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50 anos do Circuito do Estoril: Parabéns ‘velho amigo’… | AutoSport
 

50 anos do Circuito do Estoril: Parabéns ‘velho amigo’…


Circuito, Autódromo, tanto faz. A pista do Estoril completa hoje precisamente 50 primaveras desde o dia do seu ‘nascimento, a 17 de junho de 1972. Na verdade chama-se mesmo Circuito Estoril, quando a F1 era visita habitual – foi hábito chamar-lhe Autódromo do Estoril, ou ainda para os mais puristas, Autódromo Fernanda Pires da Silva, em homenagem à dona da Autodril, empresa responsável pela sua gestão durante também longas décadas: desde que foi inaugurado, com pompa e uma delegação presidida pelo chefe do Governo de então, Marcello Caetano, a 17 de junho de 1972.

Fórmula1: Uma era inesquecível
O Autódromo do Estoril foi palco de 12 corridas do Campeonato do Mundo de F1. Momentos inesquecíveis desde a primeira vitória de Senna ao terrível acidente de Patrese, passando pela esperança portuguesa com Pedro Lamy

O GP de Portugal de F1 regressou em 1984, após uma ausência de mais de duas décadas. Palco escolhido: o Autódromo do Estoril, então a única pista permanente em Portugal capaz de albergar corridas de F1. Durante13 anos, a prova realizou-se religiosamente, sempre no final da temporada – com exceção da segunda edição, em 1985, que decorreu em abril. Depois da morte de Ayrton Senna, as exigências da FIA relativamente à segurança das pistas que podiam organizar Grandes Prémios condenou a continuação da corrida portuguesa. A sua última edição, em 1996, coincidiu – ou talvez não… – com o desaparecimento de César Torres, o grande mentor e responsável pela existência, em Portugal, de provas dos dois principais campeonatos do Mundo: F1 e Ralis.
Entre 1984 e 1996 tiveram lugar 13 Grandes Prémios de Portugal de F1. Cada um, com a sua história, a sua glória e, bastas vezes, o seu drama. Vamos tentar recordar, em poucas palavras, cada um deles.

