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Mercedes explica porque quer estar na Fórmula 1

José Luis Abreu by José Luis Abreu
5 Abril, 2018
in Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1, Newsletter, Newsletter destaque, Sapo
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Mercedes explica porque quer estar na Fórmula 1

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Atualmente, são quatro as marcas que investem intensamente na F1, gastando avultadas somas de dinheiro que por vezes parecem ilógicas. Muitos de nós já nos questionámos quais as motivações para estes tipos de programas, e se realmente fazem sentido. Dieter Zetsche não tem qualquer dúvida sobre a validade da presença da Mercedes na F1, deixando claro faz agora, mais sentido que nunca.

O construtor germânico despende por temporada mais de trezentos milhões de euros por temporada uma quantia pornográfica que representa dez porcento da fatia do Orçamento de Estado de 2018 dedicado à Saúde, o que leva a que alguns apontem que o envolvimento de uma grande marca numa competição como a Fórmula 1 não passe de uma manifestação de vaidade.

Zescthe, o CEO da Daimler desde 2006, admite que a emoção da própria companhia não deixa de estar por detrás da Mercedes no mundo dos Grandes Prémios, uma vez que ele próprio vibra com as corridas. “Sigo a Fórmula 1 de perto há décadas, actualmente. Mas suponho que todos aqueles que nunca gritaram com a televisão enquanto andam de um lado para o outro da sala de estar poderão não entender. Experimentar a pressão intensa do ‘pit-lane’, o trabalho de equipa extraordinário e a explosão emocional quando um plano recolhe dividendos na linha de chegada cativou-me para este desporto”, afirma o alemão.

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Por outro lado, Zetsche aponta que para o construtor de Estugarda a competição surge com naturalidade, uma vez ter estado presente nas corridas de automóveis desde os seus primórdios: “Para além da minha excitação pessoal, o automobilismo sempre fez parte integral do ADN da Mercedes. O primeiro carro baptizado de ‘Mercedes’ – graças à filha de Emil Jellinek – foi o carro de corridas 35 hp. Um verdadeiro foguete… no seu tempo. Há uma semana e meia a Mercedes-AMG Petronas Formula 1 Team e todas as outras equipas iniciaram uma nova temporada de Fórmula 1 no Grande Prémio da Austrália, em Melbourne. Como CEO, estou confiante de que a nossa equipa realizará uma boa campanha rumo ao quinto título consecutivo de pilotos e de construtores. Como adepto, desejo um pelotão compacto e corridas excitantes!”

Apesar de toda a emoção que reconhece rodear a categoria máxima do desporto automóvel e a participação da Mercedes nesta competição, Dieter Zetsche, quando confrontado com a possibilidade do mundo dos Grandes Prémios ser um “dinossauro do passado” é bastante claro, sublinhando a sua importância. “Muitas vezes as pessoas perguntam-me se a Fórmula 1 ainda é relevante. Não será uma relíquia do passado, devido às alterações climáticas, a emersão dos carros eléctricos e a condução autónoma do futuro? Estou certo de que muitos já se colocaram estas questões.

Da minha perspectiva, a Fórmula 1 é profundamente relevante. Talvez hoje mais que nunca”, vincou o alemão nascido em Istambul.

Para o timoneiro da Daimler e todas as marcas associadas, o mundo dos Grandes Prémios continua a ser uma plataforma para criar e desenvolver tecnologias com aplicação aos automóveis de estrada. “A Fórmula 1 é um laboratório de pesquisa e desenvolvimento por excelência. Os carros de Fórmula 1 são os carros mais conectados que existem. Estão equipados com uma bateria de sensores. Numa sessão de treinos de noventa minutos, por exemplo, só os dados relacionados com os pneus igualam os dados de DVD de uma temporada da Guerra dos Tronos!

