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GP DO 70º ANIVERSÁRIO DA F1: Verstappen ‘destrói’ Mercedes

José Luis Abreu by José Luis Abreu
10 Agosto, 2020
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
A A
GP Aniversário 70 anos F1: Mais & Menos

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O tema central do Grande Prémio do 70º Aniversário foram os pneus, mas se este foram importantes para a vitória de Max Verstappen, também a destreza do holandês foi preponderante para que a hegemonia da Mercedes fosse quebrada em Silverstone.

A segunda prova no traçado situado nos arredores de Northampton tinha como pano de fundo os problemas de pneumáticos sofridos por Valtteri Bottas, Carlos Sainz e Lewis Hamilton, que venceu o Grande Prémio da Grã-Bretanha apenas com três pneus.
Para além disso, a Pirelli, a pedido da FOM, tinha decidido disponibilizar para a segunda corrida de Silverstone pneus um degrau mais macios – ou seja, os médios da primeira prova seriam os duros para a segunda, os macios passariam a ser os médios e os macios seriam os C4, que este ano ainda não tinham sido usados.


Apesar dos problemas do Grande Prémio da Grã-Bretanha, a companhia italiana foi corajosa e manteve a sua decisão, aumentando, porém, as pressões dos pneus – 2 psi à frente, passando para 27 psi, e 1 atrás, subindo para 22 psi – o que dificultou a vida as equipas na busca das melhores afinações para os respectivos monolugares.
A última peça neste puzzle que era a utilização dos pneus era o calor que se fazia sentir em Silverstone no passado fim-de-semana, com a temperatura da pista a ultrapassar consistentemente os 40ºC, o que colocava ainda maior esforço sobre as borrachas.
A Mercedes, normalmente, não se dá bem com a canícula, como se verificou nas sextas-feiras dos Grandes Prémios da Estíria e da Grã-Bretanha, mas desta feita parecia estar a conseguir lidar com ela, dominando as tabelas de tempos, com Valtteri Bottas e Lewis Hamilton a digladiarem-se pela primazia no seio da “Flechas Negras”.
Contudo, desde cedo que os homens da Brackley tinha como preocupação os pneus, depois dos problemas da semana anterior. Para proteger o pneumático dianteiro/esquerdo – que falhara em ambos os carros na ponta final do Grande Prémio da Grã-Bretanha – os técnicos da Mercedes passavam a pressão aerodinâmica para a traseira, o que acabaria por ser fatal para as aspirações dos seus pilotos.

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Por seu lado, a Red Bull continuava a tentar perceber o difícil RB16 Honda, que se mostra ainda imprevisível em algumas situações, e reduzia ainda mais o apoio aerodinâmico do seu monolugar na ânsia de ganhar velocidade de ponta, mas conseguiu um bom compromisso, o que foi determinante para manter os pneus da Pirelli em boa forma ao longo das cinquenta e duas voltas previstas para o Grande Prémio do 70º Aniversário.
Ainda assim, os carros de Brackley em performance pura estavam claramente um passo à frente da concorrência, tendo Bottas e Hamilton sido os únicos protagonistas na luta pela pole-position. O finlandês acabaria por levar a melhor face ao seu colega de equipa, ficando os dois separados por sessenta e três milésimos de segundo.
Max Verstappen, por seu lado, perdia mais de um segundo para Bottas, sendo, inclusivamente, batido por Nico Hulkenberg, o que o atirava para o quarto lugar na grelha de partida, mas seria na qualificação que o holandês começaria a desenhar o seu triunfo dominical.
Com os pneus macios a aguentarem pouco mais que cinco voltas em ritmo competitivo, foram poucos os pilotos que tentaram ascender à Q3 com eles, tendo a borracha preferida sido a média, mas Verstappen ia um passo mais além, usando as duras para o efeito.
Os homens da Red Bull sabiam que, em performance pura, a Mercedes era mais forte e para tentar desfeiteá-la teria de tentar algo de diferente. Arrancar com pneus mais duros, enquanto os “Flechas Negras” tinham médios, davam, no mínimo, uma maior flexibilidade estratégica, mas na partida deixava-o ao alcance dos pilotos que ao seu redor tinham borrachas mais macias.