1984 – Foi a 16ª e última jornada do campeonato e decidia o título. Niki Lauda precisava de ser 2º para ser campeão e conseguiu-o quando Nigel Mansell fez um pião a 18 voltas do fim. Alain Prost venceu, mas perdeu o título por meio ponto.
1985 – Ficou na história por ter sido palco da primeira vitória na F1 de Ayrton Senna, imperial na tempestade que se abateu sobre a pista no dia da corrida.
1986– Ayrton Senna fez a pole, mas ficou sem gasolina e deixou a vitória a Nigel Mansell, terminando em 4º lugar.
1987– Prost assinou a sua 28ª vitória na F1, ultrapassando o recorde de Jackie Stewart. A corrida foi marcada por um acidente múltiplo na largada, provocado por Piquet e Alboreto e que envolveu mais sete carros. Apenas Christian Danner não pôde alinhar na segunda partida.
1988– Foi uma corrida polémica. Teve três partidas. Numa delas, Senna apertou Prost contra o muro das boxes e iniciou ‘oficialmente’ a sua relação de ódio com o francês. Mansell acertou no McLaren de Senna, quando ambos tentavam passar Jonathan Palmer e desistiu, com o brasileiro a atrasar-se. Venceu Prost, mas o herói foi Ivan Capelli, 2º com o March equipado com um motor atmosférico.
1989–A corrida do célebre toque entre Mansell e Senna, no final da reta da meta, numa altura em que o britânico tido já recebido bandeira preta, por ter feito marcha atrás nas boxes, ignorando-a deliberadamente. Gerhard Berger, alheio a estas confusões, aproveitou para vencer, na frente de Prost e de um surpreendente Stefan Johansson, ao volante de um Onyx.
1990–Nigel Mansell ganhou, apesar de ter sido embatido por Philippe Alliot, a nove voltas do fim, quando o francês fez pião com o Ligier na Curva 2 mesmo à sua frente. Foi o segundo triunfo da Ferrari.
1991 – Pedro Chaves falhou a pré-qualificação e deixou a Coloni e a F1. Esta foi a corrida em que Mansell perdeu uma roda nas boxes e foi desqualificado por ter sido assistido no pitlane para lhe ser colocada uma nova roda no Williams, o que era contra os regulamentos. O seu colega de equipa, Riccardo Patrese, fez a pole e dominou os acontecimentos com facilidade, batendo Senna por quase 21s.
1992–O acidente entre Berger e Patrese, em plena reta da meta, com o italiano quase a fazer um looping, a centímetros da passagem superior da pista, saindo ileso, foi o acontecimento mais impressionante da corrida. Que foi ganha por Nigel Mansell, com o outro Williams.
1993– Pedro Lamy fez pela primeira vez a prova portuguesa: ao volante de um Lotus, foi 18º nos treinos, mas abandonou com um pião a dez voltas do fim, quando estava perto dos pontos. Michael Schumacher levou o Benetton/Ford a uma confortável vitória justa sobre o Williams de Prost,que garantiu o seu 4º título e anunciou o abandono da F1 no final da temporada.
1994–Os Williams foram imparáveis, com Damon Hill a vencer na frente de David Coulthard, que liderou até ser atirado para fora de pista por Erik Comas, na volta 28. O escocês foi despedido após a prova, por ter alegadamente assinado com a McLaren, sendo substituído por Mansell nas três corridas que faltavam disputar.
1995–David Coulthard venceu… com o Williams, equipa em que foi obrigado a ficar pla FIA, pois o seu acordo com a McLaren era ilegal! Schumacher foi 2º, numa corrida em que Ukyo Katayama voou sobre o pelotão na largada, capotando e sofrendo ligeiros ferimentos. Pedro Lamy foi 17º nos treinos, mas abandonou à 7ª volta com problemas na caixa de velocidades do Minardi.
1996 – A última corrida de F1 em Portugal foi ganha por Jacques Villeneuve, autor de uma fenomenal ultrapassagem a Schumacher, em plena Parabólica, por fora! O alemão alegou ter-se distraído com o bem mais lento Giovanni Lavaggi e terminou em 3º, atrás ainda do outro Williams, de Hill.
A prova manteve-se no calendário de F1 para 1997, mas acabou por ser cancelada, por motivos obviamente económicos… e políticos.

Os grandes casos e dramas
A história da F1 no Autódromo do Estoril não foi feita apenas de grandes corridas e grandes vitórias e derrotas. Houve, também, muitas histórias e dramas que ficaram por contar. A mais conhecida é o célebre toque entre Nigel Mansell – que tinha recebido bandeira negra –e Ayrton Senna, no final da reta da meta, na edição de 1989. Fotos do incidente, que afastou Senna da corrida ao título, correram mundo e ficaram na história da F1.
O despiste de Gerhard Berger, em 1993, quando acertou de frente nos rails do outro lado da pista, no momento em que estava a sair das boxes, quase levando consigo Derek Warwick– sendo depois acusado em direto de “estupidez” por José Pinto, o que levou a um longo desaguisado entre ambos – foi outro dos ‘casos’ da prova portuguesa. Na altura, Berger alegou que tinha sido uma falha da suspensão ativa do Ferrari a provocar o acidente…
Porém, o que talvez tenha ficado mais escamoteado, embora tenha sido o mais decisivo para o resultado de uma corrida – e, outra vez, para o título de campeão do Mundo –foi a perda de uma roda, em pleno pit lane, pelo Williams/Honda de Mansell, quando estava no comando. Foi no ano de 1991 e, nessa altura, o britânico perdeu uma magnífica hipótese de voltar a vencer na pista portuguesa: a equipa montou nova roda, a dez metros da sua boxe, o que foi considerado ilegal. Mansell caiu para o 17º e conseguiu recuperar até 6º, altura em que recebeu bandeira negra e foi obrigado a abandonar.

