Talvez tenha sido consequência dos ares do velho Nürburgring, com a sua tremenda carga histórica, que ao soprarem sobre o GP da Alemanha o tornaram numa das melhores e mais interessantes corridas de Fórmula 1 a que tive a oportunidade de assistir. Existiram mais ultrapassagens ao longo das 60 voltas ao traçado alemão do que na soma de muitas corridas de um passado recente. A emoção foi uma constante na luta por diversas posições e a indecisão quanto ao vencedor esteve presente de princípio a fim, com três pilotos envolvidos numa luta sem quartel.
Com todos estes ingredientes, aos quais se juntaram verdadeiras pérolas da arte de bem guiar, é natural que os adeptos se sintam amplamente recompensados e reconciliados com esta Fórmula 1 de 2011, na verdade uma colheita vintage, a quem nem a supremacia dos Red Bull e de Vettel tem retirado brilho.
Brilho, mas mesmo muito brilho, teve a corrida de Lewis Hamilton, verdadeiramente imperial na forma como comandou e controlou as operações, conduzindo quase sempre no limite (julgo que não saberá fazê-lo de outra forma), não cometendo o mais pequeno erro e beneficiando de uma estratégia de boxes bem montada. O mesmo se poderá dizer de Fernando Alonso, que continua a senda de recuperação da Ferrari e que, em conjunto com o piloto britânico da McLaren, ainda terá uma palavra a dizer até ao final da temporada.
Claro está que as campainhas já devem ter soado na Red Bull, embora ainda baixinho e, mais cedo ou mais, tarde irá a sair mais um coelho da cartola de Adrian Newey tentando repor a superioridade normalmente ostentada pelos seus carros. Porém, o avanço de Vettel ainda é tão dilatado que o jovem piloto alemão pode ainda dar-se ao luxo de deixar ligado o ‘modo gestão’.
Uma derradeira palavra para os diversos pesos e diversas medidas do Colégio de Comissários Desportivos: em relação a alguns pilotos, um simples espirro é suficiente para fazer sair um drive through, mas outros há que podem ultrapassar o limite do razoável com alguma facilidade e nada lhes acontece. Veja-se o exemplo da luta entre Schumacher e Petrov, com o piloto russo a tentar colmatar as suas óbvias carências como piloto de qualidade média, apoiando-se em diversas mudanças de direção na aproximação às zonas onde queria evitar ser ultrapassado, que culminaram com aquela saída em frente na chicane, e a resistência, para além do plausível, de conseguir compreender que tinha beneficiado com uma manobra ilegal e que devia deixar passar o seu adversário direto. E será que deixou mesmo?
Rui Freire