Para além disso, em 2014 a Fórmula 1 abraçou os motores híbridos. Podemos reunir muita experiência com a tecnologia híbrida avançada com que lidamos. No ano passado, o nosso motor alcançou uma eficiência térmica de cinquenta porcento no dinamómetro. Isto significa que hoje em dia o motor da Mercedes consegue transformar metade da energia do combustível em performance de pista. Os carros de estrada, normalmente, têm uma eficiência térmica de trinta a trinta e cinco por cento. E podem ter a certeza de que todos nós aprendemos na pista a construir motores e carros Mercedes ainda mais eficientes para as estradas públicas”, enfatizou Dieter Zetscheque assumiu que as corridas fazem parte do futuro da Mercedes: “A partir de 2019, por exemplo, entraremos na totalmente electrificada Fórmula E. isto demonstra os nossos valores de perseguir as tecnologias do futuro sem deixarmos aquelas já comprovadas – partilhamos Smarts e vendemos Classe-S. Vendemos doze modelos diferentes da Mercedes por ano a uma média mensal fixa. Para além disso, vendemos bilhetes para transportes públicos através da nossa aplicação. Oferecemos diesel de alta tecnologia, híbridos plug-in, carros eléctricos e a fuel-cell. E apoiaremos a Fórmula 1 e a Fórmula E”.

A Fórmula 1 inova na organização
Se no campo da tecnologia a Fórmula 1 continua a ser uma mais-valia para os construtores, que têm um ambiente propício ao desenvolvimento de novas ideias, também em termos organizacionais o mundo dos Grandes Prémios permite que uma marca como a Mercedes possa evoluir.
Dieter Zetsche admite que a nova filosofia da companhia, que está actualmente a ser implementada, tem por base a aprendizagem na forma de estar do construtor na Fórmula 1. “O número de funcionários na pista é limitado, a sessenta engenheiros e mecânicos. Isto significa que cada individuo tem de assumir a completa responsabilidade dos seus actos. Todos os indivíduos podem fazer a diferença entre vencer e perder uma corrida. E, por vezes, as decisões são tomadas em milésimos de segundo.

Uma vez mais, o automobilismo ensina muito sobre os negócios. A Mercedes-AMG Petronas F1 Team vence e perde junta – como equipa. Não se procuram desculpas. Procuram-se soluções. Se as coisas correm mal – e as coisas correm mal – a equipa lutará para regressar ainda mais forte na corrida seguinte. Todos os domingos é assim, sem parar.

Neste respeito, a Fórmula 1 reflecte a mudança cultural que estamos a realizar em toda a companhia com o nosso programa ‘liderança 2020’: queremos mais velocidade e flexibilidade, mais poder e responsabilidade para o indivíduo e um novo entendimento de vencer e perder enquanto equipa para podermos aprender e regressar mais fortes”, afirmou o alemão.

A emoção ao serviço das vendas
Por fim, Dieter Zetsche aponta as questões emocionais como motivo para a presença da Mercedes na Fórmula 1.

A emoção, apesar de tudo, continua ainda ser preponderante na compra de um automóvel, para a maior parte das pessoas e nada melhor que um barril de emoções explosivas como é o mundo dos Grandes Prémios para distinguir a marca de Estugarda das suas concorrentes. “Mostrar-nos cada vez mais fortes e colocar o derradeiro esforço para conquistar o troféu no último momento é o que torna a emoção pura no argumento mais importante. Mais de trezentos e cinquenta milhões de pessoas assistiram à Fórmula 1 através da televisão em 2017 – é muita gente em excitação durante duas horas em inúmeros fins-de-semana.

A Fórmula 1 toca algumas das mais fundamentais emoções humanas: paixão (pela equipa ou piloto favorito), aversão (relativamente às restantes equipas), agonia (quando se perde uma corrida) ou euforia (quando tudo corre bem) – para além da experiência sensorial que advém da velocidade dos carros e do cantar dos motores. A Fórmula 1 consegue oferecer tudo o que precisamos para um fim-de-semana completamente emocionante”, garantiu o CEO da Daimler, que concluiu: “Por tudo isto, a Mercedes continua a investir nas corridas!”

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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