Palmarés GP de Portugal 1984/1996 (Estoril)

1984 – Alain Prost (McLaren/TAG Porsche)
1985 – AyrtonSenna (Lotus/Renault)
1986 –Nigel Mansell (Williams/Honda)
1987 – Alain Prost (McLaren/TAG Porsche)
1988 – Alain Prost (McLaren/Honda)
1989 – Gerhard Berger (Ferrari)
1990 – Nigel Mansell (Ferrari)
1991 – Riccardo Patrese (Williams/Renault)
1992 – Nigel Mansell (Williams/Renault)
1993 – Michael Schumacher (Benetton/Ford)
1994 – Damon Hill (Williams/Renault)
1995 –David Coulthard (Williams/Renault)
1996 –Jacques Villeneuve (Williams/Renault)

Rally de Portugal: a festa do slalom no Autódromo do Estoril

As memórias do Rali de Portugal não perduram apenas nas serras de Sintra, Açor, Freita, Fafe ou Marão. Durante décadas, e já depois da cerimónia do pódio ter consagrado os que chegavam ao fim da aventura, a prova portuguesa terminava em apoteose com o slalom no Autódromo do Estoril, onde a palavra de ordem era proporcionar espetáculo a milhares de entusiastas que enchiam as bancadas para assistir a um recital de acelerações, derrapagens e muita borracha queimada…

Se, à partida, um circuito e uma prova de estrada terão pouco em comum, a verdade é que o Rali de Portugal assentou a sua história numa forte ligação ao Autódromo do Estoril. Em outubro de 1972, apenas quatro meses volvidos sobre a inauguração, o autódromo recebia os concorrentes do VI Rallye Internacional TAP para a disputa de uma Prova de Classificação e, três dias depois, para a prova complementar de slalom. O conceito não era novo: desde a sua primeira edição, o Rallye TAP contava com a realização de uma prova de slalom no final da competição, nos jardins do Casino Estoril, mas quando o primeiro circuito permanente abriu as portas, passou a ser o local escolhido para o acontecimento. O slalom decorria após a chegada ao final do rali e não contava para a classificação, havendo no entanto uma pontuação com atribuição de prémios específicos para os mais rápidos. Naquele ano de 72, o britânico Robert Bean, conduzindo um Ford Escort MKI, levaria para casa a taça do vencedor e um prémio monetário de 5000 Escudos (25 €)! O “TAP” gozava já de elevada popularidade e nessa manhã de domingo, o ainda jovem autódromo registava uma das maiores afluências de público, dando assim o mote para que, até ao final da década de 80, ali fosse cumprida a tradição da festa do slalom do Rali de Portugal.

Formato original
Durante os anos em que o Estoril foi o centro nevrálgico do Rali de Portugal, o autódromo assumiu um papel preponderante na estrutura da prova. Se inicialmente era apenas o palco da chegada, passou a partir de 1976, a ser igualmente o local de partida e acolhendo durante vários anos, as verificações técnicas aos veículos participantes. Não é por isso de estranhar que a pista construída no sopé da Serra de Sintra tenha servido de pano de fundo a alguns dos episódios mais marcantes da vida do rali. A imagem de Markku Alen, cumprimentando Hannu Mikkola, em 1978, instantes depois de terem protagonizado um duelo sem precedentes em Sintra, contrasta com a dos carros oficiais, parados junto às boxes, em 1986, de onde já não arrancariam, na sequência do acidente de Joaquim Santos na Lagoa Azul.

Seria contudo através do slalom que o autódromo ficaria ligado ao êxito daquele que já foi considerado o melhor rali do mundo. Com as demonstrações de perícia das grandes estrelas dos ralis, a equipa liderada por César Torres pretendia dar visibilidade e aumentar o retorno mediático da prova portuguesa, promovendo ao mesmo o fascínio da modalidade junto do público. O slalom tornou-se rapidamente num espetáculo com estatuto próprio, levando famílias inteiras às bancadas do circuito, numa iniciativa sem paralelo nas restantes provas do campeonato do mundo. No entanto, a evolução operada nos ralis na segunda metade dos anos 80, no sentido da uniformização das provas de estrada, deixava cada vez menos espaço para este tipo de iniciativas e no final da década, o Rali de Portugal ficava órfão do seu slalom. Curiosamente, a FIA voltou a refletir sobre a importância destas ações e os road show que acontecem nos dias de hoje, um pouco por todo o mundo, herdaram o princípio básico do velho slalom do autódromo, onde muitos dos que hoje cultivam a paixão pelos ralis, foram contagiados pela mestria de Alen, Biasion, Quim Santos e ‘companhia’ a queimar borracha na reta do Estoril…

