A pressão para disseminar formas de propulsão alternativas para diminuir emissões e a dependência do petróleo não poderá deixar de chegar ao desporto automóvel.
É uma inevitabilidade que se deve a inúmeras razões e que preocupa os puristas da competição automóvel, que acreditam que essa pressão acabará por desvirtuar ou até extinguir o desporto que amam.
A intenção da FIA em obrigar os F1 a fazerem o percurso das boxes com um motor elétrico para, dessa forma, reduzir emissões de CO2 e o impacto ambiental, é um sinal claramente político, como de certa forma o foi a introdução do sistema de recuperação de energia KERS.
Mas os sinais políticos são respostas a tendências, neste caso irreversíveis, e será de esperar que nas duas próximas décadas, a maior parte das competições motorizadas acompanhem o desenvolvimento e a massificação de novas formas de propulsão, com corridas para híbridos, elétricos, fuel cell, ou outras novas formas de propulsão.
Se não o fizerem correrão o risco de ser considerados eventos obsoletos e ecologicamente inaceitáveis, mesmo que a sua ‘pegada de carbono’ seja insignificante, quando comparado, por exemplo, com a indústria aeronáutica.
Se há coisa que não vale a pena travar é o futuro, e por mais simbólica ou discutível que seja esta medida da FIA, a entidade que rege os destinos máximos do desporto automóvel faz bem em mostrar que não é alheia à mais importante mudança de paradigma do automóvel desde a sua invenção.
Rui Pelejão
Diretor









