Prometeram-nos uma grande época de F1 e até agora não temos motivos de queixa. A segunda corrida do ano em Ímola teve emoção, drama, reviravoltas e um pódio algo inesperado. Nesta louca corrida tivemos pilotos que se destacaram pelos melhores motivos, outros pelos piores. Passamos agora a uma breve análise da performance dos pilotos.
Max Verstappen foi um dos melhores do dia. Parecia que a tal “maldição italiana” não o queria largar, com os problemas na sexta e os erros no sábado que comprometeram a qualificação do holandês. Mas na corrida, Verstappen confirmou o rótulo de candidato. Uma largada muito boa, uma abordagem agressiva à curva um, que lhe valeu uma liderança que não mais ficou em causa durante a prova. Verstappen fez uma corrida como gosta, na frente, sem cometer erros e com um ritmo acima dos demais. Aproximou-se de Hamilton no campeonato e aquele toque na primeira curva não vai ser esquecido por Lewis Hamilton.
O heptacampeão teve uma tarde de altos e baixos. Começou mal a corrida, perdendo a liderança, recuperou terreno para Verstappen mas “borrou a pintura” com um erro, algo raro de ver no britânico. Teve a sorte do seu lado, pois ao mesmo tempo que errou, o seu colega de equipa embrulhava-se com George Russell o que levou à interrupção . Se não fosse essa interrupção, Hamilton não teria recuperado da volta em atraso e dificilmente teria acabado no pódio. Apesar de tudo, mérito a quem o tem. Hamilton não perdeu a cabeça com o erro, recuperou de forma soberba e conseguiu um merecido pódio.
A estrela do dia ficou em terceiro lugar. O tal terceiro lugar que lamentou ontem não ter conquistado na qualificação. Lando Norris esteve a um nível brutal neste fim de semana. Um começo titubeante na sexta deu lugar a uma exibição muito boa no sábado, apenas manchada por aquele pequeno erro que lhe roubou o terceiro melhor tempo. Na corrida vimos um Norris rápido, maduro, que não cedeu à pressão e que soube gerir de forma perfeita a corrida. Atacou muito no começo e ganhou várias posições, apesar de ter caído para o nono no arranque, após toque com Lance Stroll. No recomeço, após a interrupção, foi agressivo e agarrou-se com unhas e dentes ao segundo lugar até chegar Hamilton com o muito superior Mercedes. Mas a evolução de Norris tem sido clara. Hoje mostrou que não fica nada a dever a Verstappen, Charles Leclerc e George Russell, olhados como as grandes estrelas do futuro.
A Ferrari teve uma boa corrida, com destaque para Charles Leclerc que ainda esteve algum tempo no pódio, mas que não teve argumentos para se manter lá. Uma corrida boa do monegasco. Carlos Sainz teve uma tarde de altos e baixos. Começou mal, com uma série de erros, mas recuperou bem e subiu até ao top 5, algo que parecia improvável nas primeiras voltas. Sainz é um grande piloto e apesar de não estar à vontade no seu Ferrari, conseguiu pontos importantes.
Daniel Ricciardo fez uma corrida discreta e não foi “nem carne nem peixe”. Macio nos duelos, com um ritmo muito inferior ao do seu colega de equipa, tem como ponto positivo não ter errado e ter trazido bons pontos. Mas espera-se mais de Ricciardo, que ainda não está confortável na sua nova máquina.
Lance Stroll voltou a fazer uma boa corrida. Os problemas técnicos sucederam-se no seu Aston Martin, mas conseguiu um bom sétimo lugar em condições difíceis. Aos poucos vai conquistando o respeito dos fãs e mostrando que é algo mais que um piloto pagante.
Pierre Gasly conseguiu um bom oitavo lugar, depois de uma escolha errada de pneus no arranque. Caiu para as últimas posições da grelha nas primeiras voltas e parecia ter a corrida comprometida, mas os incidentes e uma boa recuperação deram pontos importantes à Alpha Tauri.
Kimi Raikkonen e Esteban Ocon fizeram corridas positivas, acabando nos pontos e evitando os problemas em pista, apesar do susto que Kimi apanhou no recomeço da corrida após a interrupção.
Sergio Pérez teve uma tarde para esquecer. Muitos erros, piões, uma penalização desnecessária e um ritmo que nunca foi o ideal. Pode-se dizer que todo o bom trabalho feito na qualificação foi por água abaixo.
Sebastian Vettel foi novamente personagem secundária, Yuki Tsunoda também com um par de erros no fim de semana não tem muitos motivos para sorrir e Fernando Alonso também não deu o que se esperava.Valtteri Bottas fez uma corrida má, sem ritmo, sem capacidade para ultrapassar os adversários (a diferença para Hamilton foi gritante) e sai de Itália com a moral em baixo, tal como George Russell que parecia ter tudo para pontuar, mas aquele incidente (cujas culpas são difíceis de atribuir) acabou com o sonho de pontuar pela Williams. Nicholas Latifi, depois de uma boa qualificação, sai desiludido com um toque de Nikita Mazepin (sem culpas para o russo) que acabou com a sua corrida prematuramente. O jovem piloto da Haas voltou a errar muito, mas desta vez viu também Mick Schumacher a errar de forma grave na corrida. Comparando com os rookies mais recentes, a dupla da Haas não está a começar da melhor forma, mas tem a atenuante de ter um carro muito difícil de pilotar.