Competição a sério
Em quatro ocasiões, o Autódromo do Estoril serviu igualmente de palco a Provas de Classificação do Rali de Portugal. A primeira aconteceu logo em 1972. No final da segunda etapa, e em 5 séries com cerca de duas dezenas de carros, os concorrentes percorreram sete voltas ao circuito. Debaixo de uma forte chuvada, Bernard Darniche, em Alpine Renault A110 foi o mais rápido, deixando o seu companheiro Jean Pierre Nicolas a 1 segundo.

Entre 1987 e 89, a Super Especial do Autódromo do Estoril abriria as hostilidades do rali, constituindo uma espécie de fraca consolação para a ausência da ronda de Sintra, em consequência do trágico acidente de 86. Apesar de ser o primeiro troço, onde pouca coisa haveria para contar, a verdade é que as voltas do Estoril guardam algumas histórias interessantes: em 1987, um jovem de Madrid, escolheu Portugal para fazer a estreia no Mundial, ao volante de um Ford Sierra RS Cosworth. Ao fazer o tempo de 6m27s, o espanhol venceu a sua primeira classificativa, saindo do Estoril na liderança da prova. Até aos nossos dias, haveria de triunfar em mais 755 troços e o seu nome, Carlos Sainz, está gravado a ouro na história do WRC. No ano seguinte, Markku Alen perseguia a sexta vitória entre nós, mas um problema de transmissão no Lancia Delta Integrale obrigou-o a parar durante a Super Especial, sendo rebocado até ao final da classificativa. O finlandês hipotecou no Estoril as suas aspirações, mas continua na sua posse o recorde de cinco vitórias no Rali de Portugal.

Fórmula 2 (1973 a 1977): Escola de talentos
Na década de 70 a F2 era a fórmula de acesso à F1 e o Circuito do Estoril foi palco de algumas animadas corridas onde despontaram talentos como René Arnoux, Jacques Laffite, Keke Rosberg e Alain Prost

A Fórmula 2 foi um campeonato importante, na década de 70, altura em que era considerado como uma porta de acesso à F1. Pois foi precisamente nesse tempo dourado que visitou o Circuito do Estoril por quatro vezes: 1973 e 1975. Designadas I, II, III e IV Grande Prémio do Estoril, a primeira edição teve lugar a 21 de outubro de 1973, a segunda a 9 de março de 1975, a terceira a 8 de agosto de 1976 e a quarta a 2 de outubro de 1977.
Em 1973, Jean-Pierre Jarier dominou os acontecimentos, depois de ter ganho as duas mangas que compunham o evento, ao volante do March 732 da equipa oficial. Jacques Coulon terminou em 2º, noutro Mach, na frente de Rolf Stommelen, 3º com um Brabham BT40 da FINA. “Nicha” Cabral foi 8º, com outro dos March oficiais, na frente do seu colega de equipa, Hans-Joachim Stuck.
Em 1974 estava prevista uma segunda edição, em data indefinida, mas os acontecimentos políticos inviabilizaram a sua realização, tendo sido adiada para o ano seguinte. Assim, a jornada do Estoril do campeonato da Europa de F2 foi a que abriu o calendário e disputou-se sob chuva intensa. Jacques Laffite foi o vencedor, com um Martini MK16/BMW, na frente dos March de Jo Vonlanthen e Lamberto Leoni e do Osella de Giorgio Francia.

