‘Moco’: era assim que José Carlos Pace era conhecido, entre o seu grande grupo de amigos e admiradores. Com 1,80 m de altura e cerca de 100 quilos, era um “cara” tímido, mas de bom trato e enorme facilidade em fazer vida social. Parece contradição, mas era verdade: muito novo, ficou conhecido na “society” paulistana pela forma firme e romântica como “paqueirou” Elda Regina D‘Andrea – que, ao fim de dez anos de porfiados esforços, ramos de flores e declarações inflamadas de amor eterno, lá acedeu em tornar-se sua mulher.
Os primeiros meses de matrimónio foram conturbados: o casal dividia um minúsculo apartamento com um amigo comum, que seria administrador do autódromo que, anos mais tarde, haveria de ter o nome do piloto, e com outro piloto, chamado Fritz Jordan. Sem saber cozinhar, pois que oriunda de uma classe abastada onde as refeições eram lautas, Elda teve que se habituar à refeições pré-cozinhadas que encantavam o seu marido. Depois, havia outra paixão: as corridas.
José Carlos iniciou-se em 1963, na famosa equipa brasileira Willys. Quando se tratava de corridas, não havia travão para Moco. Ele assumia sem rebuço que um dia haveria de ser campeão do Mundo de F1. Para isso, traçou o seu próprio caminho – e estava bem lá dentro, quando o destino o traiu, a bordo de um pequeno avião, na Primavera de 1977. Esse caminho passou pelo título na F3 britânica, em 1970. No ano seguinte, a vitória na prova europeia de F2 de Imola significou um convite para piloto oficial da Ferrari no Mundial de Sport. Chegou à F1 em 1972 e, degrau a degrau, foi subindo a escadaria que levava ao Olimpo. O seu momento de glória teve-o quando ganhou o GP do Brasil, em 1975. E só não teve mais porque o tempo dele terminou aos 32 anos.











