Toto Wolff alertou para os riscos de alterar os regulamentos das unidades motrizes já perto do início da temporada, numa altura em que a Mercedes está envolvida numa polémica técnica sobre a taxa de compressão do motor.
A discussão surgiu após rivais questionarem o funcionamento do motor alemão, que cumpre o limite regulamentar da taxa de compressão em condições padrão, mas atinge valores superiores em temperaturas mais elevadas. Wolff garante que a solução está dentro das regras e considera que a eventual introdução de novas clarificações poderá criar um precedente problemático.
O dirigente teme consequências no equilíbrio competitivo e no mecanismo de compensação de desempenho dos motores, o ADUO, lembrando que mudanças tardias podem levar os fabricantes a reformular completamente os projetos.
O ADUO é um sistema de concessões da FIA para os motores de F1 criado para evitar grandes desequilíbrios entre fabricantes, dando mais oportunidades de desenvolvimento apenas a quem ficar claramente atrás em desempenho.Não é um BoP clássico: não adiciona lastro nem corta potência dos mais fortes, mas concede, de forma condicionada por métricas de défice de potência, mais orçamento, mais horas no banco de ensaio e janelas extra de atualização/homologação da unidade motriz, para permitir que os construtores menos competitivos recuperem terreno sem desencadear uma escalada descontrolada de custos.
A decisão final deverá surgir antes da primeira corrida do ano, dependendo de uma votação envolvendo os restantes construtores, a Fórmula 1 e a FIA.
Apesar da controvérsia, o austríaco minimiza a vantagem prática do sistema e afirma confiar numa avaliação imparcial das autoridades.
“Estamos a falar de poucos cavalos — dois ou três”, afirmou Toto Wolff à RacingNews365. “O verdadeiro problema é o precedente: que complicações cria uma regra e como será controlada? Depois de alguns meses, qualquer fabricante poderia redesenhar o motor de forma diferente e até alterá-lo completamente. Acredito que a decisão será analisada de forma independente”, concluiu Wolff.










