Este não foi um fim de semana nada fácil para os intervenientes e adeptos deste mundo dos ‘motores’. O pior, a uma galáxia (ou duas) de distância, o que sucedeu à jovem Laura Salvo. Quando me perguntam porque é que esta gente arrisca a vida assim, eu respondo que podemos morrer deitados na cama a ver TV, a andar pela rua, a trabalhar ou de férias no Taithi, e quem tem a paixão do desporto motorizado, quer seja praticante ou adepto (mais quem anda lá dentro, claro) extrai um prazer, uma adrenalina, que em muito poucas outras atividades consegue ter. Esta é uma paixão que não se explica, como existem outras, escalar o Evereste, vestir um ‘wingsuit’ e atirar-se duma montanha abaixo. Há muitos mais exemplos e só quem o faz percebe. Claro que de vez em quando vamos lamentar tragédias destas, ou acidentes em que as pessoas se aleijam e ficam marcadas para a vida. Mas vale a pena admirar estes heróis, pois eles oferecem-nos momentos muito intensos. Quem está na estrada nos ralis a ver passar os carros partilha aqueles momentos com quem lá vai dentro, por isso depois também partilhamos a dor quando algo corre mal. É verdade que isso marca, e ‘este’ marcou mais porque andava lá no meio, vi muitas lágrimas e dor. Isto foi no sábado. Já o domingo ficou marcado de forma diferente, o Filipe Albuquerque Campeão da ELMS, algo que ele já perseguia há tanto tempo, e por fim o Mick Schumacher a oferecer o capacete do pai ao Lewis Hamilton. E aquele gesto vai muito para lá duma simples oferta, é uma espécie duma passagem de testemunho de pessoas que vivem no limite e com isso também nos fazem sentir mais vivos.












