A história de Robert Kubica será provavelmente uma das mais interessantes, assim como uma das mais dramáticas do desporto motorizado e o seu nome será lembrado por muito tempo.
Kubica foi um dos maiores talentos da sua geração, e como disse Riccardo Ceccarelli “o piloto que para mim mais se aproximou da perfeição, foi Robert Kubica”. Impressionou desde cedo na F1 pelo seu talento e velocidade e a grande maioria tinha poucas dúvidas que o polaco seria uma das grandes referências da F1 mas o destino não permitiu que isso se concretizasse. Não se pretende recordar a história de Kubica, algo que já foi feito no passado, mas apenas deixar um reparo.
Não serão muitos os pilotos a terem conquistado títulos nos monolugares, nos ralis e no endurance, mas Kubica conseguiu no último fim de semana fazer isso mesmo. Juntou aos títulos conquistados na Fórmula Renault 3.5 Series e no WRC2, o título de campeão europeu de resistência, sendo que os dois últimos foram conquistados já depois do acidente que lhe mudou radicalmente a vida e, por conseguinte, com limitações físicas. Mas Kubica continua a viver o seu sonho e 2021 pode ser considerado uma boa caricatura da sua carreira: o seu talento permite-lhe ter a versatilidade suficiente para competir em diversas categorias, o que fez este ano, competindo na resistência e na F1 (ocupando a vaga deixada livre por Kimi Raikkonen, infetado com COVID 19); O azar, que o acompanha com uma regularidade por vezes assustadora, não permitiu que vencesse as 24h de Le Mans em LMP2, numa das desistências mais cruéis dos últimos tempos, com o carro a ficar parado quando faltavam dois minutos para o fim; Mas apesar do azar, Kubica nunca baixa os braços e isso permitiu-lhe conquistar o ELMS. Talento, azar e resiliência, talvez a fórmula que melhor carateriza Kubica.
Apesar das suas limitações, vai percorrendo o seu caminho, conquistando sucessos, não tão estrondosos como em tempos se imaginou mas, ainda assim, dignos de registo. Conseguir vencer nos monolugares, nos ralis e no endurance é um sinal claro de talento e fazê-lo depois de tantas “quedas” merece ainda mais destaque. Kubica é um caso raro, de alguém que apesar dos percalços, nunca teve medo dos desafios e de andar a fundo. O seu talento está ao nível dos melhores de sempre, mas será recordado pela teimosia em manter-se nas pistas e em tentar vencer.












