Por Fábio Mendes e Pedro André Mendes
Terminamos a análise ao GP dos EUA com a atribuição das Notas AutoSport aos pilotos e equipas:
Red Bull – Provavelmente a melhor exibição do ano
Tem sido uma época fantástica a todos os níveis e não será fácil escolher o melhor fim de semana da Red Bull, pois já vimos grandes prestações da equipa austríaca, mas o GP dos EUA terá de ser cotado como uma das melhores corridas do ano para os Bull´s. Sexta começou da pior forma, com quase um segundo de desvantagem para a Mercedes, mas a equipa conseguiu encontrar o caminho certo para a afinação do carro que se tornou praticamente imbatível, num terreno de caça onde a Mercedes sempre teve grande sucesso. Max Verstappen apresentou-se em grande nível, não cometeu erros, foi rápido e mais que isso, soube responder à largada menos conseguida. Entendeu que tinha mais ritmo que Lewis Hamilton e soube gerir a sua corrida, sem perder o sangue frio. Atacou no momento certo e foi ajudado pela estratégia arrojada da Red Bull. Uma prestação praticamente perfeita de um piloto que cada vez mais mostra argumentos de campeão. Já Pérez foi um dos grandes destaques. Liderou dois treinos, fez uma boa qualificação e em corrida foi buscar forças onde não tinha para se aguentar em pista, com uma indisposição agravada pela impossibilidade de beber água. Manter a concentração com o calor que se sentiu e com a exigência da pista foi obra! Um fim de semana espantoso de toda a equipa.
Red Bull – Nota 10
Max Verstappen – Nota 10
Sergio Pérez – Nota 9
Mercedes – Faltou fulgor
A Mercedes começou bem o fim de semana, mas foi perdendo algum fulgor com o passar das sessões. Aliás, a dúvida é se foi realmente a equipa de Brackley que deu um passo atrás ou a Red Bull que melhorou o set up dos seus carros e/ou estava a esconder o jogo. A verdade é apenas uma: a Mercedes perdeu 13 pontos no campeonato de construtores e a diferença entre Max Verstappen e Lewis Hamilton é de 12 pontos. Mais uma vez muito se escreveu e falou sobre a solução da Mercedes para encontrar mais velocidade em reta, mas afinal várias equipas utilizam o mesmo sistema ou parecido e por isso, o assunto ficou mais ou menos resolvido, para já, porque podem existir análises mais aprofundadas pela FIA e o tema ser ressuscitado daqui a poucas semanas. Lewis Hamilton fez o que competia, mas a estratégia mais agressiva da Red Bull compensou, ao ponto de elementos da sua equipa afirmarem que podiam ter imitado os adversários. Valtteri Bottas teve algumas dificuldades para ultrapassar no meio do pelotão, talvez pelas condições de degradação dos pneus, mas não houve a recuperação que alguns pensavam. Ainda assim, terminou em sexto.
Mercedes – nota 7
Lewis Hamilton – nota 8
Valtteri Bottas – nota 6
Ferrari – Claramente por cima da McLaren
Austin confirmou que a Ferrari deu um passo importante na luta pelo terceiro lugar. A Ferrari parece agora mais forte que a McLaren, algo que acontece pela primeira vez esta época, depois das melhorias no pacote aerodinâmico e na sua unidade motriz. Continuam a acontecer alguns erros do lado das boxes e a paragem falhada de Carlos Sainz custou alguns pontos, mas no geral foi uma boa prestação da Scuderia. Charles Leclerc impôs um ritmo muito forte em pista e passou a corrida quase toda a cumprir um distanciamento social saudável para o seu objetivo. Foi dos melhores em pista. Carlos Sainz viu-se envolvido numa grande luta com os McLaren mas Ricciardo em modo “cowboy” não permitiu que o espanhol se aproximasse do colega de equipa. Uma boa prova do espanhol mas não tão forte quanto Leclerc. Ferrari encara as últimas corridas com otimismo redobrado e a McLaren terá de ser perfeita para se manter no terceiro posto.
Ferrari – Nota 9
Charles Leclerc – Nota 9
Carlos Sainz – Nota 8
McLaren – Mais animação fora do que dentro de pista
O fim de semana da McLaren foi mais animado fora de pista, isto é, extra GP. Daniel Ricciardo foi o homem do momento na equipa, não só por ter tido melhor rendimento que Lando Norris, uma das poucas vezes que aconteceu este ano, mas por todo o espetáculo que deu antes da corrida de domingo. Talvez por coisas assim, a McLaren seja a equipa mais reconhecida pelos fãs, segundo os resultados do inquérito anunciado antes do GP dos EUA. Dentro de pista, onde realmente conta para o campeonato, a Ferrari esteve sempre por cima dos acontecimentos e a McLaren teve algumas dificuldades para os igualar em ritmo. Ainda assim, perderam “apenas” 4 pontos e a diferença entre as duas equipas na tabela classificativa é de 3.5 pontos. A luta entre Carlos Sainz e Daniel Ricciardo e Lando Norris deu para nos prender à cadeira, mas após esses momentos iniciais, a corrida foi muito estratégica e cerebral.
