que nos anos seguintes o campeonato teria um crescimento de qualidade como o que se verificou até à pandemia, mas isso não foi extensivo a todos os players da competição”. Uma referência clara a alguns clubes: “Notamos uma clara resistência à mudança, de alguns clubes, que chegam mesmo a tentar resistir, e a desunir os pilotos. Há vontade e abertura da FPAK, mas o problema são os clubes que se unem e fazem pressão e ao unirem-se estão a proteger os fracos, mas a prejudicar quem faz bem. Há quem entenda que se devem fazer 10 provas, para caberem todos, como se fosse possível em Portugal 10 ralis no CPR”.
Está dado o mote para boa parte da conversa…

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Alguns clubes na ‘mira’
Não restam muitas dúvidas à comunidade dos ralis em Portugal, que nestes últimos anos o CPR teve um enorme crescimento, não só em termos de número e qualidade do plantel, das estruturas que o acompanha, cujos melhores exemplos são a ARC Sport, The Racing Factory, Sports&You e Racing 4 You, ou mesmo a Domingos Sport, mas, aqui e ali, existem fortes queixas dos pilotos, e não só, face aos clubes. Para a APPR: “Estamos aqui para ajudar a construir, as coisas têm que ser por mérito, as melhores provas e os clubes que estejam no CPR sejam os que fazem os melhores ralis e não os que fazem os ralis há 30 anos.
É preciso que as pessoas entendam que nós, pilotos, não somos os maus da fita. Ninguém está aqui a dizer se gosta mais do rali A,B,C ou D, ou mais de terra ou asfalto, ou que anda melhor aqui ou ali. Tudo isso teve que ser posto para trás das costas em prol dos ralis. Para nós é claro: não podemos fazer mais do que oito provas, queremos que haja equilíbrio de tipos de piso, e fundamentalmente precisamos de provas boas para termos capacidade de conseguir patrocínios para continuar a correr.
“Não há, nem nunca houve, como já lemos por aí, reuniões secretas, ou clandestinas, mas sim um grupo de pilotos que representa bem o CPR, e faz propostas à FPAK. A situação que está a acontecer nos ralis tem que se inverter, os ralis têm que acompanhar o profissionalismo dos projetos e das equipas que correm.
Existem propostas concretas, as pessoas têm que olhar para elas, dar valor às propostas e aqui o problema é que não podem estar todos os clubes no campeonato, mas sim os que têm mérito para isso.
A chamada de atenção que fazemos é que se está a tirar o foco do que é realmente importante. As pessoas que fazem o campeonato querem que haja mudanças, e as pessoas, leia-se os clubes, têm que acompanhar essas mudanças. Quem quiser ficar no campeonato, não pode andar aqui com desculpas, tem que fazer o seu trabalho, e o que tem acontecido é que há clubes a criar resistências aos clubes e à federação”
.
Como se percebe, este é um ponto importante para a APPR, que deixa claro que o tempo que para agradar aos clubes, se aumentava o número de provas, não pode voltar: “A FPAK já pediu a nossa colaboração e o problema são os clubes aceitarem esse cadernos de encargos. Não haver resistência à mudança. Pela primeira vez em muito tempo a FPAK está a ouvir os pilotos, o que tem combinado connosco, não tem falhado, o problema é que fazemos propostas, nos levamos propostas e há resistência dos clubes e uma tentativa de colocar o ónus nos pilotos, alegando que somos os maus da fita.
Nós não somos um conjunto de pilotos que estão na clandestinidade a manobrar para tramar a vida ao clube A, B ou C, não. Nós estamos é a dar o grito do Ipiranga: se não não mudarmos, não há jovens a vir atrás, não há patrocínios novos a entrar, mas alguns clubes, querem continuar a manter as coisas como estão, e por isso, tudo isto corre o risco de definhar.
Somos nós em termos gerais que viabilizamos o campeonato. Se os clubes não têm estruturas para pensar nisso, se é precioso mais profissionalismo, vamos trabalhar todos em conjunto e tentar levar isto para a frente.
