Sempre que é introduzido um novo regulamento, os projetistas procuram ‘buracos’ e tentam levar a que a letra do regulamento ultrapasse o seu espírito. No passado, foram muitos os exemplos daquilo a que no mundo das corridas se chama de ‘vantagem injusta’, fruto de uma interpretação legalmente sustentada, mas que vai além daquilo que o legislador esperava.
No ano passado, o aspeto de manifestação mais visível foi, sem dúvida, as barbatanas de tubarão – um prolongamento do capot-motor quase até à asa traseira – e as T-wings, ou asas-T – um pequeno aileron colocado no topo da barbatana de tubarão.
Ambos os componentes tinham como princípio inicial dirigir o ar de forma limpa para a asa traseira, mas a T-wing acabou por ser um dispositivo de muito desenvolvimento e passou a gerar apoio aerodinâmico por si só, surgindo exemplares com multiplanos.
Tanto um componente como o outro foram alvo de diversas críticas de todos os quadrantes por qualquer um deles destoar esteticamente do aspeto das novas máquinas de Fórmula 1 e, rapidamente, foram movidas forças para os impedir de regressar na temporada de 2018.
Curiosamente, a meio da temporada passada houve um conjunto de equipas que tentaram impedir o desaparecimento das barbatanas de tubarão com o argumento de que estas representavam um espaço valioso comercialmente. Contudo, a McLaren opôs-se à ideia, baseando a decisão no facto de que este componente bloqueia a visibilidade para a asa traseira – o segundo espaço comercialmente mais valioso num carro de Fórmula 1.
Assim sendo, as barbatanas desaparecerão, nas dimensões vistas o ano passado, mas, no entanto, continuará a existir um pequeno acrescento muito semelhante ao visto na Sauber durante os treinos-livres de sexta-feira do Grande Prémio dos Estados Unidos da América, que acompanhará o perfil do capot-motor.
Por seu turno, as inestéticas asas-T, tal e qual as vimos o ano passado, não regressarão, porém, em diversos carros, senão todos, uma versão delas deverá ser observada num plano inferior, à altura das rodas traseiras e entre estas.
Nesta questão Giancarlo Minardi aponta: “Como sucede frequentemente, tenho a impressão de que o regulamento é alterado subitamente sem as modificações serem pesadas verdadeiramente. Invariavelmente, só posteriormente existe alguma reflexão, como neste caso das barbatanas de tubarão. Certamente, existe a necessidade de encontrar uma forma de dar mais visibilidade aos patrocinadores.”
Para Patrick Head: “Esta modificação reduzirá o nível de apoio aerodinâmico ligeiramente, mas os ganhos encontrados durante o inverno ou durante o desenvolvimento mais que compensarão esta alteração.”