Mário Silva colega de equipa de Prost
René Arnoux ganhou a terceira edição, com o Martini MK19 da Écurie Elf, subindo ao lugar mais alto de um pódio composta ainda por Jean-Pierre Jabouille (Elf2J/Renault) em 2º e o brasileiro Alex Dias Ribeiro (March 762/BMW oficial) em 3º.
O IV Grande Prémio do Estoril foi palco de uma dobradinha da Martini, através de Didier Pironi e de René Arnoux, que bateram facilmente o Ralt RT1/BMW de Eddie Cheever e o Chevron B40 de Keke Rosberg. Portugal voltou a ter um representante, no caso Mário Silva, mas o então jovem piloto falhou a qualificação, com o Kauhsen/Renault da equipa oficial, onde o primeiro piloto era então um rapaz de 22 anos, chamado Alain Prost…
Depois deste ano, a F2 nunca mais voltou ao Estoril. Ainda existiram provas previstas para as temporadas de 1979 e 1980, mas foram canceladas.

As grandes jornadas do DTM
O Circuito do Estoril foi durante muito tempo um local privilegiado para testes do DTM, e o Campeonato Alemão de Turismo visitou no passado o nosso país para algumas corridas a sério…

Na verdade, existia uma relação de amor entre o Circuito do Estoril e o DTM, que vinha testar todos os anos à pista portuguesa, desde dezembro de 1986. Porém, somente em 1995 é que a competição se estreou, mas sempre integrada no calendário do ITC (International Touring Car), um campeonato realizado fora da Alemanha, com os mesmos carros e equipas do DTM e que não passou de uma tentativa (frustrada) de salvar o cada vez mais caro campeonato alemão.
O ITC chegou ao Estoril a 6 de maio de 1995 – como quarta e penúltima ronda de um calendário que passou ainda por Mugello, Helsínquia, Donington e Magny-Cours.
Bernd Schneider venceu a primeira corrida, na frente de Jan Magnussen, ambos com um AMG-Mercedes C-Klasse. A seguir, ficaram dois Alfa Romeo V6 Ti, com Nicola Larini na frente de Giancarlo Fisichella.
Ni Amorim, com um Opel Calibra V6, foi o melhor dos dois portugueses presentes, terminando em 18º, um lugar à frente de Pedro Couceiro (Alfa Romeo 155 V6 TI). Na segunda corrida, Magnussen terminou na frente de Schneider, seguindo-se Dario Franchitti e Alexander Grau, também em AMG-Mercedes C-Klasse. O primeiro Alfa Romeo foi apenas 5º e foi o de Stefano Modena. Amorim foi 15º e Couceiro ficou pelo caminho.

De Nannini a Albers
A segunda jornada do ITC teve lugar a 20 de maio de 1996, e a primeira das duas corridas foi dominada pelos Alfa Romeo 155 V6 TI, com Alessandro Nannini na frente de Giancarlo Fisichella. O pódio ficou completo com o primeiro de quatro Opel Calibra V6, pilotado por Klaus Ludwig.
Nannini voltou a vencer na segunda prova, mas agora na frente de Uwe Alzen e Manuel Reuter, ambos em Opel. Ao contrário do sucedido no ano anterior, nenhum piloto português participou nesta jornada, que teve 18 carros na grelha e uma monumental carambola na Curva 2, envolvendo vários carros, com o maior prejuízo para Gianni Giudici e Michael Bartels, ambos em Alfa Romeo 155 V6 TI. Este ano significou o fim do ITC e uma pausa no DTM, que foi reativado somente em 2000.
O Campeonato Alemão de Turismo voltou a visitar o nosso país em 2004, numa corrida de tributo a Ayrton Senna em que foi inaugurada a Praça Ayrton Senna no Circuito do Estoril. A corrida foi vencida por Christjan Albers num Mercedes que bateu o sueco Mattias Ekstrom após uma fantástica ultrapassagem na reta da meta.