McLaren – nota 7
Daniel Ricciardo – nota 7
Lando Norris – nota 6
Alpha Tauri – O melhor Tsunoda do ano
À primeira vista, o fim de semana da Alpha Tauri não foi positivo e a desistência de Pierre Gasly comprometeu o que podia ter sido um bom resultado. Mas a equipa tem de ficar feliz pois Austin pode ter sido o ponto de viragem para Yuki Tsunoda. Mais uma vez mostrou os seus dotes a defender-se de um Mercedes, desta vez o de Valtteri Bottas, mas mais que isso, não cometeu erros e, fez boas ultrapassagens e acabou nos pontos. A melhor prova de Tsunoda este ano é um primeiro sinal do que podemos ver deste jovem talento, que demorou a encontrar as suas bases na F1, mas que agora começa a despontar como todos esperavam. Gasly não teve tempo para se mostrar mas não mostrou um nível muito superior ao do seu colega de equipa em qualificação.
Alpha Tauri – Nota 6
Yuki Tsunoda – Nota 7
Pierre Gasly – Nota 6
Aston Martin – Valeu o ponto de Vettel
Sebastian Vettel pode estar satisfeito. Foi apenas 1 ponto conquistado pela Aston Martin, mas os carros verdes pareciam ser os mais fracos este fim de semana, se compararmos aos Alpine e Alpha Tauri. Terminaram a corrida, embora Lance Stroll tenha sido apanhado na confusão da curva 1 e tenha perdido a hipótese de chegar aos pontos, e Vettel conseguiu o ponto pelo 10º lugar no final da prova. A AlphaTauri conquistou dois pontos, a Alpine nenhum (os dois carros abandonaram a prova).
Aston Martin – nota 6
Sebastian Vettel – nota 7
Lance Stroll – nota 6
Alfa Romeo – E tudo um pião levou
A Alfa Romeo apresentou um ritmo interessante ao longo da corrida e Kimi Raikkonen esteve perto de pontuar, mas um erro perto do final da corrida deitou tudo a perder. Não é muito normal ver Raikkonen errar, mas a verdade é que esses erros têm acontecido com mais frequência, o que pode ser um sinal de relaxamento do Iceman. Antonio Giovinazzi fez uma corrida algo discreta, mas sem erros, como necessitava depois da rebeldia da Turquia. A Alfa podia ter sido mais feliz em Austin.
Alfa Romeo – Nota 6
Kimi Raikkonen – Nota 4
Antonio Giovinazzi – Nota 4
Williams – longe do que podem fazer
Mais uma equipa que sentiu muitas dificuldades durante o fim de semana. George Russell que sofreu penalização por troca de unidade motriz, não passou à Q3 na qualificação (não valia a pena) e Nicholas Latifi ficou-se pela Q1. Em corrida estiveram um pouco melhor, principalmente no segundo turno, terminando no 14º e 15º lugares, mas atrás dos dois Alfa Romeo e dos dois Aston Martin. Aproveitaram as desistências dos Alpine e de Pierre Gasly para subir lugares, no entanto a realidade cruel é que só tiveram ritmo para ficar à frente dos Haas.
Williams – nota 5
George Russell – nota 5
Nicholas Latifi – nota 4
Haas – O costume
Para a Haas, a “sua” corrida não teve motivos para relembrar. Nikita Mazepin teve de entrar nas boxes para recolocar o apoio de cabeça do seu monolugar que se estava a soltar, o que arruinou a corrida do russo, que voltou a cometer os habituais erros e não apresentou um ritmo bom o suficiente para, pelo menos se aproximar do seu colega de equipa. Mick Schumacher fez a sua corrida de forma constante e voltou a ser o melhor da equipa.
Haas – Nota 3
Nikita Mazepin – Nota 3
Mick Schumacher – Nota 5
Alpine – fim de semana frustrante
Os Alpine tinham ritmo para terminar nos pontos, pelo menos com um carro, mas ambos abandonaram a prova. Esteban Ocon, que estava a lutar pela décima sétima posição, teve um problema suspeito na traseira do seu carro e por precaução a equipa pediu-lhe para parar, Fernando Alonso estava na luta por uma das dez primeiras posições, antes que os danos na asa traseira o obrigaram a também abandonar. O piloto espanhol esteve envolvido em algumas picardias, a maior com Kimi Raikkonen e criticou de novo os comissários, desta vez sem muitos argumentos a seu favor. Destaque para a fase inicial da corrida de Alonso, que partindo do 19º lugar esteve perto dos pontos. Ocon sentiu algumas dificuldades na corrida, depois de ter danos na asa dianteira do seu carro e ficou nas posições do fundo do pelotão.
Alpine – nota 5
Fernando Alonso – nota 6
Esteban Ocon – nota 5










