E, mais uma vez, os comentários abusivos voltam ao centro das atenções. São cada vez mais frequentes estes comunicados das equipas que apontam para comentários abusivos nas redes sociais. Depois do episódio de Interlagos era, infelizmente, de esperar que tal acontecesse, o que se confirmou.
A falta de racionalidade, a estupidez e a falta de bom senso andam à solta nas redes sociais. A liberdade de comentar como se quer, sem sofrer consequências, continua a dar carta-branca a algumas pessoas que usam estes meios de comunicação para libertar algumas frustrações ou mostrar uma face pouco digna. Se a liberdade de expressão deve ser respeitada a todo o custo, as ameaças e as ofensas sem qualquer tipo de fundamento vão para lá dessa liberdade, nisto que é um desporto e, por conseguinte… apenas entretenimento.
A F1 está repleta de exemplos positivos que podem ajudar a mudar o mundo para o melhor, mas insiste-se no comentário inflamado, na crítica sem sentido, na ofensa e, em casos extremos, às ameaças, o pior que o Ser Humano tem para dar. Numa era em que a informação está à distância de dois cliques, a evolução e elevação do discurso é uma miragem e o retrocesso é claro. A Red Bull repudiou os comentários abusivos dirigidos aos seus pilotos e até à equipa no final da corrida do Brasil. Eis o comunicado:
“Como equipa, cometemos alguns erros no Brasil. Não tínhamos previsto a situação que se desenrolou na última volta e não tínhamos acordado uma estratégia para um tal cenário antes da corrida. Lamentavelmente, Max só foi informado na curva final do pedido de desistência de posição sem que todas as informações necessárias fossem transmitidas. Isto colocou o Max, que sempre foi um jogador de equipa aberto e justo, numa situação comprometedora, com pouco tempo para reagir, o que não era a nossa intenção. Após a corrida, Max falou aberta e honestamente, permitindo a ambos os pilotos resolver quaisquer questões ou preocupações pendentes. A equipa aceita o raciocínio de Max, a conversa foi um assunto pessoal que permanecerá privado entre a equipa e não serão feitos mais comentários.
Os acontecimentos que se seguiram nas redes sociais são completamente inaceitáveis. O comportamento abusivo para com o Max, o Checo, a equipa e as suas respetivas famílias é chocante, entristecedor e infelizmente é algo que nós, como desporto, temos de abordar com uma regularidade deprimente. Não há lugar para isso nas corridas ou na sociedade e precisamos de fazer e ser melhores. No final das contas, este é um desporto, estamos aqui para correr. Ameaças de morte, correio de ódio para membros da família alargada é deplorável. Valorizamos a inclusão e queremos um espaço seguro para que todos possam trabalhar e desfrutar do nosso desporto. O abuso tem de acabar.”