Visitas únicas do WTCC e WTCR
Em 2008 o Circuito do Estoril foi palco de um dos momentos altos da carreira de Tiago Monteiro. O piloto da SEAT levou ao delírio os adeptos nacionais com uma inesquecível vitória ‘caseira’

O Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC) realizou-se apenas uma vez, no ano de 2008, no circuito do Estoril. E, para a pequena história nacional nesta competição, foi palco de uma das vitórias com a assinatura de Tiago Monteiro naquele campeonato.
O triunfo de Tiago Monteiro, que na altura pilotava um SEAT Leon TDI, começou a desenhar-se na… primeira corrida, onde foi 7º classificado. Isso dava-lhe direito a partir, para a segunda corrida, da linha dianteira da grelha. No arranque não conseguiu garantir de imediato a liderança, sendo batido por Félix Porteiro.
Porém, ainda na volta inicial, assumiu o comando da corrida, de onde nunca mais saiu. Ao ‘seu’ pódio subiram Yvan Müller, 2º com outro SEAT Leon TDI, e Andy Priaulx, 3º com um BMW 320si.
A primeira corrida tinha sido ganha pelo sueco Rickard Rydell, num SEAT LeonTDI, que bateu Nicola Larini (Chevrolet Lacetti) e Yvan Müller. Depois desta jornada, o WTCC continuou em Portugal, mas nunca mais regressou ao Estoril.

Na única passagem da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) pelo Estoril, Tiago Monteiro poderia ter sido novamente feliz como tinha sido no WTCC, liderando a segunda corrida do fim de semana até ao capô do Honda Civic TCR se soltar e ter-lhe roubado a vitória.
Monteiro começou a corrida como líder da Taça do Mundo depois de ter terminado a primeira corrida no quarto lugar, largando da primeira linha e com perspetivas de marcar muitos pontos, piscando o olho à vitória. A corrida até começou bem para Monteiro, aproveitando o mau arranque de Esteban Guerrieri (Honda), subiu para primeiro e manteve-se na frente enquanto atrás de si borbulhavam as lutas por posições. Atrás de si tinha o seu companheiro de equipa Attila Tassi (Honda), que esteve praticamente toda a corrida mais preocupado com o que acontecia no seu retrovisor. O ataque a Monteiro era pouco provável, pelo que o experiente piloto português podia gerir a corrida da melhor forma, até à volta 10, quando o capô do seu carro abriu-se parcialmente o que levou à amostragem de bandeira preta e laranja, forçando-o entrar na box e a cair para o fim do pelotão, entregando a Tassi a liderança da prova. Tassi conseguiu aguentar o primeiro lugar, cruzando a linha de meta em primeiro, seguido de Jean-Karl Vernay e Norbert Michelisz.
A primeira corrida do fim de semana tinha sido vencida por Yann Ehrlacher (Lynk&CO), com Yvan Muller e Santiago Urrutia nos lugares do pódio.

Só grandes corridas
O Circuito do Estoril foi ainda palco de grandes competições internacionais que ficaram gravadas na memória dos milhares de adeptos que costumavam encher as bancadas nos bons velhos tempos.

O Circuito do Estoril foi palco de centenas de corridas, de diversas categorias e modalidades. Desde monolugares, como a F1, F2 ou Fórmula Renault, aos carros de Turismo, GT ou Sport Protótipos, muitos foram também os campeonatos, mundiais, europeus ou simplesmente… campeonatos, que visitaram a pista. Algumas corridas fizeram história; outras, encontram lugar à parte, nesta pequena galeria do Circuito do Estoril. Mas algumas outras têm que ficar aqui, reduzidas a um tamanho menos nobre, mas ainda assim presente.

Mundial de Karting (1979)
O Campeonato do Mundo de Karting teve lugar no Estoril, 1979. Usou-se então um traçado desenhado na zona das boxes, passando junto à base da torre de controlo e também parte da pista principal. Ayrton Senna foi um dos pilotos que participaram na jornada e, após dominar, cometeu um erro de cálculo: na última volta da última manga, deixou o seu colega Peter Koene de equipa passar, oferecendo-lhe o triunfo e dando assim uma ‘dobradinha’ à equipa. Só que as suas contas saíram furadas: os dois ficaram empatados em número de pontos, mas o campeão foi Koene, porque tinha sido o mais rápido nos treinos, o que funcionou como fator de desempate.

