Depois da espetacularidade da La Monumental, da exigência da pista e da velocidade, o Grande Prémio de Espanha no Madring deverá ter mais temas de conversa para a corrida de mais logo: A dificuldade em ultrapassar, a degradação dos pneus e a elevada probabilidade de incidentes num circuito citadino novo. Lando Norris parte da pole position, numa grelha em que os quatro primeiros lugares estão repartidos por quatro equipas e separados por diferenças reduzidas.
A estratégia mais provável aponta para uma única paragem, de pneus médios para duros, mas o aparecimento de graining, Safety Car, Virtual Safety Car ou bandeiras vermelhas pode alterar significativamente o cenário. Com a maior via das boxes do ano, as equipas quererão evitar parar mais que uma vez dado o tempo que se perde apenas para entrar e sair. Mas os engenheiros terão de estar atentos as oportunidades, pois as poucas oportunidades de ultrapassagem significam que a estratégia ganha um peso ainda maior hoje.

Os treinos livres confirmaram que o Madring pode gerar interrupções. A primeira sessão decorreu sem bandeiras vermelhas, mas Arvid Lindblad sofreu um acidente na Curva 13 no segundo treino, enquanto o terceiro treino foi interrompido após acidentes de Lewis Hamilton na última curva e de Oliver Bearman na Curva 10. As corridas das provas de apoio mostraram essa realidade de forma bem clara, pelo que se espera uma tarde atribulada.
A utilização dos pneus duros foi limitada nos treinos. Dezanove dos 22 carros mantiveram os dois conjuntos para a corrida, enquanto a Audi foi a única equipa a usar esse composto na sexta-feira, com Gabi Bortoleto a realizar um turno no primeiro treino e Nico Hülkenberg outro no segundo. Liam Lawson utilizou o C2 no sábado de manhã, mas nenhum destes pilotos efetuou uma simulação prolongada e contínua com o composto.
As simulações com mais combustível nos pneus mais macios evidenciaram poucas oportunidades de ultrapassagem e graining relevante. Simone Berra, engenheiro-chefe da Pirelli, referiu a existência de graining nos pneus dianteiro e traseiro esquerdos, por vezes significativo, acelerando o desgaste nos carros com maior tendência para deslizar.
A superfície muito lisa e a aderência apontada como surpreendentemente elevada contribuíram para uma degradação mais acentuada do que a observada noutros circuitos nesta temporada. As temperaturas previstas também aumentam o desafio: não é esperada chuva, a temperatura ambiente deverá rondar os 31 °C e a temperatura de pista poderá atingir os 54 °C.

A estratégia de uma paragem médios-duros apresenta-se como a opção mais provável, com uma janela estimada entre as voltas 18 e 24. A alternativa médios-duros-duros tem um tempo total de corrida idêntico nas simulações da Pirelli, com paragens previstas entre as voltas 10 e 16 e entre as voltas 31 e 37.
Dario Marrafuschi, diretor de Motorsport da Pirelli, considera que o nível de graining poderá determinar a escolha entre uma e duas paragens. Se os pilotos não tiverem andamento nem durabilidade dos pneus suficiente para completar a corrida com apenas uma troca, as equipas poderão recorrer à segunda paragem para gerir a prova.

Quem parte no top 10 dispõe também tem a hipótese de usar macios-duros, com uma paragem entre as voltas 15 e 21, e macios-duros-duros, com janelas entre as voltas 9 e 15 e 30 e 36. O composto macio oferece maior aderência na partida, potencialmente uma das melhores oportunidades para ganhar posições, mas reduz a margem para alongar o primeiro turno.
Para pilotos no final do pelotão, como Bearman, que não marcou tempo na qualificação, o plano duros-médios pode servir para diferenciar a estratégia. A janela ideal para trocar os duros pelos médios situa-se entre as voltas 36 e 42, embora quem siga esta abordagem possa prolongar o turno inicial caso espere beneficiar de Safety Car ou bandeira vermelha.
Foto: Philippe Nanchino / MPSA











