O limite orçamental instaurado na Fórmula 1 foi um grande passo para limitar as equipas maiores de gastarem muitos mais milhões de euros no desenvolvimento dos seus carros, permitindo às equipas mais pequenas e com orçamentos muitas vezes mais pequenos, terem as mesmas oportunidades. Percebemos que esta ferramenta, do regulamento financeiro da FIA para a Fórmula 1, funciona, quando, por exemplo, a Mercedes não conseguiu resolver todas os problemas do seu carro em duas temporadas. Normalmente, seriam gastos milhões na fábrica a testar soluções, mesmo que nem trouxesse nada de novo.
Deu-se este passo, acarinhado por muitos dos responsáveis das equipas, também porque há uma hipótese, no contexto económico que a F1 vive atualmente, das estruturas começarem a dar lucro a quem nelas investe. Gasta-se menos em certos aspetos do negócio e os ganhos têm sido superiores a outras eras da Fórmula 1, o que pode trazer lucro.
No entanto, o facto de existir o limite orçamental, que impede um gasto desenfreado de dinheiro, Zak Brown, diretor executivo da McLaren, considera que poderia haver mais liberdade nos regulamentos da disciplina. Para o responsável da equipa de Woking, as equipas poderiam gastar mais tempo no túnel de vento ou a testar em pista, algo que é extremamente controlado pela FIA, tendo apenas que cumprir com o limite estabelecido no seu orçamento para cada época.
“Uma vez que temos o limite orçamental, gostaria que o regulamento desse mais liberdade e não fosse tão restrito, porque temos um limite [de custos]”, explicou Brown, entrevistado no podcast ‘Track Limits’. “Por isso, se quiséssemos testar em pista em vez de simular em túnel de vento. Se precisássemos de mais tempo de túnel de vento, podíamos ter. Se quiséssemos colocar seis rodas no carro, podíamos por seis rodas num carro”.
Na opinião de Zak Brown, com o limite orçamental em vigor, isso “impede as equipas de gastarem demasiado”, enquanto os regulamento reduzem as possibilidades dos monolugares serem muito diferentes uns dos outros. “Por isso, se quisermos ver coisas diferentes, devemos ter liberdade nos regulamentos”, concluiu o responsável da McLaren sobre o tema.
Sobre isto, e usando o exemplo da McLaren na temporada que agora terminou, Stefano Domenicali, em declarações à Sky, argumentou que o limite orçamental não restringe o potencial de evolução das equipas. Por outro lado, e como demos conta antes, a regulação do orçamento a ser aplicado pelas equipas, implicou reorganizações e adaptações, com membros das estruturas a serem alocados a outros projetos ou a serem dispensados, e em muitos dos casos, quem ficou mais a perder foram os homens e mulheres que trabalham nas fábricas e são indispensáveis à competição.