Contudo, o holandês não se incomodou com isso e não perdeu qualquer lugar assim que os semáforos se apagaram, antes pelo contrário, ganhou uma posição a Nico Hulkenberg, lançando-se na perseguição aos dois Mercedes numa corrida em que a estratégia de duas paragens seria a norma.
Olhando para o padrão das provas deste ano e para os pneus que os três primeiros usavam, poder-se-ia esperar que as “Flechas de Prata” pudessem ganhar rapidamente uma vantagem confortável para que gerissem os pneumáticos de uma forma efectiva.
Mas desta feita, isso não aconteceu…
Nas primeiras quatro voltas os Mercedes afastaram-se, tendo Verstappen chegado a estar a quase quatro segundos de Bottas, mas os pneus traseiros dos carros de Brackley rapidamente começaram a exibir bolhas preocupantes e o ritmo começou a cair, promovendo a aproximação do Red Bull, que não tinha qualquer inquietação com as suas borrachas.
Na décima volta o holandês estava já no escape de Hamilton, podendo usar DRS, e muito embora os seus engenheiros lhe pedissem para dar espaço ao Mercedes e proteger os seus pneus, o jovem de vinte e dois anos sentia o cheiro a sangue no ar e afirmava que não ia “pilotar como uma avozinha”.
O risco para Verstappen era mínimo. Dificilmente ficaria ao alcance dos seus perseguidores, tinha melhores pneus que os Mercedes que estavam em bom estado, enquanto os dos seus adversários estavam a desfazer-se, era o momento de atacar e foi o que fez.
Esta postura do holandês foi determinante, uma vez que obrigou Hamilton e Bottas a rodarem num ritmo que não lhes era confortável, destruindo as borrachas médias ainda mais depressa do que esperado.
Na décima terceira volta, Bottas não aguentava mais os médios e entrava nas boxes, seguido na seguinte por Hamilton, deixando Verstappen no comando.
Mas, mesmo assim, os Mercedes, com pneus duros novos contra usados do Red Bull, não tinham argumentos para se aproximarem do líder.
Pela primeira vez este ano, o carro de Brackley não era o mais rápido em pista e estava a caminho de ser batido sem factores estranhos.
Apesar de ter borrachas com pelo menos treze voltas que os seus perseguidores, Verstappen ganhava tempo a Bottas, construindo uma margem suficiente para realizar a sua primeira paragem nas boxes sem perder o comando, quando estavam completadas vinte e seis voltas.
No entanto, a Red Bull, que normalmente faz trocas de pneus em menos de dois segundos, desta feita excedeu os três, e Verstappen, já com médios no seu carro, perdeu a liderança para o finlandês. A superioridade era tal que, ainda na sua volta de saída das boxes, recuperaria o comando, cavando rapidamente uma vantagem de mais de dois segundos para o seu perseguidor.
Só algo de anormal poderia roubar um triunfo ao holandês, que na trigésima segunda volta voltaria as boxes para se ver livres dos delicados médios para montar duros que lhe permitissem terminar a corrida.
Bottas, com uma forte vibração no pneu traseiro/direito, parava na mesma volta para montar duros novos.
O finlandês não tinha resposta para Verstappen, ao passo que Hamilton mantinha-se em pista, comandando virtualmente.
Numa primeira fase a Red Bull não se preocupou com o inglês, mas quando surgiu a possibilidade de eventualmente a Mercedes tentar levar o Campeão do Mundo até ao final da corrida apenas com uma paragem, o holandês foi instruído para aumentar o ritmo e ficou claro que o carro quarenta e quatro seria uma presa fácil para o jovem de vinte e dois anos.
Hamilton pararia apenas na quadragésima primeira volta e se a vitória estava completamente fora de questão, a vantagem de pneus face aos de Bottas permitiu ao inglês imprimir um ritmo forte, suplantando o seu colega de equipa para assegurar o segundo posto juntamente com a volta mais rápida.
No final, Bottas mostrava-se agastado com uma estratégia que o levou da pole-position até ao terceiro lugar, mas esta não terá sido uma opção, mas antes uma necessidade face ao estado dos pneus traseiros do seu segundo jogo.
No entanto, após a corrida, o foco estava em Max Verstappen que, muito embora tivesse um carro superior na gestão dos pneus, foi determinante para a sua primeira vitória com a sua qualificação para a Q3 com pneus duros e a forma como pressionou os Mercedes logo no início da prova, assumindo a responsabilidade de contrariar a sua equipa.
São estas as características que distinguem os grandes pilotos dos “apenas” muito bons e o jovem holandês está claramente entre os grandes – basta ter um carro mais ou menos competitivo para o provar…

MOMENTO: 10º volta – nega ao engenheiro
Na décima volta, quando contrariou o seu engenheiro, que pretendia que gerisse os pneus, e pressionou os dois Mercedes, Max Verstappen mostrou que não estava na segunda corrida de Silverstone apenas para subir ao degrau mais baixo do pódio, pelo menos sem dar luta. Esta postura foi determinante para colocar os “Flechas Negras” fora da sua zona de conforto, tendo iniciado a sua caminhada para o triunfo.

FIGURA: Pirelli
Tanto Charles Leclerc como Max Verstappen poderiam ser considerados como a figura da fim-de-semana, mas a escolha acaba por recair na Pirelli.
Depois dos problemas no Grande Prémio da Grã-Bretanha a companhia italiana estava sob pressão, mas manteve a sua decisão em disponibilizar pneus um degrau mais macio para a segunda corrida de Silverstone. Isso foi determinante para que as estratégias fossem marginais e preponderantes para o resultado final, oferecendo-nos uma boa corrida na tarde de domingo.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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