A gestão de energia passou a ser o principal desafio prático para os pilotos com os novos regulamentos da Fórmula 1, com impacto direto no estilo de condução, na preparação de cada pista e até na forma de atacar ou defender em corrida. Lewis Hamilton, ouvido na conferência de imprensa do GP da Austrália, identificou o “deployment” (entrega de potência) da bateria e a otimização do conjunto motriz como a área que mais exige adaptação, tanto do piloto como das equipas.
“O deployment é a maior parte”: Hamilton descreve o efeito dominó por volta
Hamilton foi direto ao apontar o centro da questão. “O deployment é a maior fatia. O resto é tudo semelhante e familiar, mas o deployment é tão desafiante e é diferente de pista para pista”, afirmou. O heptacampeão explicou que os pilotos só irão perceber plenamente as consequências em corrida, quando estiverem “estiverem mergulhados numa situação” e tiverem de avaliar como uma ultrapassagem afeta a energia disponível à saída da curva.
A necessidade de “lift and coast” (tirar pé para carregar a bateria) também varia de forma extrema, consoante o circuito e até entre qualificação e corrida, segundo Hamilton: “em algumas pistas não tens de fazer lift and coast numa única volta e, noutros sítios, tens de fazer muito lift and coast numa volta de qualificação”. O britânico alerta para diferenças que podem valer até um segundo: “pode haver uma grande diferença no deployment, de um segundo”.
Um detalhe numa curva pode custar a volta inteira
Hamilton deu um exemplo concreto em Melbourne para ilustrar o efeito acumulado: “se não levantas numa curva, por exemplo a Curva 6, a Curva 5 aqui… se fazes a fundo ou se levantas, isso tem um enorme efeito composto no resto da volta”. E concluiu: “podes fazer uma boa volta, mas podes estar um segundo abaixo porque o deployment está fora”. Para Hamilton, o desafio é duplo: “não só os pilotos a otimizá-lo, mas a equipa estar por cima disso e entregar…”.