F3000 (1985 e 1994 a 1996)
Logo na sua primeira temporada, a F3000 – que substituiu a F2 em 1985 – teve uma prova disputada no Estoril, a 21 de abril de 1985, A prova foi ganha por John Nielsen (Ralt), a uma média de 168,640 km/h. A segunda vez que a F3000 correu no Estoril foi apenas a 25 de setembro de 1994, precisamente o ano a seguir à saída, como vice-campeã, de Pedro Lamy. A prova, que foi a penúltima do calendário, foi ganha por Jean-Christophe Boullion, que se sagrou campeão nesse ano, depois de vencer as três últimas corridas, com dois pontos de vantagem sobre Franck Lagorce, que tinha dominado a primeira parte da temporada. Tarso Marques venceu a 24 de setembro de 1995 e Ricardo Zonta a 21 de setembro de 1996 – ano em que Pedro Couceiro foi 8º, com o carro da Madgwick International. A F3000, que então acompanhava a F1, deixou o circuito do Estoril juntamente com a categoria principal, já não se realizando em 1997.

GT e Sport
Quase tudo o que é corrida de Sport e GT visitou, numa qualquer ocasião, a pista do Estoril. Sem desprimor para qualquer outra, os nossos destaques vão para as jornadas incluídas nos diversos campeonatos de Endurance, cuja primeira edição teve lugar em 1977 e pontuou para o Campeonato do Mundo de Sportscar (Grupo 6). Arturo Merzario, com um Alfa Romeo T33 da Autodelta, foi o vencedor.
Em 2001, as provas de resistência voltaram, agora com uma prova de 1000 km, integrada na European Le Mans Series. O triunfo foi para o Courage C60/Peugeot da PescaroloSport, partilhado por Jan-Christophe Boullion, Laurent Rédon e Boris Derichebourg. Nos dois anos seguintes, a prova contou para o campeonato FIA de Sportscar – em 2002, venceu o Dallara LMP/Judd do Team Oreca, conduzido por Olivier Beretta e Nicolas Minassian; em 2003, Jan-Christophe Boullion voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, agora acompanhado por Stéphane Sarrazin, oferecendo o segundo triunfo a Henri Pescarolo, com o Courage C60 Evo/Peugeot.
A última vez que as grandes corridas vieram ao Estoril foi em 2011, numa edição de seis horas, incluída no calendário da LeMans Series. A equipa de Pescarolo voltou a vencer, mas agora com um Pescarolo 01 Evo/Judd, entregue a Emmanuel Collard e Julien Jousse.
Além disso, por várias vezes, nos últimos anos, o Campeonato de España de GT visitou a pista do Estoril, originando sempre espetaculares corridas, com grelhas interessantes, embora na maioria formadas por equipas ou pilotos portugueses.

Europeu de Turismos (Anos 70)/ETCC
Os campeonatos com carros de Turismo foram um dos balões de oxigénio dos primeiros anos do Circuito do Estoril. Quem não se lembra das lutas que envolveram carros como o BMW 3.0 Coupé CLS, Rover 3500 Vitesse, Ford Sierra Cosworth 4×4, Ford Capri RS, Volvo 240 Turbo ou Jaguar XJS – claro que em alturas e corridas diferentes? Quem não se lembra da Luigi Racing ou da TWR? Ou pilotos como Umberto Grano, Carlo Facetti, Dieter Quester, Tom Walkinshaw, Martino Finotto, Gianfranco Brancatelli ou Helmut Kelleners?
Em 2001, o Campeonato da Europa de Turismo teve a sua última jornada (tripla…) no Estoril e os vencedores das corridas foram Gianni Morbidelli e, na categoria principal, Yvan Muller e Matt Neal. Fabrizio Giovanardi foi então coroado campeão de Super Turismo.
Mais tarde, em 2006, a Taça da Europa disputou-se em jornada única e decorreu no Estoril e o vencedor foi Ryan Sharp (SEAT Leon TFSI) na categoria principal, a Super 2000.

