Vou contar-vos um segredo: jornalista que se preze está perfeitamente a marimbar-se para quem ganha, e sendo a sua preocupação exclusivamente o trabalho, só quer uma coisa. Que as competições sobre as quais escreve sejam o mais entusiasmantes e emotivas possível, e quando há muita polémica, tendo em conta que não fomos nós que a provocámos, isso só ajuda à crescente atenção de quem nos lê. Este Grande Prémio da Arábia Saudita é um perfeito exemplo disso mesmo.
Por vezes somos acusados de “estar por este, contra aquele”, mas o que sucede é que estamos sempre do lado do espetáculo e da emoção, e se isso significar que nos dá jeito corridas como a de ontem em Jidá, que assim seja, pois dizer o contrário é hipocrisia.
Estou perfeitamente a marimbar-me se ganha Max Verstappen ou Lewis Hamilton, não quero saber se o inglês chega ao oitavo ou o neerlandês alcança o primeiro. Isso é problema deles e dos seus adeptos.
O que eu queria, é que o campeonato chegasse o mais equilibrado possível à última corrida, porque dessa forma já sei que o interesse dos adeptos se mantém em níveis altos para a semana.
Isso facilita em muito o nosso trabalho. Com tanta coisa que aconteceu ontem, não temos mãos a medir quanto ao que há para escrever. E ainda bem. Garanto-vos que é bem mais complicado quando é preciso ‘inventar’.
Os adeptos mais chegados sabem bem isso.
Por fim, dizer, mais uma vez, que compreendemos porque por vezes os adeptos acham que “somos daqueles” ou “dos outros”. Isso sucede quase sempre, estão muitas coisas escritas nas redes sociais que o provam, esse é melhor indicador que estamos bem. Quando os dois lados da barricada acham que estamos contra eles, estamos bem, reforço. Isso prova o que sempre disse e sempre direi: não imaginam como é fácil a um jornalista olhar para tudo o que se passou ontem e ter muitos milhares de olhos a achar que “somos o inimigo”.
Já sabemos há muito que um adepto – e há-os de todos os tipos – dificilmente conseguirá olhar para as questões com o mesmo distanciamento de um jornalista correto (alguns adeptos certamente conseguem-no, mas não a grande maioria).
O que sucedeu este fim de semana em Jidá, na Arábia Saudita deixou em aberto a disputa pelo título, e para Abu Dhabi só peço uma coisa. Que o título não se resolva da mesma forma que o da foto aqui em cima.
De resto, haver mais ou menos polémica, há gente que chegue para lidar com ela.
Mal ou bem, como dizem os dois lados da barricada Red Bull/Mercedes, adeptos incluídos.
Agora, só resta aguardar que tudo se decida dentro de dias, e desde já uma coisa tenho a certeza: seja qual for que ganhe será com mérito. Verstappen tem 9 vitórias, 17 pódios, 9 poles, Hamilton, 8 triunfos, 16 pódios, 6 poles, o título ficará bem entregue a qualquer um. Mas que a luta seja até à meta. Isso é que era…













