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GP Aniversário 70 anos F1: Leclerc eleva Ferrari à 1ª Divisão

José Luis Abreu by José Luis Abreu
10 Agosto, 2020
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1, Newsletter
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GP Aniversário 70 anos F1: Leclerc eleva Ferrari à 1ª Divisão

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Charles Leclerc voltou a brilhar em Silverstone, levando um carro que está claramente no meio do pelotão até à área de acção da Mercedes e da Red Bull, o que lhe permitiu triunfar novamente na corrida do Segundo Pelotão do Grande Prémio do 70º Aniversário.

A Ferrari continua longe da posição que ocupou nos últimos anos – a de principal adversária da Mercedes – mas o monegasco não parece conformar-se com a situação e insiste em arrastar o SF1000 até posições aonde este não merece estar.

Depois de no Grande Prémio da Grã-Bretanha ter conseguido um pódio e se ter mostrado uma ameaça para Max Verstappen na qualificação, no evento do passado fim-de-semana a “Scuderia” parecia estar mais longe dos homens da frente, não tendo Leclerc conseguindo mais que o oitavo lugar da grelha de partida a quase um segundo e meio de Valtteri Bottas – o “poleman” – e a meio segundo do holandês.

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Ser batido pelos dois Racing Point era já esperado, uma vez que se percebia que a equipa de Silverstone não tinha explorado o potencial do “Mercedes Cor de Rosa” na primeira prova do circuito britânico, mas ver-se batido por um Renault, o de Daniel Ricciardo, e por um AlphaTauri, o de Pierre Gasly, dava uma nova dimensão aos problemas da Ferrari.

Sebastian Vettel, que continua em dificuldades no seio da formação italiana, não ia além do décimo segundo lugar na qualificação, apesar de ter tentado passar à Q3 com pneus macios, enquanto todos os restantes escolhiam os médios ou os duros, no caso de Verstappen, dado não quererem usar na primeira parte da corrida borrachas que duravam pouco mais de cinco voltas.

Para além da falta de competitividade do monolugar de Maranello na qualificação, Leclerc esperava um domingo difícil, dado que a abordagem aerodinâmica da equipa – de baixo arrasto e logo baixo apoio aerodinâmico para tentar suprir a crónica falta de velocidade de ponta – não protegia os pneus e, com o calor que era esperado para o dia da corrida – 43ºC no asfalto – e com as borrachas mais macias disponibilizadas pela Pirelli para a segunda prova de Silverstone, a tarefa do monegasco afigurava-se dantesca.

O Grande Prémio do 70º Aniversário não arrancava da melhor forma para Leclerc, que perdia dois lugares – um para Lando Norris e outro para Alex Albon – sendo ainda acossado por Carlos Sainz ao longo da maior parte da primeira volta, mas pior ainda estava o seu colega de equipa, que na primeira curva entrou em pião, ao passar com maior violência por um corrector, caindo para o último lugar.

Porém, assim que repeliu os ataques do seu futuro colega de equipa, o monegasco passou a rodar no escape de Norris, muito embora não tivesse os meios para o ultrapassar, gerindo as delicadas borrachas médias da Pirelli.

O piloto da Ferrari foi, entre os homens que chegaram à Q3, o que mais voltas completou até entrar nas boxes, juntamente com Lance Stroll, o que lhe permitiu ganhar três posições e subir a sétimo, a mais de quarenta segundos de Verstappen.

Mas rapidamente Leclerc começou a progredir, ultrapassando Daniel Ricciardo e subindo na classificação à medida que os pilotos à sua frente iam parando para trocar de pneus, tal a voracidade com que o asfalto de Silverstone ia destruindo os pneus.

Já o monegasco sentia que os pneus duros da Pirelli assentavam que nem uma luva no Ferrari SF1000 e pressionava a sua equipa a adoptar uma estratégia de uma paragem apenas, contrariando as dúvidas dos homens do “pitwall” da “Scuderia”.

O jovem de vinte e dois anos levou a sua avante e quando todos ao seu redor montavam um terceiro jogo de pneus, Leclerc subia ao quarto lugar no encalço de Max Verstappen, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, na “divisão” em que a Ferrari se deveria colocar.

A dada altura o piloto em que a “Scuderia” apostou para o futuro estava mesmo mais rápido que os Mercedes que passavam por dificuldades com os pneus duros, tendo chegado a estar em posição de poder usar o DRS para atacar Bottas e ficado à frente de Lewis Hamilton, quando este realizou a sua segunda paragem na boxe.

Porém, com pneus já bastante usados, Leclerc nada podia fazer quanto aos três primeiros, conseguindo ainda assim um improvável quaro lugar, vencendo a corrida do Segundo Pelotão e elevando à “primeira liga” um carro que não é mais que um monolugar de meio de tabela da “segunda divisão”.

O monegasco batia ainda os dois polémicos Racing Point, que terminaram nas posições seguintes, com Lance Stroll a bater Nico Hulkenberg. No entanto, o alemão rodou sempre confortavelmente à frente do seu colega de equipa. Só uma vibração num pneu impediu que o piloto que substitui pontualmente Sérgio Pérez batesse o canadiano, uma vez que a equipa de Silverstone chamou o germânico às boxes a oito voltas do fim para montar um jogo de macios, o que o atirou para o sexto lugar final.

Esteban Ocon foi outro piloto que conseguiu dar corpo a uma estratégia de apenas uma paragem nas boxes.

O francês da Renault arrancou da décima quarta posição – depois de uma penalização de três lugares na grelha de partida por ter prejudicado George Russell na qualificação – mas executou na perfeição uma prova com apenas uma troca de pneus, tendo beneficiado de médios novos para parar apenas na vigésima segunda volta.

Ocon ganhou seis lugares ao longo da prova, superiorizando-se a Lando Norris e a Daniil Kvyat, que ficaram nas posições imediatas.

O jovem inglês nunca se mostrou à-vontade com os pneus da Pirelli, tendo adoptado a mais comum estratégia de duas paragens para se manter em contenção pelos lugares dos pontos.

Daniil Kvyat, que arrancou do longínquo décimo sexto lugar da grelha de partida, privilegiou as borrachas duras no início da corrida, com dois “stints” com este composto, para terminar com pneus médios, o que lhe permitiu conquista o derradeiro ponto em liça, esquecendo a frustração da qualificação, quando ao abusar dos limites da pista viu-lhe retirado um tempo que lhe permitia ascender à Q2, quedando-se pelo primeiro segmento do treino.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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