Ao longo dos últimos anos a Fórmula 1 tem-se debatido contra a perda de audiências televisivas, mas os responsáveis da modalidade parecem querer continuar a estar ‘fechados’ ao mundo de possibilidades que a internet lhe oferece.
Agora as críticas surgiram não do lado dos adeptos, mas sim de um piloto, Romain Grosjean. O suíço partilhou no seu Facebook dois vídeos – um do dia de filmagens da Haas F1 Team e outro dele próprio – mas a FOM obrigou o piloto a retirar ambas as publicações. Cada uma tinha mais de um milhão de visualizações.
Esta postura mereceu as críticas do piloto. “A Fórmula 1 é muito tacanha. Nós dizemos que perdemos adeptos mas, hoje em dia, as redes sociais têm tantos milhões de pessoas no mundo – e não nos é permitido tirar o máximo proveito disso. Eu acho que os vídeos são ótimos e permitem que as pessoas vejam como é a Fórmula 1 por dentro, nos bastidores, mas não temos permissão”, lamentou o piloto.
Este ‘fechamento’ da Fórmula 1 é quase anacrónico nos nossos dias. Num pólo totalmente oposto, o mais recente caso de sucesso neste campo é a Fórmula E. Em oposição à Fórmula 1, a modalidade está totalmente virada para o mundo virtual, com o FanBoost a ser, provavelmente, o expoente máximo em termos de interação adeptos/corridas. Recordando as palavras do seu diretor-executivo, Alejandro Agag, aquando da realização do primeiro evento da história da competição, em Beijing, China, em 2014: “A Fórmula E é um complemento da Fórmula 1 e, ao mesmo tempo, difere muito dela. Nós temos o objetivo, não apenas da competição, mas também de entretenimento e, mais importante, de estimular e promover as tecnologias para o desenvolvimento de carros elétricos. Virámo-nos para uma audiência jovem, mais habituada a ‘brincar’ com smartphones do que a ficar quase duas horas a ver televisão, e queremos torná-los uma parte ativa do nosso espetáculo”.
O WRC é outro caso do bom usufruto dos novos meios, difundido vídeos de momentos e pilotos históricos da modalidade, assim como as melhores imagens, etapa a etapa, onboards de todos os troços e de todos os pilotos em cada um dos ralis. Mais recentemente, o promotor da modalidade fez um acordo com a empresa DJI – especializada em drones e imagens aéreas – para as 14 provas da temporada de 2016. Tudo medidas para proporcionar aos adeptos uma melhor cobertura e divulgação da disciplina. Face a isto, irá Bernie Ecclestone continuar a ‘fechar’ a modalidade ou mundo, ou esta é uma tendência que tem os seus dias contados a curto prazo?










