Os pneumáticos têm estado na berlinda nos últimos anos, com borrachas fornecidas pela Pirelli que se degradam rapidamente, impedindo que os pilotos ataquem ao longo das corridas. A companhia italiana, contudo, com os seus produtos, seguiu apenas os desejos das equipas e FOM, que com este tipo de compostos consideravam poder tornar as corridas mais interessantes para o público.
Esta abordagem alterou-se em 2017, mas com a introdução de um novo regulamento técnico, que passava por carros com maior apoio aerodinâmico. Sem meios para realizar os testes que realmente necessitava, a Pirelli optou por jogar à defesa, apresentando pneumáticos mais duros que o realmente necessário, levando a que a partir do meio da temporada os pneus usados fossem os do espectro mais macio, excluindo os ultramacios.
Para 2018, com a informação reunida ao longo de uma época, a companhia de Milão prometeu borrachas mais macias e consistentes de modo a que, habitualmente, cada Grande Prémio tenha, pelo menos, duas paragens nas boxes.
No entanto, a Pirelli foi mais longe e introduziu mais dois tipos de pneus, para cada um dos extremos da sua gama – ultramacios e superduros. O menos performante e mais consistente das borrachas italianas equivalerá ao duro do ano passado, ao passo que o mais mole será um composto complemente novo, uma vez que todos os tipos de pneus deste ano serão um degrau mais macio relativamente a 2017.
Segundo as previsões da Pirelli, o mesmo tipo de borracha, este ano, será um segundo mais rápida que a sua antecessora, o que deverá ajudar substancialmente a que as marcas de 2017 sejam amplamente batidas.
As equipas continuarão a ter três tipos de pneus de seco para usar ao longo do fim de semana, mas com borrachas mais macias. No fundo, cada uma terá na prática mais opções, uma vez que na temporada passada, os pneus mais duros eram rapidamente descartados.
Espera-se, portanto, corridas mais rápidas, com mais amplitude tática, devendo ser usual, pelo menos, duas paragens nas boxes, o que deverá provocar provas mais mexidas. Fica por saber quantos Grandes Prémios levará até que as equipas evidenciem uma tendência que deixe de criar algumas eventuais surpresas, como é mais natural que aconteça na fase inicial da temporada.
Neste contexto, Giancarlo Minardi entende: “A Pirelli efetuou um grande trabalho com os pneus, mas tantas misturas, parece-me um exagero. Creio que apenas trará confusão aos espetadores. A Fórmula 1 necessita de regras mais simples.”
Por outra perspetiva alinha Patrick Head: “Os pneus Pirelli parecem degradar-se em vez de criar bolhas, mas será um risco a escolha das misturas para cada equipa e, como resultado, as corridas serão um pouco menos previsíveis. No entanto, penso que depois de algumas provas, as equipas aprenderão a tirar partido da situação.”











