Será que a F1 cresceu tanto que as outras competições perderam espaço? É uma questão que Toto Wolff levantou recentemente. O chefe da Mercedes justificou a saída do DTM e da Fórmula E com o aumento de popularidade do Grande Circo e motivou uma reflexão que pode ser interessante.
Não há dúvidas que a F1 é o maior desporto motorizado do mundo. A sua dimensão sempre foi grande, mas com o recente aumento da popularidade, começa a chegar a um público que no passado pouco se interessava pela competição. O interesse pelas estrelas faz com que mesmo quem não liga muito ao que se passa em pista, siga a F1. E foi por isso que a Mercedes optou por deixar a Fórmula E e o DTM, segundo Wolff:
“Penso que a Fórmula 1 tornou-se tão grande que ofuscou tudo o resto”, disse Wolff a swiatwyscigow.pl. “Fomos realmente felizes, bem sucedidos no DTM durante mais de 30 anos. Mas chegou a um ponto em que uma equipa oficial, se quiser competir, precisa de 40 ou 50 milhões de euros e o retorno do investimento era demasiado pequeno para isso. E é o mesmo na Fórmula E. O público não era suficientemente bom. Por isso, temos o DTM ali, e depois temos a Fórmula E aqui, e depois temos a Fórmula 1 que ocupa a sala toda. Assim, decidimos colocar os recursos na Fórmula 1, em vez de nos distrairmos e de diluirmos recursos para as outras coisas. Penso que estamos a ver que somos tão grandes que o público… Quer dizer, há grandes corridas em Le Mans, no WEC, nos GT3s e DTM, mas isso está a acontecer offline, pode dizer-se. Há fãs das corridas e audiências hardcore que as seguem, mas mais ninguém. Portanto, estão em risco”.
Podemos dizer que a F1 está em contraciclo? É verdade que o WEC, o WRC, o DTM, a Fórmula E iniciaram ou vão iniciar novas fases, que têm muito potencial. Mas para já falamos apenas de potencial, enquanto que a F1 mostra uma vitalidade nunca antes vista. Provavelmente se lê este artigo, dirá que o alemão está errado, mas a verdade é que a percentagem de fãs acérrimos das corridas é pequena. A F1 soube tornar-se apelativa para quem não gosta muito e não entende muito de corridas. Tornou-se num produto apetecível para os fãs hardcore e para os restantes. Será que a F1 pode se tornar tão grande que pode secar as restantes competições? Para já esse cenário parece demasiado remoto, mas se não houver um esforço para que as competições se reinventem e se tornem mais apelativas, o risco poderá ser real.










