Bernie Ecclestone: “Estoril é uma das minhas preferidas… Por isso a quis comprar”

Por a 2 Setembro 2025 11:11

O antigo patrão da Fórmula 1 e ex-chefe de equipa da Brabham, Bernie Ecclestone, esteve no Estoril para rever um dos carros mais marcantes da sua carreira. Numa conversa curta com o AutoSport, partilhou memórias do circuito português, falou da sua relação atual com o desporto e até deixou uma sugestão curiosa para o futuro da categoria.

“É sempre bom ver este carro aqui. Já os vi noutros sítios, temos outros exemplares, mas aqui em particular é especial”, disse Ecclestone, visivelmente satisfeito com o reencontro com o BT52, carro com que Nelson Piquet foi campeão e o carro que mudou a F1, ao implementar as paragens nas boxes.

Estoril, uma oportunidade perdida

Questionado sobre o circuito do Estoril, o britânico admitiu que há muito a fazer: “Sim, precisa de algumas remodelações.” Ecclestone recordou ainda a tentativa falhada de comprar a pista: “Mas gosto muito da pista. Por isso tentei comprá-la há alguns anos. Estava preparado para investir, comprar também o hotel e reconstruir tudo. Mas houve todo o tipo de complicações para impedir a venda. As pessoas nunca conseguiram aceitar a ideia de vender o circuito.”

Apesar do insucesso, reconhece que gostaria de ter concretizado o negócio. “Sim, gostava que tivesse sido possível fazer algo. É uma pista especial para mim, uma das minhas favoritas. Queria trazer a F1 cá.”

O legado e a relação com a F1 atual

Ecclestone foi questionado sobre a herança que deixou ao desporto, mas respondeu com a humildade que o caracteriza: “Não penso nisso. As pessoas, no fundo, estavam só a fazer o seu trabalho. Eu fiz o meu, e pronto.”

Hoje, segue a Fórmula 1 de forma diferente: “Provavelmente com mais paixão. Antes estava demasiado envolvido com toda a organização. Agora posso ver o que está a acontecer sem ter de intervir. Antes, muitas vezes, saía a meio da corrida. Hoje posso finalmente assistir.”

Sobre se sente falta de ser o “chefe” da modalidade, a resposta é direta: “Não, não sinto. Foi uma parte da vida que terminou. Segui em frente.”

Negócios e conselhos

Mesmo afastado do comando da F1, Ecclestone mantém-se ativo: “Estou em negócios diferentes. Nunca paro. Só vou parar quando não conseguir continuar.”

Admitiu também que continua em contacto com muitas figuras da Fórmula 1: “Falo com eles regularmente, estou em contacto com a maioria. Se eles precisam de alguma coisa, ligam-me para ver se posso ajudar. Não sou propriamente um conselheiro oficial, mas pedem-me opiniões. Acho que isso vai acabar em breve, mas ainda acontece.”

Acabar com pontos e trocar por medalhas

Apesar da distância, Ecclestone não deixa de pensar em formas de melhorar a categoria. “Há milhões de coisas que poderiam ser mudadas. Mas uma ideia que sempre tive foi acabar com os pontos e atribuir medalhas — ouro, prata e bronze. São algo que os pilotos podem guardar e recordar. Se perguntar ao Nelson [Piquet] quantos pontos fez, ele provavelmente não sabe. Mas se tivesse medalhas, lembrava-se.”

No Estoril, Bernie Ecclestone mostrou que, apesar de ter deixado a liderança da Fórmula 1, continua ligado ao desporto que ajudou a transformar numa máquina global. Com a sua visão crítica e pragmática, mantém viva a chama de quem moldou décadas de corridas.

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2 comentários

  1. Donadel

    2 Setembro, 2025 at 12:28

    Está cá um exemplo gritante da razão de Portugal não ir para a frente… Interesses individuais sempre se sobrepoem a interesses coletivos e beneficos para a população.

    Uma eventual denda do Estoril ao Ecclestone teria colocado Portugal dentro do mundial de F1 ou pelo menos facilitava em muito a vinda das equipas para Portugal, para testes ou apresentações.

    Basta ver o que ele fez ao circuito de Paul Ricard depois que o comprou… Antes um circuito praticamente aruinado, tal como Estoril, hoje um dos melhores do mundo em termos de instalações.

  2. [email protected]

    2 Setembro, 2025 at 18:28

    Nós preferimos assim. Um círcuito fantasma, onde empresas se divertem por vezes com eventos e clientes. E claro, o hotel abandonado.
    Típico.

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