World Series by Renault/Finais Renault
As Finais Renault tiveram o circuito do Estoril como palco por várias vezes. A primeira foi em 2003, trazendo mais uma enchente à pista. A corrida principal foi a Fórmula Renault V6 Euroseries, jornada dupla ganha por José Maria López e Kosuke Matsuura.
Pelo meio, assinalem-se duas presenças da Fórmula Nissan. Em 2001, sob o nome Open Telefónica By Nissan, as corridas foram ganhas por Tomas Scheckter e Andrea Belicchi. Em 2004, a jornada chamou-se World Series by Nissan e as corridas principais foram ganhas por Olivier Pla e Tiago Monteiro.
Este foi o primeiro e último ano das World Series com material Nissan: a partir de 2005, a competição designou-se World Series by Renault e substituiu as célebres Finais Renault. Nesse ano, Andrea Zuber e Felix Porteiro ganharam as corridas de FR 3.5 V6 e Kamui Kobaysahi a prova da FR 2.0 Eurocup.
A série regressou em 2007, ano em que Miguel Molina e Milos Pavlovic venceram na FR 3.5 V6. Álvaro Parente, que viria a ser o campeão, terminou uma corrida em 6º e a outra em 7º. Jon Lancaster dominou a FR 2.0 Eurocup.
O ano de 2008 foi o último que as World Series by Renault visitaram a pista do Estoril. Fabio Carbone e Miguel Molina ganharam na FR 3.5 V6, enquanto na FR 2.0 Eurocup os vencedores foram Daniel Ricciardo e Valtteri Bottas.

Taça Opel das Nações
A Taça das Nações de Fórmula Opel teve lugar uma única vez no Estoril, em 1992. Após duas vitórias consecutivas da equipa portuguesa, formada por Pedro Lamy e Diogo Castro Santos, as expectativas eram enormes para Pedro Couceiro e Manuel Gião, que compunham nesse ano a formação nacional. Por isso, o público encheu por completo as bancadas e o ‘Peão’ do circuito, algo que não se via desde os tempos do Rali de Portugal. Porém, Gião e Couceiro tiveram que se contentar com o segundo lugar, atrás da equipa holandesa, composta por Jos Verstappen e Martijn Koene.

Recordar os heróis mortos
Apesar dos seus 50 anos de vida, felizmente foram escassas as tragédias vividas na pista do Circuito do Estoril. Acidentes espetaculares, com maior ou menor gravidade, sempre existiram – desde a F1 aos Turismos e às corridas nacionais. Quem nãos e lembra do ´”capotanço” múltiplo de José Zamith, nos finais da década de 80, no final da reta da meta, durante uma prova do Troféu Visa? Ou de Sidónio Cabanelas, no mesmo local, mas antes, quando ainda não existia ali a escapatória? Ou de Derek Warwick, que foi parar a um fosso, “quase” no Cascaishopping, com um Renault? Ou, enfim, o de Riccardo Patrese, quando quase levou consigo a “passerelle” superior, na reta da meta?
Mas acidentes mortais, numa corrida de automóveis, existiram somente dois: o que foi fatal a Clemente Ribeiro da Silva, o “Kikas”,durante a prova a contar para o Europeu de Turismo, em 1977, quando, em plena reta da meta, já depois da prova terminar, foi atropelado quando atravessava a pista, pelo carro vencedor.
E o que envolveu os comissários do posto situado na longa curva que existe na “reta” interior, durante uma prova da Copa Renault espanhola, em 1987 e que foi fatal a José Paulo Cadeireiro Ferreira.
Em corridas de motos, recentemente perderam a vida Sérgio Leitão, durante uma prova do campeonato Nacional de Velocidade e ainda Filipa Gomes, piloto da Copa Dunlop Montoval, competição integrada no campeonato nacional de velocidade.
Além destes, há ainda a lamentar mais mortes, por exemplo Domingos Monteiro, 16 anos, e Fernando Jorge, ambos em 1982, em provas do Campeonato Nacional de Motociclismo. E a de Pedro Mathias, durante umas 24 Horas de Karting, em 1995, esta foi relacionada com problemas cardíacos.
Infelizmente, demasiadas tragédias que não gostamos nada de recordar, embora façam parte da história.

Muito mais poderia ser dito sobre os 50 anos do Circuito do Estoril, mas o essencial está aqui. E ainda mais importante, é que ainda se mantenha daqui a mais 50 anos.