O antigo patrão da Fórmula 1 e ex-chefe de equipa da Brabham, Bernie Ecclestone, esteve no Estoril para rever um dos carros mais marcantes da sua carreira. Numa conversa curta com o AutoSport, partilhou memórias do circuito português, falou da sua relação atual com o desporto e até deixou uma sugestão curiosa para o futuro da categoria.
“É sempre bom ver este carro aqui. Já os vi noutros sítios, temos outros exemplares, mas aqui em particular é especial”, disse Ecclestone, visivelmente satisfeito com o reencontro com o BT52, carro com que Nelson Piquet foi campeão e o carro que mudou a F1, ao implementar as paragens nas boxes.

Estoril, uma oportunidade perdida
Questionado sobre o circuito do Estoril, o britânico admitiu que há muito a fazer: “Sim, precisa de algumas remodelações.” Ecclestone recordou ainda a tentativa falhada de comprar a pista: “Mas gosto muito da pista. Por isso tentei comprá-la há alguns anos. Estava preparado para investir, comprar também o hotel e reconstruir tudo. Mas houve todo o tipo de complicações para impedir a venda. As pessoas nunca conseguiram aceitar a ideia de vender o circuito.”
Apesar do insucesso, reconhece que gostaria de ter concretizado o negócio. “Sim, gostava que tivesse sido possível fazer algo. É uma pista especial para mim, uma das minhas favoritas. Queria trazer a F1 cá.”

O legado e a relação com a F1 atual
Ecclestone foi questionado sobre a herança que deixou ao desporto, mas respondeu com a humildade que o caracteriza: “Não penso nisso. As pessoas, no fundo, estavam só a fazer o seu trabalho. Eu fiz o meu, e pronto.”
Hoje, segue a Fórmula 1 de forma diferente: “Provavelmente com mais paixão. Antes estava demasiado envolvido com toda a organização. Agora posso ver o que está a acontecer sem ter de intervir. Antes, muitas vezes, saía a meio da corrida. Hoje posso finalmente assistir.”
Sobre se sente falta de ser o “chefe” da modalidade, a resposta é direta: “Não, não sinto. Foi uma parte da vida que terminou. Segui em frente.”

Negócios e conselhos
Mesmo afastado do comando da F1, Ecclestone mantém-se ativo: “Estou em negócios diferentes. Nunca paro. Só vou parar quando não conseguir continuar.”
Admitiu também que continua em contacto com muitas figuras da Fórmula 1: “Falo com eles regularmente, estou em contacto com a maioria. Se eles precisam de alguma coisa, ligam-me para ver se posso ajudar. Não sou propriamente um conselheiro oficial, mas pedem-me opiniões. Acho que isso vai acabar em breve, mas ainda acontece.”

Acabar com pontos e trocar por medalhas
Apesar da distância, Ecclestone não deixa de pensar em formas de melhorar a categoria. “Há milhões de coisas que poderiam ser mudadas. Mas uma ideia que sempre tive foi acabar com os pontos e atribuir medalhas — ouro, prata e bronze. São algo que os pilotos podem guardar e recordar. Se perguntar ao Nelson [Piquet] quantos pontos fez, ele provavelmente não sabe. Mas se tivesse medalhas, lembrava-se.”
No Estoril, Bernie Ecclestone mostrou que, apesar de ter deixado a liderança da Fórmula 1, continua ligado ao desporto que ajudou a transformar numa máquina global. Com a sua visão crítica e pragmática, mantém viva a chama de quem moldou décadas de corridas.











Está cá um exemplo gritante da razão de Portugal não ir para a frente… Interesses individuais sempre se sobrepoem a interesses coletivos e beneficos para a população.
Uma eventual denda do Estoril ao Ecclestone teria colocado Portugal dentro do mundial de F1 ou pelo menos facilitava em muito a vinda das equipas para Portugal, para testes ou apresentações.
Basta ver o que ele fez ao circuito de Paul Ricard depois que o comprou… Antes um circuito praticamente aruinado, tal como Estoril, hoje um dos melhores do mundo em termos de instalações.
Nós preferimos assim. Um círcuito fantasma, onde empresas se divertem por vezes com eventos e clientes. E claro, o hotel abandonado.
Típico.