Não se pode é deixar tudo como está, ou seja, manter a mediocridade que existe em alguns lados.
A federação não é só de clubes, inclui pilotos, equipas, oficiais de prova, todos temos que trabalhar de uma forma construtiva para melhorar. Nós falamos uns com os outros, e daí saem propostas, que podem levar a que clubes que não tenham capacidade para dar seguimento a essas propostas, possam ter que sair. Nós temos que ter ralis sustentáveis do ponto de vista económico, no balanço que existe, na atração de público que tem, para o retorno que podemos dar, para continuarmos a ter patrocínios.
Os clubes têm que fazer bem, e ser avaliados para se saber se devem estar na 1ª liga. Se não, têm que sair e dar oportunidade a outros, e há também que acabar com a mensagem de certos clubes que a FPAK não tem que falar com os pilotos porque é uma federação de clubes, e isso não é verdade.
Os clubes deviam ouvir quem são os seus clientes finais. Nós pagamos, tentamos fazer bem, e tentamos contribuir para que o CPR seja o melhor possível, mas há clubes que são medíocres e que se estão a tentar agarrar ao máximo a um lugar que acham que é cativo. E não pode ser assim”
.
Quando lhes pedimos para dar exemplos, de coisas práticas contra as quais se insurgem, os exemplos não tardaram:
“Em 2020, o campeonato foi ajustado para uma nova realidade, houve muito trabalho da APPR com a FPAK para se adaptarem a uma realidade pandémica, mas nunca houve da parte dos clubes para pedir uma reunião com os pilotos para em conjunto trabalharmos, e os clubes quando não gostam, tentam arranjar maneira de se ‘safar’.
Por exemplo, as soluções foram arranjadas entre a APPR e a FPAK, os ralis diminuíram de quilómetros, deixaram de ser feitas super especiais, mas os clubes não baixaram o preço das inscrições.
Agora vamos ver com o regresso das super especiais se os valores das inscrições vão aumentar outra vez. Outro exemplo, o ano passado a APPR recomendou provas à sexta e ao sábado, e há clubes que continuam a fazer as suas provas ao sábado e domingo e quando são questionados do porquê, dizem que é a única forma de os conseguirem fazer. Portanto, isto exemplifica que não há, regra geral, o mesmo acolhimento do lado dos clubes para algumas situações, embora o contrário seja mais facilmente imposto aos pilotos”.
Como se percebe, há muito a fazer e ideia da APPR, está bem identificada: elevar o nível das provas, ou dar lugar a outros que o consigam fazer.

O que fazer para melhorar o CPR?
Queixas feitas, afinal, o que quer a APPR para os ralis? “um campeonato com os melhores oito ralis, quatro em terra, quatro em asfalto, sem nomeação de provas, em que as melhores façam parte, e para isso as internacionais são obrigatórias. Temos que evoluir o campeonato para um modelo mais sustentável, moderno, que permita a todos ir buscar patrocínios e permita quem faz os ralis por hobby tenha prazer em fazer ralis, e isso muitas vezes não existe.
Oito provas é o balanço que entendemos possível entre o custo e um número de provas mínimo para um campeonato que necessita ter uma presença regular nos media. Divisão entre terra e asfalto porque somos um campeonato misto e a divisão é a mais justa. Sem nomeações, porque desportivamente não faz sentido não competirmos sempre uns contra os outros, e no plano de comunicação ninguém entende que na prova A o piloto B ganhe porque o Piloto C escolhe ir a outra prova que o Piloto B não vá. Uma estrutura uniforme para todas as provas não internacionais, e que vá ao encontro das necessidades do plano de marketing.
Entendemos que o CPR tem que ter uma estratégia, um plano de Marketing, que seja feito por profissionais e não por pessoas que não tenham competência para o idealizar ou experiência de saber a dificuldade que é de arranjar patrocínios, ou como devemos comunicar, e portanto tem primeiro que se definir o produto, depois o preço desse produto, que é o valor de oito provas que nós entendemos, e depois temos que fazer as oito provas direcionadas aos nossos clientes, que são o público, os patrocinadores, que precisam de provas com uma estrutura que possa ser um grande evento, onde possam ativar os seus patrocínios.
