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Fórmula 1: O que pode correr mal à Red Bull?

Jorge Girão by Jorge Girão
23 Abril, 2023
in Autosport Exclusivo, Destaque Homepage, F1, Newsletter
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GP da Austrália F1: Nada parou Max Verstappen

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A Red Bull foi a grande dominadora das três primeiras provas da temporada, sendo considerada a única candidata aos títulos deste ano, mas ainda assim, existem alguns fatores que poderão intrometer-se nos desejos da formação de Milton Keynes…

Quando se esperava uma aproximação da Ferrari e da Mercedes, a equipa de bandeira austríaca apresentou-se nos três Grandes Prémios de abertura do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 num momento de forma impressionante, deixando as suas grandes rivais em crise e a questionar os respetivos projetos para 2023 – a Mercedes já assumiu que tem adotar um novo conceito, ao passo que a Ferrari está determinada em acelerar o seu programa de desenvolvimento.
O RB19 Honda é um carro sem falhas ao nível da performance, mostrando-se capaz em todos os tipos de curvas, para além de ter uma superior velocidade de ponta, graças à sua eficácia aerodinâmica, que lhe permite gerar apoio sem criar demasiado arrasto.
No cenário atual parece quase uma impossibilidade a Red Bull perder os ceptros deste ano, mas existem algumas fatores que podem, pelo menos, dificultar a sua tarefa e, no máximo, impedi-la de alcançar os seus desideratos.
Uma das questões que podem travar os homens dirigidos por Christian Horner é a fiabilidade, um problema que já ficou patente nas três primeiras provas da temporada.
Max Verstappen viu um semi-eixo ceder na qualificação para o Grande Prémio da Arábia Saudita, o que o atirou para o décimo quinto posto da grelha de partida e só a natureza da pista de Jeddah, que facilita as ultrapassagens, lhe permitiu ascender ao segundo posto, atrás de Sérgio Pérez.
Mas se esta foi a face mais visível das questões de fiabilidade pelas quais a Red Bull passou este ano, existem outros episódios menos evidentes.
Na prova do Bahrein, ambos os pilotos sentiram dificuldades com a caixa de velocidades, tendo passado parte da prova a gerir o seu funcionamento.
Em três provas, tanto Verstappen como Pérez estão já na segunda unidade deste componente num máximo de quatro para as vinte e três corridas previstas para a temporada.
Isto parece significar que, mais tarde ou mais cedo, ambos os pilotos terão, pelo menos, uma penalização de cinco ou dez lugares na grelha de partida, o que, dependendo do circuito, poderá ser mais ou menos penalizador. No entanto, se a caixa de velocidades ceder durante uma corrida, o custo será maior, uma vez que significa a perda de possíveis vinte e cinco pontos para um dos pilotos e para a equipa.
Porém, os problemas com a fiabilidade da parte da Red Bull não se resumem à caixa de velocidades, uma vez que também as unidades de potência da Honda têm dado algumas dores de cabeça aos técnicos japoneses.
Nyck de Vries foi obrigado a montar o seu segundo V6 turbohíbrido em Jeddah, ao passo que Sérgio Pérez já vai no terceiro pack de baterias e de centralina eletrónica, montados em Melbourne, ultrapassando o máximo de duas a que cada pilo tem direito para toda a temporada – arrancando por isso da via das boxes.
Existem, portanto, algumas questões quanto à fiabilidade dos Red Bull RB19 Honda, o que poderá custar à equipa e aos seus pilotos alguns pontos, mas não só.
A formação de Milton Keynes é uma das melhores do plantel no que diz respeito ao desenvolvimento ao longo da temporada, como se verificou o ano passado, quando iniciou a época com um carro ao nível do Ferrari para depois torná-lo claramente superior ao seu congénere de Maranello.
No entanto, este ano a Red Bull tem muito menos tempo de desenvolvimento no túnel de vento e no CFD, devido aos seus resultados do ano passado – algo que é controlado pelo regulamento desportivo. Para além disso, a equipa tem ainda que cumprir a penalização de que foi alvo por ter violado o limite do tecto orçamental, o que traduz em 10% menos de runs nas duas ferramentas de simulação já mencionadas.
Estas limitações tiveram pouco impacto na conceção do RB19, mas a equipa estará em desvantagem face à Ferrari, Mercedes e, sobretudo, à Aston Martin no desenvolvimento ao longo do ano, tendo ainda que criar o seu monolugar de 2024 dentro deste cenário.
A Red Bull tem, portanto, a pressão de ter de acertar o caminho de desenvolvimento, ao passo que as suas rivais mais diretos se podem dar ao luxo de experimentar mais opções e encontrar mais performance.
No entanto, para que possam se aproximar da equipa Campeã de Construtores em título, tanto a Ferrari, como a Mercedes ou a Aston Martin terão de ser muito competentes na forma como desenvolvem os seus carros.
Por último, a Red Bull poderá ter de lidar com uma ‘guerra civil’ entre os seus dois pilotos e gerir o ambiente no seu seio.
O ano passado já se percebeu que há alguma tensão entre Pérez e Verstappen, apesar de a equipa querer passar a imagem de tudo estar bem.
Este ano, o holandês já se recusou a cumprir ordens de equipa, o que deixou o mexicano surpreendido.
Por obra do acaso, os dois pilotos ainda não se encontraram em pista, mas a grande questão é perceber o que acontecerá quando os dois estiverem a lutar por uma posição. Ambos sabem que, pelo menos para já, a questão do título é entre os dois e qualquer derrota numa batalha corpo a corpo entre eles será determinante para as contas do campeonato e para a supremacia dentro da equipa, portanto, não se espera que estendam o tapete um ao outro.
Um incidente entre os dois, para além de poder custar pontos a ambos, poderá espoletar um confronto dentro e fora de pista, o que tem o potencial para causar um desfecho imprevisível.
Existem, portanto, algumas questões que podem criar algumas dificuldades à Red Bull, podendo abrir uma janela de esperança para os adeptos que pretendem ver um campeonato disputado por diversos pilotos e equipas. Mas para isso, é necessário que a Mercedes e a Ferrari deixem de cometer erros e acertem no desenvolvimento dos respetivos carros e que Aston Martin continue o bom trabalho realizado desde o meio da temporada passada.
Para já, a Red Bull merece a vantagem que apresentam em pista…

Tags: F1Red Bull
Jorge Girão

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