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Robert Kubica 10 anos depois do acidente: ‘Alive and Kicking’


Já lá vão 10 anos do seu terrível acidente num Rali em Itália, que o deixou fora da F1. Como se sabe, o polaco regressou aos desportos motorizados em geral e à Fórmula 1 em particular. Uma força da natureza.

Foi em fevereiro de 2011, Robert Kubica não pode iniciar a temporada de F1 com a Renault, depois de ter sofrido um violento acidente num rali disputado na Ligúria, no Noroeste da Itália. O polaco chegou a arriscar a amputação da mão direita, mas depois de sete horas de operação, essa possibilidade foi excluída. O tempo de recuperação foi longo e, por isso, o polaco ficou fora das pistas muito tempo.
O grave acidente deu-se quando disputava um rali regional ao volante do seu Skoda Fabia S2000. Um rail que penetrou no habitáculo causou ferimentos graves em todo o lado direito do piloto polaco, mas depois de más perspetivas iniciais, os males maiores foram evitados.

COMO FOI O ACIDENTE
O violento despiste sofrido por Kubica ocorreu na primeira especial da Ronda di Andora, prova onde no ano anterior falecera Franco Ballerini, antigo ciclista de renome e, na altura, diretor da seleção italiana de ciclismo.
Na primeira de quatro passagens pelo único troço do rali, o polaco saiu de estrada depois de apenas 4,6 km, como contou o seu navegador, Jacub Gerber: “Nem me apercebi do que estava a passar porque estava a ler as notas. Só quando senti o impacto é que vi que o Robert se agarrava ao braço e, depois, desmaiou. Foi porque o rail se interrompia que as coisas assumiram estas proporções. Voltamos a bater no rail, quando este recomeçava e o metal cortou o carro e entrou no habitáculo, ferindo o Robert.”
Com o piloto encarcerado no Skoda Fabia, decorreram quase 90 minutos até ser evacuado de helicóptero para o Hospital da Santa Coroa de Pietra Ligure, a pouco mais de cinco quilómetros do local do acidente. Nessa altura, devido a hemorragias internas, o estado de Kubica inspirava cuidados, mas o polaco foi estabilizado e as fraturas na perna direita tratadas rapidamente.

AMPUTAÇÃO EVITADA
Enquanto decorria a cirurgia ao membro inferior direito, outra equipa ocupava-se da área que requeria maiores cuidados: a mão e o antebraço direito. A amputação chegou a ser considerada, mas depois da reconstrução óssea ter sido um sucesso, o cenário mais dramático foi afastado, passando-se, depois, à fase de microcirurgia, para reconstruir as artérias, tecidos e nervos praticamente esmagados no impacto.
Depois de mais de oito horas de trabalho os médicos deram por terminada a operação, com sucesso

Na altura ficou por tratar um corte profundo num tendão do joelho direito e a fratura dum osso do cotovelo. No primeiro caso a perna foi colocada em tração, para minimizar os danos; no segundo, Kubica necessitava de estar de peito para baixo para ser operado, o que não era aconselhável nesta altura.
Kubica sofreu duas fraturas no antebraço direito e uma no pulso do mesmo lado, sendo nesta zona que as artérias, tendões e músculos sofreram maiores danos.

SEGUNDO ACIDENTE GRAVE
Se o acidente sofrido por Robert Kubica durante o GP do Canadá de 2007 foi o mais espetacular e mediático da sua carreira, já estava longe de ser o mais grave de que o polaco foi vítima antes do que aconteceu no domingo. Apesar do embate no muro a mais de 250 km/hora, de ter capotado e do BMW Sauber que pilotava ter ficado destruído, Kubica sofreu, na altura, apenas uma contusão que o deixou de fora do GP dos EUA, que se disputava no fim de semana seguinte.
Bem pior foi o acidente que teve no início de 2003, na Polónia, também em estrada, e que lhe causou treze fraturas no braço esquerdo e de que ficou com marcas. Também nessa altura a amputação foi uma possibilidade, mas os médicos polacos salvaram-lhe o braço e foram colocadas diversas placas de titânio para ajudar a consolidar as fraturas. Quatro meses depois do acidente Kubica estreou-se na F3 ganhando a primeira corrida que disputou na categoria, em Noirisring.

Depois da recuperação e numa altura em que era impossível correr na F1, dedicou-se ao WRC, usando carros adaptados às duas dificuldades físicas, pois quase não conseguia dobrar o cotovelo direito. Em 2013, foi piloto oficial da Citroën, ganhando o campeonato WRC2, para carros com duas rodas motrizes, mas com o passar do tempo foi elevando o nível das suas prestações em pista, e em 2019 regressou à F1 com a Williams, pontuando uma vez. Foi para a Alfa Romeo, entre o ano passado e este fez sete sessões de treinos livres. Corre na IMSA, na High Class Racing na LMP2, e na ELMS com o Team WRT, também na LMP2.O ano passado fez uma época no DTM. Uma força da natureza, este polaco.