É por isso é que nós insistimos tanto numa estrutura para as provas não internacionais, tipificada que tenha atenção ao público, e por isso é que queremos provas à sexta e ao sábado, pois ao domingo há menos público, queremos estender à sexta e ao sábado esses ralis para que haja vários momentos de comunicação, e depois ter uma estratégia de comunicação, promoção e ativação nas provas, coisa que nós entendemos que são muito mais os pilotos e equipas que o fazem no CPR.
As provas devem ser 6ª e sábado, começar com o shakedown e qualificação, a escolha da ordem de partida não pode estar em cima do horário do shakedown, como aconteceu muitas vezes este ano, devia haver um ou dois troços, meio/final da tarde, se possível super-especial, e o dia continuando no sábado, arrancado às 10h00 para que o público tenha a possibilidade de chegar aos troços sem fazer ‘noitadas’.
Da nossa parte, entendendo que as Câmaras Municipais são um parceiro muito importante, até propusemos os ralis estenderem-se até mais ao meio da tarde de modo a que possa haver o que seja possível, festas por exemplo, para cativar o público. Fazer do rali também uma festa.
É preciso que fique claro que não há aqui uma guerra contra nenhum clube, ou região, o que há é uma necessidade que o CPR evolua duma forma profissional, e com qualidade. A preocupação dos clubes é somente se a sua prova pode estar ou sair, e não o que podemos fazer para ser melhor. O que fazer para que as pessoas gostem de vir aqui. Para que este rali seja sustentável em termos de comunicação. Não existe, e é isso que todos os pilotos que aqui estão, têm uma estratégia, pensam no que querem fazer, pensam nos patrocinadores, vou dar isto, propor aquilo. Nos ralis não acontece isso, pois boa parte das provas que temos são feitas de forma demasiado simplista, escolhemos troços, fazemos um road book, e eles vão lá correr. E não pode ser só isto…”

O que querem, exatamente? “Promoção, divulgação, formato das provas, por exemplo há uma enorme diferença entre o que fez quem investiu em streaming, redes sociais e promoção, enquanto outros nada fizeram. O trabalho de promoção e divulgação se fosse feito nas outras provas, todos nós ganhávamos, incluindo os adeptos pois puderam acompanhar o rali em casa. Há que investir para colher, e isso os clubes não estão a fazer. Houve quem fizesse coisas bem feitas, está aí um bom exemplo que devia ser seguido por todos os outros. Não pode haver quem tente fazer bem, e outros que não façam nada. A falta de qualidade de organização de alguns clubes está-nos a levar para a falta de notoriedade do campeonato, que vai pôr em causa tudo, mesmo os bons vão ser prejudicados por não haver essa capacidade de todos de fazer o mesmo tipo de trabalho”.
“Estamos a falar de coisas básicas, a primeira coisa que os pilotos querem é uma estrutura uniforme, tem que haver horários em que os carros vão ao parque de assistência para haver contacto com convidados, por exemplo, haver ‘ativações’ no Parque de Assistência, têm que se fazer programas que tragam notáveis aos ralis, as equipas têm que fazer co-drives no shakedown. Os ralis são um diamante em bruto, e quase ninguém faz nada, não se pensam em coisas que se possam fazer que suscitam a atenção dos OCS generalistas”.

Esta última frase, entronca numa ação que fez em 2020 o Team Hyundai Portugal, quando levou o Miguel Oliveira a Fafe para fazer um co-drive com o Dani Sordo. O êxito que isso teve em termos da atenção dos OCS. Não nos recordamos de ter visto a RTP, SIC e TVI juntas num rali do CPR.
