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Opinião: Drive to Survive subiu o nível

Fábio Mendes by Fábio Mendes
22 Março, 2021
in F1, FÓRMULA 1
A A
GP Turquia F1: O ‘primeiro’ em muito tempo que a Mercedes não é favorita?

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A série da Netflix Drive To Survive trouxe uma visão completamente diferente sobre a F1. Uma visão que permitiu a muitos se interessarem pelo desporto. A terceira temporada foi de evolução e claramente melhor do que a segunda.

A primeira temporada agradou a todos, pois a novidade do conceito, o acesso aos bastidores e as histórias de fundo, trouxeram uma nova luz para os fãs da F1 e abriram uma porta a um público que não era interessado pelas corridas. Conheci algumas pessoas que começaram a ver F1 ou se voltaram a interessar pela competição graças à série. “Personagens” como Gunther Steiner e Daniel Ricciardo tornaram-se estrelas pela sua postura muito caraterística. Faltou obviamente o acesso às equipas grandes e o sucesso da primeira temporada “obrigou” Mercedes e Ferrari a abrir as portas e a mostrar mais.

A segunda temporada prometia mais e melhor, pois o campeonato teve muito “sumo” e o acesso às equipas de topo teria de proporcionar um espetáculo ainda melhor. Mas a segunda temporada não correspondeu às expectativas. As personagens da temporada um, estiveram demasiado presentes e sentiu-se que houve vontade de usar a mesma fórmula, ao quadrado, o que tornou a segunda temporada num “passo ao lado”.

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Mas a terceira temporada é uma evolução, e os erros da segunda não foram repetidos. Sim, Ricciardo e Steiner continuam a aparecer e têm destaque. Mas esse destaque é dado porque as suas histórias o justificaram, não apenas porque são engraçados.

Nesta temporada sente-se um foco muito maior nos diretores de equipa. Christian Horner continua a aparecer muito e nota-se que gosta de ser ator, mas a sua participação não é exagerada. Cyril Abiteboul, Toto Wolff, Mattia Binotto, Zak Brown, Fred Vasseur, Steiner… a grande maioria dos chefe de equipa é abordada de forma mais ou menos pormenorizada e ainda bem pois permite-nos entender uma dinâmica que nem sempre está à vista. A forma como “alianças” se formam para tentar anular vantagens que outras equipas possam ter (algo muito bem mostrado no caso da Racing Point) permitem fazer entender a força dos jogos políticos.

Lawrence Stroll também se torna em ator principal e é mostrado numa dicotomia interessante no meio termo entre o apaixonado por corridas que quer ter sucesso e o homem de negócios implacável que faz tremer todos à sua volta.

O foco em Valtteri Bottas num episódio é também interessante pois mostra a vida de um piloto que é visto por todos como nº2, mas que quer vencer. Um episódio onde Bottas mostra um pouco mais sobre a sua visão.

A Ferrari também é abordada pela péssima época e também esse episódio é interessante pois permite entender como funciona a equipa por dentro e mais que isso, a pressão a que os pilotos estão sujeitos.

O Mercado de transferências é uma das linhas mestras e as mudanças de Ricciardo, Carlos Sainz, Vettel e as saídas de Romain Grosjean, Kevin Magnussen e Alex Albon são abordadas.

Há também um episódio sobre a rivalidade entre Lando Norris e Sainz que poderá ser algo estranho pois obviamente que há rivalidade entre os pilotos mas ali temos uma visão mais profunda do que os pilotos pensam, mesmo quando têm uma relação de amizade, que inevitavelmente arrefece quando a luta em pista aquece.

Sem surpresa, o acidente de Grosjean é visto de vários ângulos. Poderá agradar mais a uns do que a outros, mas pessoalmente penso que o drama que vimos na TV durante a corrida foi mais intenso do que aquele que é reproduzido na série e que peca por algum exagero.

Faltou George Russell e a sua promoção temporária à Mercedes. A vitória de Sergio Pérez é mostrada de forma muito boa, mas faltou a referência ao piloto britânico e até à Williams. Mas, ou por falta de autorização, ou por falta de tempo, não foi incluído.

Faltou também mais Portugal… Lewis Hamilton conquistou a 92ª vitória no Autódromo Internacional do Algarve e esse feito foi referido, mas as imagens do AIA não abundam.

Para quem não segue a F1, a série está muito bem feita e nota-se que o objetivo é mesmo atrair quem não vê. Para quem segue, há alguns pormenores que poderão não agradar tanto, mas no geral a série mostra tudo o que a F1 tem… drama, emoção, enredos intrincados e muita paixão. Vale a pena ver.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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