Na verdade, por vezes damos connosco a pensar, no AutoSport, como é possível que uma modalidade que leva tanta gente à estrada, por vezes à chuva ao frio, cujos adeptos passam horas a à espera dos carros, ou andam para a frente e para trás, atrás deles, não tenha alguém que faça uma pergunta muito simples e depois tente respondê-la com ações: “O que podemos para criar interesse dos OCS generalistas nos ralis?”
Recordo-me do António Raminhos, há 4 anos foi andar de Hyundai a Fafe, colocou um vídeo no Youtube a dizer que “quase perdeu os tintins”, e eu tenho a certeza que muitos ‘influencers’, ‘Youtubers’, VIP, ou o que quer que seja, ficaram também com vontade de “quase perder os tintins”. Está com 300.000 visualizações. Arranjam-me um vídeo do CPR com 300.000 visualizações? Não me lembro.
É preciso que os ‘ralis’ sejam inteligentes na forma como pensam o seu produto, e isso tem de começar pela base.
Para falar de um exemplo recente: o que é que os organizadores do Rally Legends Luso-Bussaco fizeram bem e os organizadores da prova que decidia o Campeonato de Portugal de Ralis de 2021, um evento que é suposto ser o clímax do ano, pois os pilotos tinham feito sete provas e chegavam ao fim com o título por resolver. Foi resolvido por um ponto. Eu andei em Mortágua ao fim da tarde, início de noite de sexta-feira e nada e a 16 Km dali havia uma festa imensa: “Na APPR temos vindo a conversar, pensar e planear juntos. De uma forma profissional, todos, FPAK, clubes, pilotos e equipas, mas de uma forma clara e consciente, temos que pensar nos desafios que temos pela frente, a estrutura do campeonato, as provas têm que respeitar um plano de marketing de médio prazo.
As provas devem ser feitas nos grandes centros, num horário que potenciem o aumento de público, criar uma política de comunicação e promoção dos eventos. Temos que fazer a ativação do evento, não é admissível provas da maior competição portuguesa não terem estratégias de comunicação ou promoção de provas.
Devemos deixar o novo membro da direcção da FPAK com o pelouro do Marketing e Comunicação, pessoa com grande experiência e competência profissional, trabalhar para que o campeonato e as provas se adaptarem às exigências do mercado, os regulamentos desportivos e a estrutura das provas tem que estar ao serviço da estratégia de Marketing, temos que definir o produto, o seu posicionamento, o seu preço e como vamos comunicar.
O CPR não é uma dinastia, é para os melhores. Tem que funcionar o ‘tal’ caderno de encargos de como têm que ser uma prova do CPR e os organizadores cumprirem, quem não o fizer ou não tiver capacidade, não pode estar no CPR”.

É verdade que cada vez mais os diversos desportos competem pela atenção dos adeptos, pelo que é urgente fazer algo nos ralis para que a modalidade aproveite o balanço recente e se torne melhor e mais relevante junto dos Órgãos de Comunicação Social generalistas, TV incluídas: “Se continuarmos a fazer os ralis sem ir aos grandes centros populacionais, a não ter políticas de promoção para chamar as pessoas, a fazer horários que não permitam às pessoas ir ver as provas, não vamos conseguir fazer isto. Por muita paixão que exista, a paixão e a única coisa que tem sustentado isto, e na nossa opinião é um trabalho de alguns clubes, e principalmente das equipas que estão no CPR que fazem boa promoção e comunicação. Hoje em dia a promoção que a generalidade dos clubes, faz são meia dúzia de outdoors, junto às localidades onde vai passar o rali, alguns posts nas redes sociais. Qualquer uma das equipas presentes no CPR faz muito mais do que isso”.
Em jeito de conclusão, era bom que não se perdesse esta oportunidade de sustentar melhor o CPR. A Pandemia veio criar muitas dificuldades, mas o que todos fizeram para ultrapassar, com maior ou menor dificuldade, essa situação, devia servir de bitola para que, em tempos menos ‘tempestuosos’ procurar caminhos para melhor.
Só faz sentido e só o conseguirão se todos remarem para o mesmo lado.
A paixão que existe em Portugal pelos ralis, merece que se tente fazer alguma coisa.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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